Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Luciano Dantas Bugarin (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutorando em Educação pela UFRJ. Mestre em Cinema e Audiovisual pela UFF (2022). Especialista em Bullying, Violência, Preconceito e Discriminação na Escola pela UNIFESP (2021). Possui grau de licenciatura em Educação Artística com habilitação em Desenho pela UFRJ (2006) e bacharel em Cinema e Audiovisual pela UNESA (2008). Atualmente é professor de Artes Plásticas da SME-RJ. Também atua como cineasta independente e crítico de cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Experiências audiovisuais em realidade virtual: pedagogias de reinvenção de mundos sem fim

Mesa

    Curadoria e criação audiovisual: cinema para reinventar mundos na escola

Resumo

    Este trabalho propõe a realidade virtual como mediadora de um aprendizado artístico. A partir de um diálogo intermidiático entre pinturas da história da arte e suas recriações por meio da tecnologia imersiva, pretendemos substanciar as possibilidades pedagógicas essenciais ao ensino de arte, com base em um diálogo potente entre novas e antigas visualidades, e a presença do espectador como dispositivo de linguagem e de consciência de um aprendizado catártico.

Resumo expandido

    Este trabalho propõe uma abordagem intermidiática do aprendizado artístico, através da recriação imersiva de imagens artísticas por meio da realidade virtual. Buscamos compreender como esse modo de visualidade interativo pode ativar um olhar que observa, ressignifica e recria o mundo ao redor. Objetivamos despertar modos de percepção e criação do mundo imagético de maneira emancipadora e expressiva a partir de uma perspectiva de um projeto moderno.
    A presença da intermidialidade nas artes plásticas foi relevante, ao propor o estabelecimento de novas conexões entre antigas e novas visualidades e a presença física do espectador atuando como produtor de sentido e presença em si, simultaneamente. A experiência estética passou a manifestar-se mais intensamente nas potenciais lacunas e instantes de apreciação, graças a combinações de diferentes linguagens e situações mais próximas do cotidiano e da contemporaneidade (Higgins; Higgins, 2001).
    Essa combinação de mídias e suportes nas artes também resultou na renúncia gradual ao espaço delimitado do quadro e no rompimento com hierarquias institucionalizadas entre linguagens artísticas visuais (Rancière, 2005). A realidade virtual, de certo modo, renovou e ampliou essas rupturas ao expandir a imagem ao redor do espectador. A contemplação da imagem torna-se mais participativa e enriquecedora.
    Um espectador pode apreciar a recriação de uma pintura em volta de si. A produção de sentido da experiência é gerada a partir de decisões tomadas por este durante o ato da apreciação. Ou seja, o sentido é construído a partir da experiência estética em si (Oiticica, 2006). Se o cinema é como uma janela que dispõe de uma pluralidade de maneiras de pensar o mundo (Bartalini, 2021), a realidade virtual é como uma porta para entrar e vivenciar aquele mundo (Rossi, 2009).
    Se, refletirmos que uma pintura é fruto da materialização de um pensamento imaginativo a partir de uma percepção característica em contexto específico, e que a experiência estética de sua fruição pode ser renovada a partir de sua recriação em diferentes mídias e suportes, percebemos como a realidade virtual reforça a promoção da imagem como presentificação do processo criativo. Ou seja, esse diálogo intermidiático transforma o ato de fruição em um ato de contextualização e compreensão da imagem ao redor.
    A experiência estética imersiva da realidade virtual promove um encontro com a imagem através de uma percepção identitária. Afinal, a sensação da percepção de situar-se como parte da própria imagem torna o corpo do espectador, um dispositivo de linguagem e de consciência da performance (Imilan, 2018). Essa percepção pode atuar como um disparador da criação imaginativa.
    Desse modo, é possível reforçar a noção da produção imagética e da criação artística como elementos intrínsecos ao pensamento essencial e ligados a diferentes expressões e linguagens interdisciplinares. Assim, ponderamos que a intermidialidade entre realidade virtual e pintura pode impulsionar o percurso artístico como um entendimento de um “processo-produto”, dentro de um conceito de alteridade (Barbosa, 2005).
    Com base em atividades pedagógicas com realidade virtual, realizadas pelo pesquisador em sala de aula, podemos notar que o estudante é motivado a experienciar, de modo significativo, a subjetividade de sua percepção em um julgamento reivindicativo das imagens herdadas. Ou seja, a vivência da elaboração de mundos, de maneira imersiva, compõe o processo de ressignificar o mundo de modo mais evidente, mais próximo aos processos vivenciados pelos próprios artistas, originalmente.
    Assim, essas experiências acordam no estudante a oportunidade de praticar e efetivar sua condição como observador e criador de construções de significados e relações entre mundos. Buscamos, assim, possibilitar que os estes apropriem-se de uma formação cultural e criem imagens audiovisuais que reflitam suas identidades, tornando o processo de ensino artístico mais inclusivo e emancipador.

Bibliografia

    BARBOSA, A. M. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 2005.
    BARTALINI, M. M. Para além da sala escura: encontros entre cinema e escola. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2021.
    HIGGINS, D.; HIGGINS, H. Intermedia. Leonardo, Baltimore, v. 34, n. 1, p. 49-54, fev. 2001.
    IMILAN, W. Performance. In: SINGH, D. S. Z.; JIRÓN, P.; GIUCCI, G. (orgs.) Términos clave para los estudios de la movilidad en América Latina. Buenos Aires: Editorial Biblos, 2018.
    OITICICA, H. A transição da cor do quadro para o espaço e o sentido de construtividade. In: FEREIRA, G.; COTRIM, C. (org.). Escritos de artistas: anos 60/70. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
    RANCIÈRE, J. A partilha do sensível. São Paulo: EXO Experimental org, 2005.
    ROSSI, M. H. W. Imagens que falam – leitura de arte na escola. Porto Alegre: Editora Mediação, 2009.