Ficha do Proponente
Proponente
- Amanda Barros Gomes (UFBA)
Minicurrículo
- Pibic-CNPq (UFPE, 2023-24, ID 220818849) apresentada no I Seminário de Avaliação de Políticas e Indicadores Culturais (UFBA, 2024), XXI ENECULT (UFBA, 2025) e FORCULT (2026) publicada nos anais dos eventos: Um estudo de impacto sobre indutores de gênero e raça em políticas públicas setoriais do estado de Pernambuco. ISBN: 978-65-5759-242-7 (2025) organizado por IKEDA, livro sobre o mercado audiovisual do Nordeste, escreveu junto a Mannu Costa e Bernardo Lessa o capítulo do Eixo PE.
Ficha do Trabalho
Título
- Consequências da Defasagem do orçamento destinado a longas-metragens em Pernambuco
Eixo Temático
- ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS
Resumo
- A estagnação orçamentária e instabilidade do orçamento do audiovisual vem sufocando o audiovisual pernambucano há mais de 6 anos. A pesquisa reflete as dinâmicas sociais no trabalho com arte a partir de Carneiro (2011), Gonzalez (2020), Evangelista (2017), Gomes (2025) e Menger (2014). Assim, investiga-se a ligação de baixos orçamentos às dinâmicas de jornadas produtivas intensas de pressão por celeridade e precisão somadas a extensas escalas 6×1 com carga horária diária de 12 horas.
Resumo expandido
- O estudo reflete sobre a instabilidade e falta de reajuste do orçamento destinado à categoria de longas-metragens do Funcultura Audiovisual. Na sua 19ª edição (2025/2026), mesmo com o retorno do repasse financeiro dos Arranjos Regionais do FSA após 8 anos de extinção, o orçamento foi de R,66 mi (R,46 mi Fundarpe + R,2 mi FSA), aproximando-se do orçamento de 16 anos atrás que se trata da 4ª edição (2010/2011) com R,5 mi. A estagnação orçamentária e instabilidade do orçamento do audiovisual vêm sufocando o audiovisual pernambucano há mais de 6 anos. Paralelamente, em 2026 o filme pernambucano O Agente Secreto é celebrado em todo o Brasil por sua indicação em quatro categorias no Oscar e vitórias no Globo de Ouro através das categorias de melhor ator para Wagner Moura e de melhor filme em língua não inglesa.
Busca-se discutir como orçamentos defasados levam à precariedade e instabilidade do trabalho no audiovisual, além de impedir a sustentabilidade das produções independentes, perpetuar a homogeneidade de gênero e raça nos cargos de maior controle de decisão criativa (direção e roteiro) e econômica (produção), aprofundar a dependência e subjugamento de governos. Outra evidência da complexidade entre repasse de orçamento e trabalho é a proporção três vezes e meio maior da contribuição econômica para o PIB por parte de trabalhadores do audiovisual em relação à média nacional, segundo a Oxford Economics (2025) encomendada pela Motion Picture Association (MPA). Sob quais condições de trabalho os trabalhadores do audiovisual conseguem contribuir para o PIB em proporções superiores a 300% em relação à média geral dos demais trabalhadores? Quais são os perfis socioeconômicos desses trabalhadores, quais funções desempenham e quais diferenças de remuneração? Como as características de precariedade e divisão social do trabalho influenciam as obras audiovisuais produzidas e a relação entre a categoria artística e a fruição das obras?
A pesquisa reflete o que Carneiro (2011) e Gonzalez (2020) descrevem como reprodução de hierarquias coloniais dentro dos sistemas culturais; a respeito da dinâmica social do trabalho no audiovisual serão tratadas as contribuições de Evangelista (2017) e Gomes (2025) e sobre as características de “economia do risco” das artes descritas por Pierre-Michel Menger (2014).
Assim, investiga-se a ligação entre baixos orçamentos e as dinâmicas de jornadas produtivas intensas de pressão por celeridade e precisão somadas a extensas escalas 6×1 com carga horária diária superior a 12 horas. Esse cenário é ainda agravado por estar associado à instabilidade contratual, à lógica de contratação por projeto e ao capital social. Apesar das mobilizações positivas acerca do movimento VAT (Vida Antes do Trabalho) e da Deputada Erika Hilton com a PEC 8/2025 apensada à PEC 221/2019, o cenário de condições da jornada de trabalho para trabalhadores PJ e autônomos (maioria entre trabalhadores artístico-culturais) não possui os mesmos horizontes de melhoria no Brasil.
A partir de entrevistas semiestruturadas produzidas pela autora, são analisadas de forma crítica as condições de orçamento e trabalho na realização de longas, como a recorrência de mulheres na direção e/ou no roteiro que tentam driblar a dificuldade de ter longas aprovados na fase de produção através da estratégia de submissão do projeto em linhas de curta-metragem ou produto para TV, que possuem orçamento muito menor. Com esse orçamento elas entregam o projeto no formato exigido pelo edital e em paralelo montam o material de forma que alcance a minutagem de longa, a exemplo de Dea Ferraz, que aprovou 4 de seus 5 longas documentais na categoria de produção de curta no Funcultura Audiovisual (Gomes, 2025).
A partir de tais entrevistas e análise de dados dos orçamentos do Funcultura Audiovisual de PE produzidos pela autora, busca-se compreender de forma crítica as realidades sociais impostas pelo trabalho e pelo repasse orçamentário para realização de longas.
Bibliografia
- CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011. 192 p.
EVANGELISTA, Janaína Guedes Monteiro. Mulheres, trabalho e cinema: a representatividade de gênero no Funcultura Audiovisual. Salvador, 2017. Disponível em: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/22386. Acesso em: 20 jun. 2025.
GOMES, Amanda Barros. Intersecções no Audiovisual Pernambucano: estudo de impacto das cotas e indutores de raça e gênero do Funcultura Audiovisual. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Cinema e Audiovisual) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025. Acesso em: 04/12/2025.
GONZÁLEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e
diálogos. RIOS, Flávia. LIMA, Márcia (orgs.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2020).
MENGER, Pierre-Michel. The Economics of Creativity: Art and Achievement under Uncertainty, Cambridge, MA and London, England: Harvard University Press, 2014. https://doi.org/10.4159/harvard.9780674726451