Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Mateus Costa de Oliveira (UFBA)

Minicurrículo

    Doutorando no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (PÓSCOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestre pelo mesmo programa. Graduado em Comunicação Social, com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura (UFBA). Integra o Laboratório de Análise Fílmica (LAF) e o grupo de pesquisa (An)arqueologias do Sensível.

Ficha do Trabalho

Título

    A experiência no documentário político brasileiro contemporâneo

Resumo

    A comunicação tentará desenvolver a ideia de que, se há ideias ou conceitos desenvolvidos a partir do documentário político brasileiro contemporâneo, é por conta da experiência política que se dá através do contato e fruição do próprio documentário – com memórias e experiências individuais coletivizadas, além da própria construção criativa dos sujeitos no documentário. Para tanto, a reflexão analítica se dará em torno do curta-metragem Torre (2018) de Nádia Mangolini.

Resumo expandido

    Assumindo que há, de onde parte o pensamento político construído através do documentário? De difícil resposta, a comunicação tentará apresentar e desenvolver uma resposta preliminar: se há pensamento, ideias ou conceitos, é por conta da experiência política vivenciada a partir do documentário, seja do realizador ou de quem o assistiu. Nesse sentido, por exemplo, a tentativa de que a memória e vivência dos sujeitos saia do âmbito particular e se torne coletiva por meio do documentário, junto com a construção criativa desses mesmos sujeitos através da linguagem audiovisual, faz com que, por fim, ocorra uma experiência política. Ocorre, dessa maneira, uma atitude autoral dos realizadores frente ao mundo histórico, que é comum ao cinema documentário. Segundo Silva (2013, p. 27), “a desestabilização da representação convencional (ou do próprio regime representativo em nome de um regime estético, como prefere Rancière) faz com que as artes realistas da contemporaneidade – entre as quais o cinema documentário – não mais se orientem (se um dia chegaram mesmo a fazê-lo) rumo a uma realidade intocada, com a finalidade de apreendê-la”. Assim sendo, é importante pontuar que o documentário é entendido aqui para além da sua perspectiva educativa mais restrita, de transmissão de ideias ou de ilustração do mundo, mas como a experiência audiovisual que articula e se deixa articular pensamento político. Não são poucos os documentários nacionais que poderiam ser incluídos aqui, desde Cabra Marcado para Morrer (1985), filme que se reconstrói do ficcional para o documentário e apresenta Elizabeth Texeira e seus filhos, até Marias (2024) – documentário que trata e lida com a ausência da sua personagem principal, Maria Prestes, que retira o uso da sua imagem. É no contato com as imagens e com a sua fruição que o pensamento político se dá: ver a história de uma família separada pela ditadura militar e da jornada de um diretor de recontar essa história interrompida e construir a figura política de Maria Prestes mesmo sem vê-la ou ouvi-la. Para refletir sobre a questão apresentada, o documentário animado Torre (2018), de Nádia Mangolini, será analisado. O curta trata da memória desfragmentada dos filhos de Ilda Martins da Silva e Virgílio Gomes da Silva, primeiro desaparecido da ditadura militar brasileira. As memórias, que são diversas entre si, dos quatro filhos do casal são animadas em uma busca expressiva, tendo uma “abordagem micro e subjetiva, iniciando pela experiência individual para extrapolar a partir das vivências pessoais” (Souza e Torres, 2024, p. 347). A diversidade das memórias foi importante para a escolha dessa história que seria animada, segundo o sócio do estúdio Teremim, Marcus Vinicius Vasconcellos (Garret, 2017, s.p.), responsável por Torre: “apesar de eles terem compartilhado as experiências, a forma como eles lembram é ligeiramente diferente de um personagem para outro, e isso interessava muito na época”. A partir da reflexão analítica e teórica de Torre, a comunicação buscará abordar e caracterizar a experiência política audiovisual que se dá através do documentário.

Bibliografia

    GARRETT, Adriano. Nádia Mangolini fala sobre o curta-metragem Torre. Cine Festivais, 26 set. 2017. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2025

    SILVA, M. D. J. D. Ponto de vista a(u)torizado: composições da autoria no documentário brasileiro contemporâneo. Doutorado em Teoria e Pesquisa em Comunicação—São Paulo: Universidade de São Paulo, 3 maio 2013.

    SOUZA, Natacha de; RUIZ, TORRES, David. A Animação Digital “Torre” como reflexão sobre a Ditadura Militar na perspectiva infantil. Mosaico, v. 16, n. 26, p. 345–365, 2024.

    XAVIER, Ismail. A Experiência Do Cinema. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018.