Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Altair Reis de Jesus (seduc/se)

Minicurrículo

    Doutor em Ciências Sociais (2015) pelo programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFBA. Tem experiência em estudos sobre mídia, ideologia, cultura, juventude, comunicação de massa, consumo e teoria crítica. Desenvolve pesquisa sobre imagem, ideologia, cultura, representações sociais, barbárie, cinema ficcional e cinema documentário. Atualmente é professor de sociologia pela Rede Estadual do Estado de Sergipe (SEDUC/SE).

Ficha do Trabalho

Título

    A condição humana em O Morro dos Ventos Uivantes: loucura e vingança representadas no cinema.

Resumo

    O cinema como, expressão artística, fascina os mais diferenciados olhares uma vez que entretêm e diverte os espectadores graças ao encanto das imagens em movimento, ao mesmo tempo em que aborda diversos fatos da vida social. Nesse sentido, a obra ficcional O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, Emerald Fennell, 2026) possibilita uma leitura peculiar a respeito da condição humana na época retratada. Portanto, refletir sobre a tragédia humana através da adaptação da obra literária de Emil

Resumo expandido

    O cinema ficcional, e de modo geral a cinematografia e seu avanço na tecnologia digital, bem como no campo artístico, imagético e discursivo, torna-se um meio de comunicação essencial para interpretação dos contextos sociais, culturais, econômicos e políticos representados nas imagens em movimento sob os olhares criativos dos cineastas apaixonados pela linguagem cinematográfica. Dito isto, a presente comunicação tem o intuito de refletir sobre a condição humana e seus desatinos através do filme O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, Emerald Fennell, 2026). Essa representação fílmica está baseada no único romance de Emily Brontë (2019) a qual leva o mesmo nome do livro tendo como tema central a representação do contexto social e cultural da Inglaterra do final do século XVIII e início do século XIX. A película traz como questão central a história de amor, obsessão, inveja e ódio que marca a relação entre a temperamental Catherine Earnshaw, personagem de Margot Robbie, e seu rude irmão adotivo Heathcliff representado por Jacob Elordi. Em um cenário bucólico e cinzento marcado por morros, tempestades e ventos que uivam, o filme retrata os conflitos de classe, a solidão, a angústia, e a brutalidade da condição humana de cada personagem, especialmente a trajetória de vida dos personagens principais da trama, desde a juventude de Catherine e Jacob até a fase adulta e seu desfecho trágico. Por conta disto, a análise imagética do conteúdo cinematográfico permite uma série de conjecturas sobre o papel das ideologias que perpassam o cinema e remetem para questões essenciais que envolvem todo o processo de produção do filme. Dada a possibilidade do que o filme tende a oferecer ao dizer algo sobre o mundo histórico, é imprescindível refletir sobre os mais variados temas oriundos da sociedade moderna sob a lente do cinema, uma vez que a obra cinematográfica reproduz imageticamente desde os conflitos sociais, que ocorrem tanto no campo quanto na cidade, até atos de crueldade, paixão e ódio, como se observa na vida cotidiana e no imaginário social dos indivíduos da época atual. Todavia é necessário apontar que a despeito das imagens que evidenciam uma leitura de uma época marcada pela angústia existencial dos personagens, cabe aqui a observação que os fatos ali relatados passaram por um processo de montagem e adaptação no intuito de transmitir uma leitura da realizadora do filme em conformidade com seu tempo histórico. Essa reflexão aponta para um aspecto bastante relevante sobre o filme que é a fronteira considerada tênue entre realidade vivenciada pelos sujeitos na sociedade e sua recriação que se dá durante o processo de montagem do filme. Mesmo se tratando de imagens recriadas e adaptadas de um clássico da literatura mundial para o cinema a obra convida a refletir sobre os comportamentos cruéis, sádicos e degradantes tão presentes na sociedade atual marcada pela vaidade e pelo hedonismo. Como dito anteriormente o cinema é ao mesmo tempo arte do entretenimento e fonte de pesquisa nas ciências humanas e sociais. Para afirma Bill Nichols (2005) independente de ser documentário ou ficcional o cinema busca a sua maneira, explicar o mundo e dele extrair a fonte de inspiração para as suas mais variadas produções. Logo, atribuir ao cinema um lugar puramente estético, divertido e ilusório (não que isso seja negativo, pois é parte essencial das produções artísticas no universo cinematográfico) é perder de vista a capacidade que a obra fílmica tem para falar sobre o mundo. No caso do filme, O Morro dos Ventos Uivantes, a julgar pelo modo rude da vida social dos personagens ali retratados, destaca-se as cenas intensas de Catherine e Heathcliff, pois carregam consigo o retrato de uma sociedade neurótica, perversa e narcísica que muito transporta para os mesmos dilemas da época atual.

Bibliografia

    ANDREW, J. Dudley. As principais teorias do cinema: uma introdução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
    AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, 2011. (Coleção Ofício de Arte e Forma).
    BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes. Jandira, SP: Ciranda Cultural, 2019. – (Clássicos da Literatura Mundial).
    FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão. Porto Alegre, RS: L&M, 2010.
    ISTVÁN, Mészáros. A crise estrutural do capital. São Paulo: Boitempo, 2011.
    RAMOS, Fernão Pessoa. Mas afinal o que é mesmo documentário? SP: Editora Senac São Paulo, 2008.
    FREUD, Sigmund. O mal-estar da civilização. Porto Alegre, RS: L&M, 2010.
    NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas, SP: Papirus, 2005.
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    ZIZEK, Slavoj. Vivendo no fim dos tempos. São Paulo: Boitempo, 2012.