Ficha do Proponente
Proponente
- Renata Rocha (UFBA)
Minicurrículo
- Professora da Faculdade de Comunicação, do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade e do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Práticas em Comunicação e Cultura – Mestrado Profissional da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Vice-líder do Laboratório de Estudos em Políticas Culturais e Economia da Cultura (LAB-Cultura). Editora-chefe da Políticas Culturais em Revista. Membro da Cátedra Unesco de Políticas Culturais e Gestão da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).
Ficha do Trabalho
Título
- Arranjos Regionais e o setor audiovisual na Bahia: notas sobre uma avaliação participativa
Seminário
- Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil
Resumo
- O resumo ora apresentado explicita alguns achados da pesquisa de avaliação participativa “Políticas de Arranjos Regionais para o audiovisual na Bahia”, realizada entre 2025 e 2026. Para tanto, são apresentados uma breve contextualização da Linha de Arranjos Regionais, bem como o escopo e metodologia da investigação em comento. Destaque especial é dado à adoção adicional de métodos qualitativos na complementação e problematização dos dados quantitativos e indicadores acionados.
Resumo expandido
- A produção audiovisual brasileira, apesar do crescimento e reconhecimento internacional nas últimas décadas, é marcada por uma profunda concentração territorial. Frente a tal conjuntura, o Plano de Diretrizes e Metas (PDM) 2011-2020 da Agência Nacional do Cinema (Ancine) propôs ampliar o alcance regional das políticas públicas para o audiovisual do país e promover o desenvolvimento de cadeias produtivas locais. Dentre as iniciativas com esse objetivo, a Ancine lançou, em 2014, a linha de Arranjos Regionais. Outros exemplos são a criação de cotas regionais no Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e da Linha de Conteúdos Destinados às TVs Públicas.
Os Arranjos Regionais se destacam pela complementaridade entre recursos financeiros aportados por entes locais e o FSA. A política abrange a convocação das unidades federativas por meio de chamada pública para apresentação de propostas. Os entes locais selecionados publicam, então, editais específicos para o fomento ao audiovisual.
Rocha, Lima e Costa (2024) constataram a relevância dos Arranjos Regionais para a descentralização do audiovisual brasileiro, reiterando a necessidade de avaliações sistemáticas e contínuas que envolvam análises quantitativas e qualitativas. No entanto, em que pese a importância desta e outras políticas de fomento, o setor enfrentou um conturbado hiato no país (Ikeda, 2022). Os Arranjos Regionais, por exemplo, são interrompidos em 2018 e retomados apenas em 2025.
Nesse sentido, a pesquisa Políticas de Arranjos Regionais para o audiovisual na Bahia (Lima, Costa, Rocha; no prelo) buscou subsidiar atores públicos e privados nessa nova fase da política, por meio da avaliação participativa do programa no Estado da Bahia, entre 2013 e 2023. O estudo envolveu 65 projetos de produção de conteúdo audiovisual, conduzido por 44 empresas, contemplados com recursos do FSA em pelo menos uma das cinco seleções públicas lançadas entre 2014 e 2019 pelo Estado e/ou Prefeitura Municipal de Salvador.
Os procedimentos metodológicos visam superar a lacuna entre o quantitativo e o qualitativo (Rua, 2010) e abrangem: revisão bibliográfica; coleta e sistematização de dados secundários qualitativos e quantitativos para elaboração e análise de indicadores; e pesquisa direta junto aos beneficiários com aplicação de websurveys, que alcançaram 88,6% do universo total, e a realização de entrevistas semiestruturadas com uma amostra intencional de 11 proponentes.
Os achados apontam tanto para a relevância estratégica da política quanto para a necessidade de ajustes operacionais e institucionais que a potencializem. Os Arranjos apresentaram resultados concretos em termos de produção, geração de renda, formação profissional e circulação de obras e as produtoras baianas demonstraram capacidade de execução e entrega. Já os desafios envolvem a burocracia excessiva, a demora na liberação de recursos, a descontinuidade dos editais, a concentração em Salvador, a insuficiência dos valores, o gargalo na distribuição e a dependência do fomento público, dentre outros.
A abordagem qualitativa revelou-se fundamental para capturar dimensões não apreendidas pelos dados. Enquanto os números demonstram a expansão do mercado, o aumento da formalização e da produção; as entrevistas evidenciam dinâmicas complexas, efeitos não previstos e contradições internas, a exemplo das tensões entre capital e interior, estratégias informais de sobrevivência das produtoras, “pejotização” dos trabalhadores, dificuldade de circulação de obras seriadas em festivais e cineclubes, dentre outros aspectos cuja compreensão é fundamental para a construção de políticas adequadas à realidade do setor.
A pesquisa, coordenada pela Profa. Carmen Lima (Uneb), foi financiada com recursos do Edital nº 09/2024 – Fomento às Artes – Audiovisual da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura no Estado da Bahia e realizado no âmbito do grupo de pesquisa Laboratório de Estudos em Políticas Culturais e Economia da Cultura (LAB-Cultura).
Bibliografia
- IKEDA, Marcelo Gil. As políticas públicas para o audiovisual: impasses da gestão da Ancine no governo Bolsonaro. Revista Eletrônica Internacional de Economia Política da Informação da Comunicação e da Cultura, São Cristovão, v. 24, n. 1, p. 22–41, 2022. DOI: 10.54786/revista eptic.v24i1.15558. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/eptic/article/view/15558. Acesso em: 8 mar. 2026.
LIMA, Carmen; COSTA, Leonardo; ROCHA, Renata. Políticas de Arranjos Regionais para o audiovisual na Bahia. Salvador: Pinaúna/UFBA, no prelo.
ROCHA, Renata; LIMA, Carmen; COSTA, Leonardo. Políticas para a descentralização do audiovisual no Brasil: alcance, resultados e repercussões de dois programas de fomento na Macrorregião CONNE. Salvador: UFBA, 2024. 167 p.
RUA, M. da G.. Avaliação de políticas, programas e projetos: notas introdutórias (versão atualizada em 2010). 2010. Disponível em: https://www.jacksondetoni.files.wordpress.com/2014/05/texto-apoio-05-_-grac3a7as-rua.pd. Acesso em: 20 abr. 2026.