Ficha do Proponente
Proponente
- Lúcia Ramos Monteiro (UFF/USP)
Minicurrículo
- Lúcia Ramos Monteiro é professora-adjunta do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense e atua junto a dois programas de pós graduação: o PPGCine-UFF e o PPGMPA-USP. Suas pesquisas envolvem os filmes de longa duração, a relação entre cinema e antropoceno, os cinemas amazônicos e as cinematografias minoritárias.
Ficha do Trabalho
Título
- Filmes de barragem: (pré-)figurações do fim e imagens do depois
Resumo
- Esta comunicação analisará “Filme-ensaio na Barragem do Eufrates” (1970), do cineasta sírio Omar Amiralay, e “Still Life” (2006), do cineasta chinês Jia Zhang-ke, refletindo sobre o encontro de cada realizador com barragens em construção – a Barragem de Taqba, no primeiro caso, e a Barragem das Três Gargantas, no segundo. Além de observar motivos visuais e narrativos recorrentes no conjunto dos “filmes de barragem”, buscaremos compreender o retorno dos cineastas ao local e sua obra subsequente.
Resumo expandido
- Desde o final do século 19, a construção de barragens hidráulicas materializa a perversa aliança entre progresso e destruição de que fala Walter Benjamin. Com base em técnicas usadas desde a Antiguidade para interromper o fluxo de cursos d’água, originalmente com o propósito de garantir o abastecimento, evitar enchentes e irrigar áreas agrícolas, no século 19 as barragens começam a ser construídas para alimentar usinas hidrelétricas ou favorecer outras atividades, como a mineração. Ao longo do século 20, essas proezas da engenharia civil adquirem escalas monumentais, quebrando recordes sucessivos de produção de energia, quantidade de cimento, volume de água etc. O cinema rapidamente se interessa pelo assunto e inúmeros cineastas incluem imagens de barragens em construção ou em ruptura – de Aleksandr Dovjenko, Manoel de Oliveira e Jean-Luc Godard a Juliana Rojas. Nesta comunicação, vou me concentrar na maneira como o cineasta sírio Omar Amiralay filma a Barragem de Taqba, desde Filme-ensaio na Barragem do Eufrates (1970), e como o cineasta chinês Jia Zhang-ke filma a Barragem das Três Gargantas, desde Still Life (2006). Observaremos, primeiramente, motivos visuais e narrativos recorrentes na vasta categoria dos “filmes de barragem”, como a falha, a fenda e o retardamento, considerados como (pre-)figurações do fim (MONTEIRO, 2014). Após um primeiro encontro com a barragem em construção, Jia e Amiralay retornam à barragem e às imagens da barragem em filmes subsequentes, como se estivessem interessados naquilo que surge ou sobrevive depois do fim. Procurarei desenvolver essas múltiplas instâncias de comparação.
Bibliografia
- ANDRADE DRUMMOND, Alice. Diante da lama: opacidade da catástrofe em tempos de visibilidade total. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, 2023.
MELLO, Cecilia. The cinema of Jia Zhangke: Realism and Memory in Chinese Film. Londres, Bloomsbury, 2019.
MONTEIRO, Lúcia. L’imminence de la catastrophe au cinéma. Films de barrage, films sismiques. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo e Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3, 2014.