Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Juliana Muylaert Mager (UFRJ)

Minicurrículo

    Juliana Muylaert é historiadora com doutorado pela UFF. Atualmente é professora substituta de Teoria da História na UFRJ. Entre 2021 e 2025, realizou estágio de Pós-Doutorado na UFF com bolsa da FAPERJ. Desenvolve pesquisas sobre audiovisual e história, com ênfase para o estudo dos festivais de cinema no Brasil. É co-autora do livro A capitalidade em disputa (2022), entre outras publicações. É uma das fundadoras do Grupo de Pesquisa de Festivais Audiovisuais: histórias, práticas e políticas.

Ficha do Trabalho

Título

    Mostra Internacional do Filme Etnográfico: trajetória de um festival

Seminário

    Festivais e Mostras de Cinema e Audiovisual

Resumo

    A Mostra Internacional do Filme Etnográfico foi um festival dedicado ao cinema etnográfico e documentário realizado no Rio de Janeiro entre 1993 e 2013. No presente trabalho, discutimos a trajetória deste evento, explorando seu lugar nos circuitos festivaleiros, a partir de pesquisa de arquivo e entrevistas de história oral. A proposta apresenta resultados de pesquisa de pós-doutoramento desenvolvida no âmbito do Laboratório de História Oral e Imagem da UFF, com apoio da FAPERJ.

Resumo expandido

    O presente trabalho visa apresentar resultados de investigação das relações entre o audiovisual e as ciências humanas no Brasil, privilegiando o período entre a década de 1990 e os anos 2010. Partindo da análise da trajetória da Mostra Internacional do Filme Etnográfico (1993-2013), exploramos o papel dos eventos de cinema documentário e etnográfico no Brasil, discutindo os desafios envolvidos nos processos de memória e arquivamento dessas experiências. A proposta combina pesquisa de arquivo, história oral e ferramentas das humanidades digitais, incluindo a elaboração de uma planilha de dados para o estudo de festivais audiovisuais.
    A Mostra do Filme Etnográfico teve 16 edições entre 1993 e 2013, incluindo uma edição especial comemorativa de 20 anos em 2013. O evento sedeado no Rio de Janeiro passou por diferentes instituições e salas de cinema, com destaque para o CCBB/RJ e o Museu Nacional do Folclore. Com abrangência internacional, o festival se tornou uma janela de exibição do documentário e do filme etnográfico, bem como espaço para debates, estabelecendo uma rede de colaborações extensa e itinerâncias. Nos anos 2010, a organização do evento passou por períodos de crise que culminaram com o encerramento do festival depois de 2013.
    A abordagem do festival neste trabalho procura combinar a discussão das características do festival com sua relação com outros agentes e instituições, permitindo articular sua inserção nos subcircuitos festivaleiros e no ecossistema de festivais etnográficos. Nesse sentido, apontamos a conexão da Mostra com o Núcleo de Antropologia e Imagem da UERJ, o Atelier Livre de Cinema e Antropologia, as relações com outros laboratórios e grupos de pesquisa e a colaboração com festivais nacionais e estrangeiros. A pesquisa de arquivo combinou a análise dos catálogos do evento com vestígios em instituições de arquivo do Rio de Janeiro envolvidas na realização do evento: o Centro Cultural Banco do Brasil, a Cinemateca do MAM/RJ e o Museu Nacional do Folclore. A realização de entrevistas de história oral teve como interlocutores privilegiados as pessoas envolvidas na organização do festival, contemplando diferentes funções e gerações envolvidas em sua realização.
    A partir da análise desses diferentes tipos de vestígios, buscamos discutir o formato do festival, considerando sua transformação no tempo. Nesse sentido, destacamos o recorte temático e o perfil curatorial, assinalando o pioneirismo da Mostra nos circuitos dos anos 1990. Sobre a curadoria, vale observar o caráter abrangente da seleção, tanto no número de obras programadas nas edições, como na diversidade da seleção baseada em uma concepção ampliada do cinema etnográfico. Nossa leitura busca contribuir para uma reflexão sobre os diálogos e tensões entre memória e arquivo, discutindo os desafios em lidar com a história dos festivais audiovisuais.

Bibliografia

    Cubero, C. Ethnographic Film Festivals. In: Vannini, P. (Org.). The Routledge International Handbook of Ethnographic Film and Video. New York: Routledge, 2020. p. 313–322.
    Monte-Mór, P. No garimpo do nitrato. A experiência da Mostra Internacional do Filme Etnográfico. In: Feldman-Bianco, B.; Leite, M. M. Desafios da imagem: fotografia, iconografia e vídeo sociais. Campinas: Papirus, 2004, p. 143-158.
    Parente, J. I.; Monte-Mór, P. (Orgs). Cinema e antropologia: horizontes e caminhos da antropologia visual. Rio de Janeiro, Brasil: Interior Produções, 1994.
    Peirano, M. P. Ethnographic and Indigenous Film Festivals in Latin America: Constructing Networks of Film Circulation. In: Vallejo, Aida; Peirano, Maria Paz (Orgs.). Film Festivals and Anthropology. Cambridge Scholars Publishing, 2017. p. 73–88.
    Vallejo, A., & Peirano, M. P. Conceptualising festival ecosystems. Insights from the ethnographic film festival subcircuit. Studies in European Cinema, 19(3), 2022, 231-251.