Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Ariel Arraes de Araújo (Unifor)

Minicurrículo

    Graduanda em Cinema e Audiovisual pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Participei de eventos acadêmicos como o IX Encontro de Extensão Universitária e o IV Encontro de Curricularização da Extensão (ECOE) promovidos pela mesma instituição universitária. Estagiei na TV Unifor, em 2025, atuando principalmente na área de produção audiovisual. Faço parte de produções cinematográficas desde 2023, tanto universitárias quanto profissionais.

Ficha do Trabalho

Título

    A caracterização do corpo monstruoso de Dirce, protagonista do projeto audiovisual “Fome”

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    O presente trabalho apresenta o processo da caracterização física de “Dirce”, protagonista do projeto audiovisual intitulado “Fome”, minha proposta de TCC. Apesar do processo de produção dessas imagens continuar em análise, para criar o “corpo monstruoso” da personagem principal, a investigação da semiótica do horror representado por figuras religiosas, como freiras, padres e freis, que regem o imaginário de uma mulher que sofre de alienação religiosa, se fez presente.

Resumo expandido

    O presente trabalho tem como intenção investigar o desenvolvimento e caracterização física de “Dirce”, protagonista do projeto de curta-metragem em desenvolvimento intitulado “Fome”, minha proposta de TCC. Como parte das investigações para o departamento de arte, o figurino de Dirce é pensado para se assemelhar a uma freira, ou até mesmo à Virgem Maria, definindo-se por um tecido sobre o cabelo e uma manta cobrindo seu corpo. É uma decisão pensada para destoar da maior parte das pessoas da realidade na qual a história se passa: a cidade de Fortaleza, Ceará, de 2025. Essa escolha demonstra que a personagem tenta, a todo momento, performar a santidade a partir de suas vestimentas e de seus ritos.
    A sinopse de “Fome” é: Dirce é uma devota católica há 60 anos, e junto ao seu grupo de oração, passam o domingo celebrando o milagre da Santa Ceia. Após ser designada para ser a anfitriã do grupo, ela percebe que está faltando um ingrediente muito importante para a celebração: a carne.
    Para iniciar a construção semiótica do horror religioso representado pela personagem, filmes como Bebê de Rosemary (1968), El día de la bestia (1995) e ALUCARDA (1977) contribuíram para o desenvolvimento estético e visual do curta-metragem. Apesar do corpo monstruoso de “Rosemary Woodhouse”, em Bebê de Rosemary, ser vítima de uma religião não-cristã, a caracterização que acompanha a progressão da monstruosidade que ela carrega, desde o corte de cabelo até a perda de peso, anemia, olheiras profundas e roupas largas demais para seu corpo, é uma referência pertinente para a construção de Dirce. Já Cura, protagonista de El día de la bestia, e Alucarda, personagem homônimo, são corpos que estão inseridos na religião cristã, e ao longo da narrativa aterrorizante dos personagens, percebemos que o trabalho de visagismo e figuração, contribui para intensificar a semiótica do terror causado por essas figuras. Cura não esconde o fato de ser um padre, usando suas vestimentas tradicionais mesmo quando comete os piores atos. Já Alucarda, nasceu vampira dentro de um convento, um deslocamento que é demonstrado não só pelo fato de que ela usa apenas roupas escuras e nenhuma manta para cobrir o cabelo, mas também seu rosto limpo sem nenhuma mancha, ruga ou olheira — quase irreal.
    Leituras voltadas para o desenvolvimento da estética de terror se destacam aquelas de não só análise, mas também descrição do processo de feitura desses “novos corpos”, podendo ser definidos pela narrativa como personagens monstruosos e construídos a partir da caracterização aterrorizante, investigada e produzida pela equipe de maquiagem, efeitos especiais e figurino e da performance corporal dos atores e atrizes que os performam. Ana Dantas, Samuel Pontes e Flávia Mayer analisam profundamente a construção de figurino e visagismo no gênero slasher, afirmando que “há sim uma relação entre a caracterização do vilão e a evocação do medo no espectador, que recebe tais informações, aumentando seu incômodo e horror em relação ao personagem e consequentemente à narrativa.”
    A partir da análise teórica sobre a caracterização de personagens do filme de terror, pretendo documentar a elaboração do corpo monstruoso de “Dirce”, da perspectiva da maquiagem e do figurino. Ao expor o horror que ela representa e o temor religioso que sofre, como podemos desenvolver a fisicalidade de uma personagem que é a vilã e a vítima de suas próprias escolhas? Levando em consideração as poucas pesquisas acadêmicas do departamento de arte, especialmente de visagismo e figuração de personagem, pretendo com este projeto agregar e contribuir para as investigações de construção corpórea de personagens no cinema de terror.

Bibliografia

    Alucarda. Direção: Juan López Moctezuma. Produção: Films 75, Yuma Films. França, 1977. 1 DVD.

    El dia de la bestia. Direção: Álex de la Iglesia. Produção: Carmen Martínez Rebé. Espanha, 1995. 1 DVD.

    Marques Silva, H. ., Goulart Prudente, G., & de Pinho, M. J. ALIENAÇÃO RELIGIOSA COMO CONTROLE SOCIAL. Revista De Educação, Saúde E Ciências Do Xingu, 1(4). p. 26 – 35, Jan-Dez, 2021. Recuperado de https://periodicos.uepa.br/index.php/rescx/article/view/3901

    O Bebê de Rosemary. Direção: Roman Polanski. Produção: Paramount Pictures, William Castle Productions. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1968. 1 DVD.

    DANTAS, Ana; PONTES, Samuel; MAYER, Flávia. A caracterização do vilão na construção do medo em filmes de terror do subgênero slasher. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 46º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – PUC-Minas – 4 a 8/9/2023. Recuperado em: https://sistemas.intercom.org.br/pdf/link_aceite/nacional/11/0815202314123664dbb