Ficha do Proponente
Proponente
- Mariah Floriano (USP)
Minicurrículo
- Formada em Comunicação Social com habilitação em Cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (2018), é mestranda em Meios e Processos Audiovisuais na Universidade de São Paulo (USP) e atua como diretora de arte em produções audiovisuais.
Ficha do Trabalho
Título
- Espaço em variação: direção de arte em ambientes virtuais
Eixo Temático
- ET 2 – INTERMIDIALIDADES, TECNOLOGIAS E MATERIALIDADES FÍLMICAS E EPISTÊMICAS DO AUDIOVISUAL
Resumo
- Esta comunicação investiga transformações na direção de arte em narrativas virtuais a partir da criação de cenários que incorporam, em sua arquitetura e objetos, vestígios da materialidade física junto às marcas do próprio processo técnico. Esses elementos tensionam a padronização dos modelos digitais e incidem sobre a construção do espaço. O cenário passa a se formar por elementos instáveis, exigindo novos critérios para sustentar uma identidade visual em ambientes em constante variação.
Resumo expandido
- A direção de arte em narrativas virtuais enfrenta transformações que deslocam fundamentos consolidados na prática com a materialidade física. Quando o espaço cênico deixa de ser construído e passa a ser modelado, editado e recombinado digitalmente, o diretor de arte opera em um campo de possibilidades que exige novos critérios de construção visual. A relação fixa com o objeto muda, pois ele passa a integrar um arquivo aberto, disponível para manipulação, replicação e deslocamento contínuo. Com ele, muda também a relação com o espaço, com o tempo e com a própria noção de identidade visual.
Este trabalho reflete as possibilidades de criação de cenários 3D , que incorporam vestígios da materialidade, como marcas do tempo e do uso, junto às marcas da própria mediação técnica. A pesquisa examina como essa diferença incide sobre a construção do espaço e da identidade visual em narrativas virtuais. A edição contínua, a replicação e o deslocamento de objetos e cenários produzem ambientes em permanente variação, nos quais a construção visual enfrenta um risco de se dissolver em identidades saturadas, reconhecíveis sem serem singulares, ou de se perder em reproduções que buscam simular o mundo físico com precisão crescente, produzindo imagens mais perfeitas do que a própria realidade. Diante dessa condição, a direção de arte passa a exigir decisões de outra natureza, como orientar a variação sem perder coesão, como articular objetos de temporalidades distintas em um mesmo espaço, como sustentar uma identidade visual ao longo de processos abertos de manipulação.
Esses desafios apontam para uma reconfiguração do papel do diretor de arte em narrativas virtuais. No mundo físico, a construção do espaço cênico envolve limites impostos pelo custo e pela disponibilidade de recursos. No ambiente virtual, esse processo se desenvolve em um campo de possibilidades ilimitadas. Habitar o espaço virtual de modo a explorar o que as tecnologias digitais tornam possível, em vez de empregá-las para simular o que já existe. Nesse contexto, cenários híbridos operam como um dispositivo de resistência aos modelos genéricos e higienizados, mas também como um campo de experimentação, onde formas que carregam tempo podem ser recombinadas, deslocadas e reinscritas em ambientes que não existem no mundo físico, produzindo espaços que acumulam camadas heterogêneas e sustentam uma identidade visual ancorada nos vestígios materiais.
A chamada do encontro propõe pensar mundos sem fim como mundos indeterminados, abertos ao contato e à metamorfose. Esta pesquisa parte dessa indeterminação. Investigar a direção de arte em narrativas virtuais é compreender um espaço no qual o mundo construído nunca se fecha, pois os objetos e a arquitetura das cenas permanecem em variação. O fim do mundo físico como referência estável é um ponto de partida para a invenção de outros modos de construir e habitar a imagem.
Bibliografia
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