Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Beatriz de Oliveira Fonseca (UFPA)

Minicurrículo

    Bacharel em Cinema e Audiovisual pela UFPA e mestranda em artes no PPGARTES-UFPA, trabalha com direção de arte, produção audiovisual, projetos de formação, festivais e pesquisa. É integrante do grupo de pesquisa NIDAA/UFPE (Núcleo de Investigação em Direção de Arte Audiovisual).

Ficha do Trabalho

Título

    As marcas de criação poética da Direção de Arte em um panorama do cinema paraense

Seminário

    Estética e Teoria da Direção de Arte Audiovisual

Resumo

    Neste trabalho, recorte da minha dissertação de mestrado, apresento um panorama da direção de arte no cinema paraense que abrange desde o primeiro longa-metragem realizado em Belém, em 1962, até as produções audiovisuais feitas na contemporaneidade. O estudo avança em uma linha do tempo que observa algumas tendências de visualidade escolhidas pela direção de arte e dialoga com autores que investigam o campo, como Bastos, Paiva e Medeiros (2023), além de analisar a presença de autoria nas obras.

Resumo expandido

    A abordagem da direção de arte no cinema nacional é processual, desenvolvida com o passar dos anos e com a maior estruturação das equipes técnicas dos filmes, como Benedito Ferreira (2025) observa em sua pesquisa, com expressões pontuais que foram se afirmando ao longo da história. As primeiras creditações de direção de arte surgem com o nome anglófono art direction atribuído a Jean Laffront e Sebastião de Souza, nos filmes São Paulo SA (1965) e O Caso dos Irmãos Naves (1967), respectivamente, sendo ambos dirigidos por Luiz Sérgio Person. O termo “direção de arte” como crédito surge no filme El Justiceiro (1967) de Nelson Pereira dos Santos, atribuído a Luiz Carlos Ripper.
    O cinema paraense, ao longo da história do cinema nacional, caminhou paralelamente em termos de aperfeiçoamento de técnica e narrativa. Decerto que a produção cinematográfica paraense se estruturou com filmes feitos por realizadores de fora da região, como Líbero Luxardo, cineasta paulista que filmou no território paraense durante as décadas de 50 e 60, focando em narrativas naturalistas que retratavam o contexto social da época. No contexto da direção de arte, temos a presença de Amassi Palmeira como um nome recorrente na elaboração da caracterização nos filmes do diretor, por exemplo. O filme Um Dia Qualquer, lançado em 1962, dirigido por Luxardo, é considerado o primeiro longa-metragem ficcional paraense. Após o seu lançamento, voltamos a ter longas-metragens ficcionais distribuídos nacionalmente apenas em 2018, após uma lacuna de produções de mais de 50 anos que foi pontualmente solucionada através do advento das tecnologias digitais audiovisuais, dos financiamentos públicos (Monteiro; Stoco, 2020, p.10) e do aparelhamento técnico do cinema na região com o surgimento de cursos universitários e formações.
    Diante deste primeiro recorte, busquei selecionar um conjunto de filmes que ilustram quatro momentos de saltos importantes nas produções audiovisuais paraenses: o primeiro longa-metragem ficcional paraense em 1962; a década de 90 e o período da virada do século; a transição da película para o digital entre os anos de 2000-2003; a afirmação do cinema digital de 2009 a 2012; e o novo cinema paraense e seus longas-metragens de 2016 até o presente momento (2025). O método de análise dessas obras é baseado no trabalho de Bastos, Paiva e Medeiros (2023), aqui aplicado expressamente para a criação poética da direção de arte. O objetivo é compreender os resultados visuais do campo ao observar como a materialidade visual se torna visualidade ao atribuir significado aos objetos, cenários, maquiagem e figurinos.
    A análise fílmica partiu da direção de arte para a compreensão da elaboração de caracterização, objetos, cenários, organização de equipes e bases criativas dentro dos desígnios estéticos que cada obra demanda. Assim, a partir do mapeamento realizado, pude ter uma visão mais ampla sobre o processo de criação de visualidades que o cinema paraense viveu durante os últimos anos. A direção de arte acompanhou essas transformações, tanto em aparelhamento técnico e formação, quanto em percepção da potência visual que esses imaginários podem estabelecer.
    Ademais, ao discutir as abordagens de visualidade e estética em diferentes momentos dentro da cinematografia paraense, o papel do diretor de arte dentro desse contexto se torna evidente e evoca marcas de autoria em alguns momentos a partir da análise dessas trajetórias. Por fim, desenvolvo essa discussão a partir da observação do trabalho e do olhar sobre o espaço, caracterização e a mise-en-scène nesses filmes, destacando a presença de funções que materializam visualidades no campo do departamento de arte, como cenografia, figurino e maquiagem bem como a própria figura do diretor de arte, ressaltando o trabalho dos artistas e profissionais que atuaram nesse campo no cinema paraense.

Bibliografia

    BASTOS, Dorothea Souza; PAIVA, Milena Leite; MEDEIROS, Theresa. Apontamentos Iniciais Para Uma Metodologia De Análise Fílmica A Partir Da Direção De Arte. In: SUING, Abel; ANDRADE, Ana Paula Goulart; BASTOS, Dorotea; KNEIPP, Valquíria (org.). Imagens em Movimento. Loja,Equador: Ria Editora, 2023.
    CATALOGAÇÃO DO CINEMA E AUDIOVISUAL DO ESTADO DO PARÁ/2023.Cinemateca Paraense, 2023. Disponível em:.Acesso em 10 de abr. de 2026.
    FERREIRA, Benedito.Agora e Pouco Antes: Direção de Arte e Cinema Brasileiro. Goiânia-GO:Rebellium Coletiva. 2025.
    FERREIRA, Benedito; JACOB,Elizabeth; ROCHA,Iomana; SOUZA,Nivea Faria de; XAVIER, Tainá (org.). Dimensões da direção de arte na experiência audiovisual.Rio de Janeiro-RJ,2023.
    MONTEIRO, Lúcia R.;STOCO, Sávio L. Apresentação.In: Dossiê “Cinemas Amazônicos em Tempos de Luta”. C Legenda – Revista eletrônica do Programa de Pós Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense. Niterói, RJ.n.38/39,p.9-25,2020