Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Clara Camera Nascimento (ESPM)

Minicurrículo

    Mestranda em Economia Criativa, Estratégia e Inovação, e bacharel em Cinema e Audiovisual pela ESPM. Atua como Analista de Direitos na Globo, com experiência em Planejamento e Negócios e Gestão Executiva da Produção – Globo Filmes; e Financiamento e Vendas na Conspiração Filmes. Pesquisa políticas públicas e fomento, com foco no público infantil e transformações do consumo em novas mídias. Desenvolve também projetos de formação audiovisual para jovens e crianças.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre a grade e o algoritmo: análise de dados do consumo audiovisual infantil no Brasil 2020 – 2025

Eixo Temático

    ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS

Resumo

    As transformações no consumo audiovisual infantil no Brasil entre 2020 e 2025 evidenciam a transição do modelo linear, centrado no cinema e na televisão, para o digital sob demanda e recomendação algorítmica. A partir da análise de dados secundários sobre audiência, lançamentos e visualizações, observa-se a estagnação do cinema infantil, a perda de centralidade da televisão e a expansão de criadores digitais, indicando uma reconfiguração estrutural do audiovisual infantil no pós-pandemia

Resumo expandido

    As transformações nos padrões de consumo audiovisual infantil no Brasil entre 2020 e 2025 podem ser analisadas a partir da transição do modelo linear tradicional, estruturado pelo cinema e pela televisão, para plataformas digitais organizadas por vídeo sob demanda, vídeos curtos e sistemas de recomendação algorítmica. Parte-se da hipótese de que essa mudança pode ser observada de forma objetiva por meio de dados quantitativos sobre acesso, frequência e volume de consumo, evidenciando uma reconfiguração estrutural do audiovisual infantil brasileiro no contexto pós-pandemia.
    No modelo tradicional, o consumo esteve associado à programação em grade, à curadoria institucional exercida por emissoras e às políticas públicas de regulação de conteúdo, com oferta limitada, tanto na televisão aberta e por assinatura quanto no cinema. Em contraste, o ambiente digital consolida-se, a partir de 2020, como principal espaço de circulação de conteúdos audiovisuais voltados ao público infantil, impulsionado por plataformas como YouTube e TikTok, cujas lógicas de reprodução automática, oferta contínua e personalização algorítmica favorecem práticas de consumo mais recorrentes, individualizadas e potencialmente ilimitadas.
    A análise fundamenta-se nas contribuições teóricas de David Buckingham, no que se refere às transformações dos ambientes midiáticos e das práticas de consumo infantil, e de David Throsby, ao situar o audiovisual como bem cultural inserido em dinâmicas econômicas e institucionais. Metodologicamente, adota-se a análise de dados secundários relativos ao período de 2020 a 2025, considerando indicadores como público do cinema infantil brasileiro, audiência dos canais de televisão infantis, número de lançamentos nacionais voltados ao público infantil, crescimento de canais de YouTube direcionados a esse segmento, percentual de crianças conectadas à internet e volume de visualizações de conteúdos digitais.
    Como estudo de caso, realiza-se uma análise comparativa entre a variação percentual do público do cinema infantil nacional e a trajetória de crescimento do canal do criador digital Luccas Neto nos períodos pré e pós-pandemia, evidenciando diferenças estruturais entre os modelos tradicional e digital em termos de escala, frequência de produção e alcance. O cenário de estagnação ou retração do cinema infantil nacional, a progressiva perda de centralidade da televisão como principal meio de acesso e a expansão significativa de criadores digitais, podem indicar uma reconfiguração estrutural dos modos de produção, circulação e consumo audiovisual infantil no Brasil. Ao evidenciar tais transformações a partir de dados empíricos de mercado, a análise contribui para compreender como as dinâmicas econômicas e tecnológicas recentes impactam a diversidade cultural, a regulação do audiovisual e as políticas voltadas ao público infantil, oferecendo subsídios para o debate acadêmico e para a formulação de estratégias institucionais no campo do cinema e do audiovisual.

Bibliografia

    CGI.br – Comitê Gestor da Internet no Brasil. TIC Kids Online Brasil.
    ANCINE. Informe de acompanhamento do mercado: cinema e audiovisual. (2020 a 2025)
    BUCKINGHAM, David. After the death of childhood: growing up in the age of electronic media. Cambridge: Polity Press, 2000.
    THROSBY, David. The economics of cultural policy. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
    GAUDREAULT, André; MARION, Philippe. O fim do cinema: uma mídia em crise na era digital. Campinas; Papirus, 2016.
    ARREGUY. S.; BORGES, A. R.; SOUZA, L. O auge e o declínio da programação infantil na TV comercial brasileira. Revista Mediação: Belo Horizonte, v.14, n.15, p.79 – 94, jul/dez 2012.
    PADILHA, Yasmim De Lima. A influência da mídia televisiva sobre o desenvolvimento infantil. Anais VII CONEDU – Edição Online. Campina Grande: Realize Editora, 2020. Disponível em:
    Acesso em: 17/04/2026