Ficha do Proponente
Proponente
- DENISE MORAES CAVALCANTE (UnB)
Minicurrículo
- Denise Moraes é professora do curso de Audiovisual da Faculdade de Comunicação da UnB. Graduada em Cinema pela Universidade Paris VIII (França), é doutora em Comunicação pela UnB, com período sanduíche na Sorbonne (Paris IV), e pós-doutora em Arte e Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais (UFG). Integra o grupo de pesquisa Núcleo de Práticas Artísticas Autobiográficas (UFG). Atualmente coordena o curso de Audiovisual da UnB, integra o CONCIAVI-DF e coordena a Rede de Direção do FORCINE.
Ficha do Trabalho
Título
- INOVA LAB e CINESCOLA: criação audiovisual e práticas formativas em realidade estendida (XR)
Resumo
- Este trabalho apresenta um relato de experiência do projeto de extensão CINESCOLA, desenvolvido no INOVA LAB (FAC-UnB), que oferece oficinas de Realidade Estendida (XR) a estudantes do ensino médio da rede pública do Distrito Federal. Analisa metodologias colaborativas entre universitários e secundaristas na produção de vídeos 360º, discutindo as relações entre audiovisual, tecnologias imersivas e processos formativos contemporâneos.
Resumo expandido
- Este trabalho apresenta um relato de experiência do projeto de extensão CINESCOLA, vinculado ao curso de Audiovisual da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), desenvolvido no âmbito do INOVA LAB. A iniciativa promove oficinas de Realidade Estendida (XR) voltadas a estudantes do ensino médio da rede pública do Distrito Federal, articulando práticas de letramento audiovisual, formação crítica e experimentação com tecnologias imersivas.
Criado em 2025, o CINESCOLA já atendeu mais de 100 estudantes por meio de oficinas de audiovisual. Em sua expansão, o projeto passa a incorporar o ensino de tecnologias imersivas, introduzindo noções de roteiro, direção, captação de imagem e som com câmeras 360º, além da visualização em dispositivos de realidade virtual. Como resultado, os participantes produzem vídeos imersivos baseados em suas vivências escolares e territoriais, elaborando narrativas situadas e sensíveis sobre seus contextos sociais.
A metodologia adotada fundamenta-se em uma perspectiva dialógica de educação, inspirada em Paulo Freire e bell hooks, compreendendo o processo formativo como construção coletiva de conhecimento. Nesse contexto, estudantes universitários atuam como mediadores, promovendo trocas horizontais com os estudantes da educação básica. Essa dinâmica favorece a constituição de um espaço pedagógico colaborativo, no qual ensino, aprendizagem e criação se entrelaçam, fortalecendo vínculos entre universidade e escola pública.
A experiência analisada ocorre no Centro de Ensino Médio Integrado do Cruzeiro (CEMI Cruzeiro – DF) e evidencia como o uso de tecnologias imersivas pode ampliar práticas de autoria e expressão. Ao produzir imagens em 360º, os estudantes não apenas aprendem técnicas audiovisuais, mas constroem representações de seus territórios, elaborando o que se pode compreender como geografias sensíveis. Nesse sentido, a tecnologia opera como meio de afirmação de identidades, pertencimentos e modos de existência frequentemente marginalizados nas narrativas hegemônicas.
O projeto também dialoga com debates contemporâneos sobre cinema expandido e novas mídias (Parente; Youngblood; Manovich), compreendendo o audiovisual para além da tela tradicional e inserido em um ecossistema de múltiplas interfaces e experiências. No contexto atual, marcado pela crescente centralidade das tecnologias digitais e pela emergência de imagens sintéticas, as práticas desenvolvidas no INOVA LAB apontam para formas de produção que tensionam o consumo passivo e estimulam a criação crítica.
Ao integrar extensão, ensino e experimentação, o INOVA LAB constitui um espaço formativo que responde às transformações do audiovisual contemporâneo, promovendo não apenas a aprendizagem técnica, mas a reflexão sobre cultura digital e produção de imagens. Em diálogo com o tema do congresso, a experiência sugere que, diante dos múltiplos “fins do mundo” associados às crises contemporâneas e à saturação imagética, práticas pedagógicas baseadas na criação coletiva e na experimentação tecnológica podem contribuir para a invenção de outros mundos possíveis.
O trabalho conclui que o CINESCOLA, no contexto do INOVA LAB, configura-se como um dispositivo formativo que articula educação, tecnologia e criação audiovisual, reafirmando o potencial do cinema e das mídias imersivas como práticas de reinvenção do sensível e de produção de novos modos de ver, narrar e habitar o mundo.
Bibliografia
- FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
MANOVICH, Lev. A linguagem das novas mídias. São Paulo: Senac São Paulo, 2001.
PARENTE, André (org.). Imagem-máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
YOUNGBLOOD, Gene. Expanded Cinema. New York: Fordham University Press, 2020.