Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Lúcia Ramos Monteiro (UFF/USP)

Minicurrículo

    Lúcia Ramos Monteiro é professora-adjunta do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense e atua junto a dois programas de pós graduação: o PPGCine-UFF e o PPGMPA-USP. Suas pesquisas envolvem os filmes de longa duração, a relação entre cinema e antropoceno, os cinemas amazônicos e as cinematografias minoritárias.

Ficha do Trabalho

Título

    Filmes de barragem: (pré-)figurações do fim e imagens do depois

Resumo

    Esta comunicação analisará “Filme-ensaio na Barragem do Eufrates” (1970), do cineasta sírio Omar Amiralay, e “Still Life” (2006), do cineasta chinês Jia Zhang-ke, refletindo sobre o encontro de cada realizador com barragens em construção – a Barragem de Taqba, no primeiro caso, e a Barragem das Três Gargantas, no segundo. Além de observar motivos visuais e narrativos recorrentes no conjunto dos “filmes de barragem”, buscaremos compreender o retorno dos cineastas ao local e sua obra subsequente.

Resumo expandido

    Desde o final do século 19, a construção de barragens hidráulicas materializa a perversa aliança entre progresso e destruição de que fala Walter Benjamin. Com base em técnicas usadas desde a Antiguidade para interromper o fluxo de cursos d’água, originalmente com o propósito de garantir o abastecimento, evitar enchentes e irrigar áreas agrícolas, no século 19 as barragens começam a ser construídas para alimentar usinas hidrelétricas ou favorecer outras atividades, como a mineração. Ao longo do século 20, essas proezas da engenharia civil adquirem escalas monumentais, quebrando recordes sucessivos de produção de energia, quantidade de cimento, volume de água etc. O cinema rapidamente se interessa pelo assunto e inúmeros cineastas incluem imagens de barragens em construção ou em ruptura – de Aleksandr Dovjenko, Manoel de Oliveira e Jean-Luc Godard a Juliana Rojas. Nesta comunicação, vou me concentrar na maneira como o cineasta sírio Omar Amiralay filma a Barragem de Taqba, desde Filme-ensaio na Barragem do Eufrates (1970), e como o cineasta chinês Jia Zhang-ke filma a Barragem das Três Gargantas, desde Still Life (2006). Observaremos, primeiramente, motivos visuais e narrativos recorrentes na vasta categoria dos “filmes de barragem”, como a falha, a fenda e o retardamento, considerados como (pre-)figurações do fim (MONTEIRO, 2014). Após um primeiro encontro com a barragem em construção, Jia e Amiralay retornam à barragem e às imagens da barragem em filmes subsequentes, como se estivessem interessados naquilo que surge ou sobrevive depois do fim. Procurarei desenvolver essas múltiplas instâncias de comparação.

Bibliografia

    ANDRADE DRUMMOND, Alice. Diante da lama: opacidade da catástrofe em tempos de visibilidade total. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, 2023.
    MELLO, Cecilia. The cinema of Jia Zhangke: Realism and Memory in Chinese Film. Londres, Bloomsbury, 2019.
    MONTEIRO, Lúcia. L’imminence de la catastrophe au cinéma. Films de barrage, films sismiques. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo e Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3, 2014.