Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Anna Beatriz Lage Fernandes (UFBA)

Minicurrículo

    Graduanda em Língua Estrangeira Moderna (Língua Inglesa). Atualmente, faz parte do
    VOLTA – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Cinema Irlandês Contemporâneo e do LILI –
    Estudos em Ensino de Língua Inglesa e Literaturas Irlandesas, pesquisando e traduzindo
    contos de fadas irlandeses de Lady Jane Wilde. Também participa, desde 2024, das
    atividades do Festival de Cinema Irlandês, realizado na rede pública de Salvador.

Ficha do Trabalho

Título

    Festival de Cinema Irlandês nas escolas: um relato de experiência na rede pública de Salvador

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    Tendo em vista a marginalização do uso de filmes no ensino de línguas, o objetivo deste
    trabalho é apresentar as etapas e os resultados de uma atividade de extensão realizada
    com alunos da rede pública de Salvador, uma ação desenvolvida a partir de produções do
    cinema irlandês. A metodologia parte do estudo de Leonardo Parisi e Nick Andon (2016),
    que propõe um modelo de três etapas para elaboração de atividades com vídeos em sala de
    aula.

Resumo expandido

    Com o rápido crescimento de tecnologias da informação, o papel do cinema na formação
    geral de indivíduos ganhou destaque no meio educacional. Entretanto, mesmo que assistir
    filmes seja uma prática comum ao cotidiano de quase todos os estudantes, ainda se
    percebe a marginalização do uso de vídeos no ensino de línguas quando comparado a
    outros materiais (Duarte, 2009; Magasic, 2017). Isso se deve, entre outros fatores, à falta de
    preparação da exibição e da discussão de filmes, os quais passam a ser vistos como uma
    atividade sem propósito. Além disso, segundo Fernanda Mota Pereira (2019), os produtos
    audiovisuais em que os estudantes estão cotidianamente imersos tendem a valorizar
    produções hegemônicas, favorecendo, por exemplo, filmes estadunidenses e britânicos,
    sem permitir espaço para outros tipos de manifestação cultural. Nesse sentido, apesar da
    potencial importância dos filmes para refletir e discutir questões relacionadas à identidade,
    sociedade e cultura, enquanto os estudantes não forem ensinados a pensar criticamente
    sobre o tipo de mídia que têm consumido, eles estarão suscetíveis a ser manipulados por
    ideologias dominantes, que excluem e inferiorizam outros tipos de expressão cultural
    (Pereira, 2019). Assim, este trabalho surge a partir do seguinte questionamento: como
    utilizar filmes para elaboração de atividades, promoção e desenvolvimento do letramento
    crítico de estudantes da educação básica? O objetivo é apresentar as etapas e os
    resultados de uma atividade de extensão realizada com alunos da rede pública de Salvador,
    preparada a partir de filmes irlandeses como Goldfish Memory (2003), de Liz Gill, e Black ’47
    (2018), de Lance Daly. Ao selecionar filmes de uma cinematografia não hegemônica como a
    irlandesa, as sessões de cinema foram pensadas a fim de oportunizar o acesso dos alunos
    a culturas não dominantes. Cabe ao professor, então, alinhar-se a essas tendências
    contemporâneas, construindo estratégias para a exploração de múltiplas formas de texto e
    para o desenvolvimento do pensamento crítico (Silva, 2021). Faz-se necessário, portanto,
    que o docente trace um planejamento que considere os objetivos pedagógicos a serem
    alcançados no decorrer da atividade. Pensando nisso, Leonardo Parisi e Nick Andon (2016)
    propõem uma metodologia para trabalhar vídeos em sala de aula, composta pelas etapas
    pre-viewing, while-viewing e post-viewing. Essa sequência didática foi utilizada na
    construção das atividades para sessões de cinema, uma vez que possibilita a promoção de
    debates sobre diferentes contextos e formas de expressão. Outrossim, foram selecionados
    filmes próximos à realidade dos jovens para mobilizar sensibilidades em relação a culturas
    não hegemônicas. O modelo apresentado por Parisi e Andon (2016) traz soluções para os
    desafios encontrados por educadores que têm interesse em explorar produções fílmicas em
    sala de aula. Por fim, atividades como a apresentada neste trabalho podem contribuir para
    construir uma cultura de valorização ao uso de audiovisual nas escolas, além de colaborar
    para uma formação crítica e reflexiva de estudantes da rede pública por meio de uma
    abordagem multicultural. Projetos como este também oferecem estratégias para que os
    professores trabalhem outras formas de texto, fornecendo instrumentos que maximizem os
    ganhos educacionais de atividades com vídeos em sala de aula.

Bibliografia

    BLACK 47′. Direção: Lance Daly. Irlanda: Screen Ireland, 2018.

    DUARTE, R. Cinema e educação. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

    GOLDFISH MEMORY. Direção: Liz Gill. Irlanda: Irish Film Board, 2003.

    MAGASIC, M. Learning through watching. JALT CALL Journal, v. 13, n. 3, 2017. Disponível em:
    https://journal.jaltcall.org/storage/articles/JALTCALL%2013-3-199.pdf. Acesso em: 24 abr.
    2026.

    PARISI, L. L.; ANDON, N. The use of film-based material for an adult English language course in Brazil. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 55, n. 1, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8647391. Acesso em: 24 abr.
    2026.

    PEREIRA, F. M. Educação de Literatura. Salvador: Edufba, 2019.

    SILVA, S. S. Entre Encantos e Maldições. In: EUFRASINO, C. M.; BOLFARINE, M. (org.). Ensino de Língua Inglesa através do texto literário II: Irlanda. São Paulo: Caroline Eufrasino, 2021.