Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Ricardo Oliveira Rocha (UFBA)

Minicurrículo

    Ricardo Oliveira Rocha é licenciado em Letras Vernáculas e Mestre em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente, é Professor Substituto no Departamento de Inglês da UFBA e estudante de Doutorado em Literatura e Cultura pela mesma Universidade. É pesquisador do Grupo VOLTA: Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Cinema Irlandês Contemporâneo e co-organizador do livro Vozes Traduzidas: Peças Radiofônicas.

Ficha do Trabalho

Título

    UMA INVESTIGAÇÃO DOS PROCESSOS DE CRIAÇÃO NO CINEMA DE IVAN KAVANAGH

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    A presente pesquisa analisa os processos criativos do diretor irlandês Ivan Kavanagh a partir do filme Never Grow Old (2019). Fundamentada na Crítica de Processo (Salles, 2017) e Teoria do Auteur (Sarris, 2009), a investigação questiona como Kavanagh mantém sua forma de produzir cinema de baixo orçamento e busca compreender os impactos estéticos e narrativos das escolhas técnicas e sonoras na construção da autoria fílmica.

Resumo expandido

    Este trabalho tem como objeto o estudo dos processos de criação do cineasta irlandês Ivan Kavanagh, focando especificamente no contexto de produções de baixo orçamento. A problemática central questiona como os processos de gênese de Never Grow Old (2019) evidenciam diferentes abordagens estéticas e narrativas, ao mesmo tempo em que mantêm a particularidade de sua produção fílmica, que caracterizaria Kavanagh como um diretor auteur; ou seja, um diretor que se envolve ativamente em muitas áreas da produção de seu filme que acaba sendo considerado o autor dessa obra da mesma forma que a autoria cabe ao escritor de um livro. A seleção dessa obra justifica-se pelo fato de não se conformar ao gênero de terror (ao contrário do que predomina em sua filmografia) permitindo avaliar a manutenção da assinatura autoral em estudo do cineasta em um faroeste revisionista ao invés de um terror.
    O objetivo geral do trabalho consiste em analisar e comparar o processo de criação musical e visual neste filme, destacando seus impactos estéticos e narrativos. A pesquisa busca investigar o papel do diretor, dos compositores e da equipe técnica como agentes criativos em um meio de caráter intrinsecamente coletivo, examinando também a influência de fatores culturais e tecnológicos na produção fílmica.
    O eixo teórico-metodológico fundamenta-se na Crítica de Processo (Salles, 2017), uma expansão da Crítica Genética destinada ao estudo do manuscrito literário, que compreende a criação artística não apenas como produto acabado, mas como um percurso dotado de dinamicidade e inacabamento (Grésillon, 1993). A Crítica de Processo, portanto, expande seu objeto para abranger todas as atividades humanas que implicam processos de criação e documentos de processo, acompanhando a inserção cada vez maior da tecnologia e das novas mídias na sociedade contemporânea (Willemart et al., 2021). Para sustentar a análise da centralização de processos fílmicos por Kavanagh, adota-se a Teoria do Auteur de Andrew Sarris (2009), que leva em conta a competência técnica, a personalidade aparente e a visão cinematográfica.
    Metodologicamente, a pesquisa opera pela constituição de dossiês genéticos, que se caracterizam, de acordo com Grésillon (1993), pelo conjunto de documentos de gênese que compõem o acervo prévio da obra. A partir destes documentos de processo presentes no arquivo cedido por Ivan Kavanagh para a presente pesquisa, tais como anotações preliminares, roteiro, storyboards, etc. Esses materiais serão organizados sob um trajeto genético delineado em quatro fases, como descritas por Biasi (2009), mas adaptadas para abranger o processo de criação fílmico: pré-redacional, redacional, pré-editorial e editorial. Portanto, pretende-se entender o que são e como funcionam os operadores propostos pelo diretor e roteirista a partir do que foi realizado nas múltiplas etapas do filme. Ao comparar esses rastros genéticos de modo indutivo, a pesquisa visa ler o processo criativo em produções independentes de baixo orçamento, compreendendo como Kavanagh estrutura seu projeto estético-narrativo e assina seus filmes.

Bibliografia

    BIASI, Pierre-Marc de. A genética dos textos. Tradução de Marie-Hélène Paret Passos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.

    GRÉSILLON, Almuth. Éléments de critique génétique. Paris: PUF, p 15. 1993.

    NEVER Grow Old. Direção: Ivan Kavanagh. Produção: Jacqueline Kerrin; Dominic Wright; Nicolas Steil; Alain Goldman e outros. Intérpretes: Emile Hirsch; John Cusack; Déborah François; e outros. Roteiro: Ivan Kavanagh. Irlanda/Luxemburgo: Saban Films, 2019.

    SALLES, Cecília Almeida. Da Crítica Genética à Crítica de Processo: uma linha de pesquisa em expansão. Signum: Estudos da Linguagem, Londrina, v. 20, n. 2, p. 41-52, ago. 2017.

    SARRIS, Andrew. Notes on The Auteur Theory in 1962. In: BRAUDY, Leo; COHEN, Marshall. Film theory and criticism. 7. ed. New York: Oxford University Press, 2009, p. 451-454.