Ficha do Proponente
Proponente
- Julia Couto (UFRJ)
Minicurrículo
- Mestranda em Mídias Criativas pela UFRJ e bacharel em Cinema e Audiovisual pela UFF, coordenou projetos de pesquisa e de formação de juventudes periféricas em comunicação e produziu curtas-metragens com circulação nacional e internacional. Compõe equipes de diversos festivais de cinema do Rio de Janeiro, com interesse pelas histórias dos territórios, as lutas por direitos e os modos de fazer cinema.
Ficha do Trabalho
Título
- Festival Brasileiro de Cinema Universitário 30 anos de histórIA
Seminário
- Festivais e Mostras de Cinema e Audiovisual
Resumo
- O projeto FBCU: 30 anos de histórIA aplica ferramentas de IA generativa (LLMs e agentes) para digitalizar, organizar e sistematizar o acervo de catálogos do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, criado em 1995. Ao deslocar a IA generativa do papel de “fim do cinema” para ferramenta de preservação, o projeto torna possível uma leitura centrada em dados sobre as 22 edições do festival — incluindo formatos, distribuição geográfica e expansão dos cursos de cinema no Brasil entre 1995 e 2025.
Resumo expandido
- O FBCU – Festival Brasileiro de Cinema Universitário foi o primeiro Festival de Cinema voltado para a produção de estudantes universitários brasileiros e o primeiro espaço de encontro nacional dos estudantes de cinema para trocas e discussões de temas que circundam o audiovisual. Criado em 1995, o FBCU acompanhou ao longo de sua trajetória tanto a expansão dos cursos universitários e profissionalizantes de cinema e audiovisual pelo Brasil como a própria reestruturação do cinema brasileiro pós-retomada, promovendo oportunidades para que os estudantes pudessem experienciar as dinâmicas do circuito de festivais a partir de uma perspectiva que articula formação, distribuição e exibição.
A partir de 2022, quando as medidas sanitárias em relação à COVID-19 voltam a admitir a realização de edições presenciais, o festival enfrenta um duplo desafio: de gestão interna, pela transição completa de sua comissão organizadora para novos integrantes que não experienciaram o período de auge da organização, e de mobilização junto aos estudantes, pela ausência de edições presenciais realizadas desde 2017. A equipe formula, então, uma proposta de mostra retrospectiva intitulada “Crias do FBCU”, desenvolvido pela equipe em conversa com membros da antiga coordenação. A primeira edição da Mostra Crias do FBCU acontece em outubro de 2023, exibindo filmes selecionados em edições anteriores do festival para promover o encontro de diferentes gerações e mobilizando estudantes dispostos a retomar o projeto.
Para desenvolver a programação da mostra retrospectiva, a equipe se debruçou no acervo de catálogos das edições passadas, em busca de filmes interessantes que pudessem promover bons debates entre estudantes de diferentes gerações. Recorrentemente nomes de realizadores e profissionais reconhecidos do circuito brasileiro se destacavam, a exemplo de Eduardo Valente, Flávia Cândida, Marcelo Ikeda, Gabriel Martins, André Novais, entre muitos outros. Após a realização da 1ª Mostra Crias, com ânimos retomados e um grupo de produtores mobilizados, uma nova assembleia da ACFBCU, persona jurídica responsável pelo festival, é convocada e uma nova diretoria assume as atividades para o mandato de 2024 a 2027. Ao final deste processo, os antigos coordenadores entregam um acervo de catálogos da 9ª à 21ª edições do FBCU, além de documentos, materiais gráficos e HDs com o acervo digital do festival.
Com o objetivo de organizar esse acervo e torná-lo disponível para as gestões atual e futuras do FBCU, o projeto FBCU: 30 anos de histórIA aplica ferramentas de inteligência artificial generativa como LLMs e agentes de IA para digitalizar, organizar e sistematizar informações sobre o festival a partir dos catálogos e documentos digitais. Ao fazê-lo, o projeto desloca a ideia das ferramentas de IA generativa como o mais novo “fim do cinema” para convertê-las em ferramentas de preservação e acesso ao acervo do festival.
Ao transpor as informações dos filmes dos exemplares impressos para o meio digital, também é possível vislumbrar características quantitativas e qualitativas que permitem contar a história do FBCU a partir de uma abordagem centrada em dados. Alguns exemplos dessa caracterização geral do festival são o quantitativo total de filmes por edição, a quantidade de apoiadores, o número de salas de cinema e o número de profissionais envolvidos em sua realização. Quanto aos filmes, os principais destaques trazidos pela sistematização se referem ao formato de cada obra, que permite situar a transição digital dos suportes analógicos (35mm, 16mm, VHS, etc) para os digitais, e, em especial, a distribuição geográfica dos filmes participantes, que reflete o aumento da oferta dos cursos de cinema e audiovisual no Brasil nos 30 anos de atividade do evento, entre 1995 e 2025.
Bibliografia
- CRAWFORD, Kate. Atlas of AI: power, politics, and the planetary costs of artificial intelligence. New Haven: Yale University Press, 2021.
EDMONDSON, Ray. Filosofia e princípios da arquivística audiovisual. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Preservação Audiovisual: Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2013.
LOUKISSAS, Yanni Alexander. All data are local: thinking critically in a data-driven society. Cambridge, MA: The MIT Press, 2019.
MANOVICH, Lev. Banco de Dados. Revista Eco-Pós, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 7-26, 2015. DOI: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v18i1.2366.