Ficha do Proponente
Proponente
- Andréia de Lima Silva (IFMA)
Minicurrículo
- Doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (PPGCine/UFF) com período sanduíche na University of Leeds e Universitat Pompeu Fabra. Possui mestrado em História pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Especialista em Jornalismo Cultural na Contemporaneidade, também pela UFMA. É graduada em Jornalismo pela mesma instituição. Atualmente é jornalista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA).
Ficha do Trabalho
Título
- Maranhão e as telas do cinema: o percurso do parque exibidor no século XXI
Resumo
- Com a consolidação do modelo multiplex no mercado cinematográfico brasileiro a partir dos anos 2000, o parque exibidor de salas de cinema de rua reduziu consideravelmente, ocasionando uma nova configuração dos espaços de exibição. No Maranhão, o cenário não foi diferente. Segundo dados do OCA/Ancine, em 01/04/2026 o Maranhão possuía 54 salas de cinema. Em 2014, eram 33. O aumento, embora considerável, não reflete as necessidades de um Estado com dimensões vastas e população diversa.
Resumo expandido
- A partir dos anos 2000 houve uma consolidação do modelo multiplex nos shoppings centers das capitais e grandes cidades brasileiras, o que ocasionou uma concentração do parque exibidor nesses espaços. Como consequência, houve o fechamento de várias salas de cinema de rua. No Maranhão, esse cenário não foi diferente. Na capital do estado, São Luís, algumas salas de cinema encerraram as suas atividades nesse período e, outras tantas, abriram, principalmente, em shoppings centers. A chegada dos multiplexes na capital veio junto com a criação e a expansão desses centros comerciais.
Segundo os dados do OCA/Ancine, em 01/04/2026 o Brasil possuía 3.537 salas de cinema em funcionamento no país. No Maranhão são 54 salas, correspondendo a uma margem ínfima (1, 53%) desse montante. Em 2014, eram 33 salas. O aumento, embora considerável – mais de 60% –, não reflete as necessidades de um Estado com vastas dimensões e população diversa. O Estado ocupa a 8º posição territorial no país e a 12ª em termos populacionais. No entanto, apenas 9 municípios dos 217 que possuem salas comerciais de cinema: Açailândia, Balsas, Caxias, Imperatriz, Itapecuru Mirim, Pedreiras, São José de Ribamar, São Luís e Timon.
Ou seja, nem 5% dos municípios maranhenses tem acesso a esse espaço de socialização e experiência com a arte cinematográfica. Se levarmos em consideração que pelo menos 50% dessas salas estão localizadas na capital São Luís, fica evidente a discrepância de acesso cultural vivenciada no estado no campo cinematográfico. Dos demais municípios com salas de cinema, apenas dois (Itapecuru Mirim e Pedreiras) possuem populações com menos de 100 mil habitantes. Isso pressupõe que a experiência cinematográfica em sala de cinema é mais “autorizada” para cidades populosas.
Atualmente são 14 complexos em funcionamento no Estado do Maranhão. O maior deles é o Cinépolis, com 10 salas de cinema, localizado no São Luís Shopping. Em seguida temos a parceria entre UCI e o Grupo Kinoplex (UCI Ribeiro), com 8 salas, no Shopping da Ilha, ambos os complexos estão na capital São Luís e pertencem a grupos estrangeiros. Em terceiro lugar, temos o complexo nacional Centerplex, com 6 salas, no Pátio Norte Shopping, no município de São José de Ribamar, segunda cidade mais populosa do estado. Em quarto lugar temos o Cinesystem, complexo nacional localizado em Imperatriz (3º maior população do estado) e que possui 5 salas de cinema. Os demais cinemas são grupos nacionais que possuem entre 1 e 4 salas.
Atualmente o Maranhão possui apenas uma sala de cinema com programação voltada para o cinema independente. Trata-se do Cine Lume, do cineasta e empresário Frederico Machado, localizado na capital São Luís. O cinema foi criado em 2013, gerenciado pela Produtora Lume filmes. A empresa também foi responsável por certo período pelo gerenciamento, através de arrendamento, do Cine Praia Grande, sala de cinema independente que faz parte de um centro cultural no centro histórico de São Luís que reúne teatro, biblioteca, espaço para exposição e realização de oficinas: o Centro de Criatividade Odylo Costa, Filho. O complexo surgiu em 1992 e pertence à Secretaria de Cultura do Estado e se encontra fechado para exibição comercial desde 2018.
Mesmo com números inadequados em relação à quantidade de salas de cinema por município, o estado do Maranhão é o quarto do ranking na Região Nordeste, atrás da Bahia (138 salas), Pernambuco (118 salas) e Ceará (109 salas), estados com melhores índices socioeconômicos. Ainda assim, são quase 96% dos municípios do estado sem esse tipo de espaço. O resultado é uma população que não tem experiência cinematográfica a partir das salas de cinema, o que reduz a possibilidade de ter acesso às produções regionais, por exemplo, já que são nessas salas que os filmes regionais ganham projeção, a partir de sua circulação comercial ou em apresentações nos festivais.
Bibliografia
- EARP Fabio Sá; SROULEVICH, Helena. O mercado de cinema no Brasil. Políticas Culturais: reflexões e ações. Disponível em: https://politicasculturais.wordpress.com/wp-content/uploads/2010/03/earp_-o-mercado-de-cinema-no-br-2009.pdf. Acessado em: 03/04/2026.
LUCA, Luiz Gonzaga de. O mercado exibidor brasileiro: do monopólio ao pluripólio. In: MELEIRO, Alessandra. (org.). Cinema e mercado. São Paulo, SP: Escrituras Editora, 2010.
OCA – Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual Painel Complexos e Salas de Exibição. Brasília: Agência Nacional do Cinema, 01/04/2026. Disponível em https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca/paineis-interativos-1/paineis-interativos-subsecao-agentes-economicos-do-audiovisual/painel-complexos-e-salas-de-exibicao. Acessado em: 22/04/2026.
SILVA, Andréia de Lima. Configuração do mercado cinematográfico do Maranhão no século XXI: a entrada do longa ficcional e os novos agentes. Tese (Doutorado em Cinema e Audiovisual) – Universidade Federal Fluminense, 2024.