Ficha do Proponente
Proponente
- Tetê Mattos (Maria Teresa Mattos de Moraes) (UFF)
Minicurrículo
- Doutora em Comunicação (UERJ/2018) e professora do Departamento de Arte da UFF desde 1998. Exerce atividades de curadoria, consultoria e júri em mostras e festivais audiovisuais. Dirigiu documentários premiados “Era Araribóia um Astronauta?” (1998), “A Maldita” (2007), “Fantasias de Papel” (2015), e o longa “A Maldita” (2019), exibido no Canal Brasil. Ministra cursos sobre festivais de cinema e curadoria audiovisual. Dirigiu o Araribóia Cine – Festival de Niterói [2002-2013].
Ficha do Trabalho
Título
- O FestRio (1984-1988) e o imaginário da cidade do Rio de Janeiro
Seminário
- Festivais e Mostras de Cinema e Audiovisual
Resumo
- Em 1984, o produtor Ney Sroulevich realiza no Rio de Janeiro o I Festival Internacional de Cinema, Televisão e Vídeo. O FestRio, como era conhecido, desde suas primeiras edições, se impôs como evento competitivo, com grande prestígio e visibilidade midiática. Partindo da premissa de que festivais são experiências de cidade e instâncias discursivas, nesta comunicação iremos investigar as estratégias do festival para inserção da cidade do Rio de Janeiro no circuito internacional de festivais.
Resumo expandido
- Sabemos que uma das marcas da cidade do Rio de Janeiro é a de capital cultural do país. A cidade “receptiva” é conhecida também pela sua vocação para sediar inúmeros eventos culturais, tais como o Carnaval, o Reveillon, entre outros. No campo dos festivais audiovisuais não é diferente. Nos anos 1980 observa-se a tentativa de inserir a cidade no circuito internacional de festivais, com o surgimento do FestRio .
Iniciativa da ABPC (Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos) e com o apoio de associações e entidades ligadas à criação cinematográfica, o I Festival Internacional de Cinema, Televisão e Vídeo é realizado em 1984 com a direção geral do produtor de cinema Ney Sroulevich. Ao longo de suas cinco edições, o FestRio contou com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Prefeitura e de órgãos ligados turismo como a Flumitur e a Riotur.
Com a presença na cidade do Rio de Janeiro de renomados diretores, atrizes e atores estrangeiros (Fanny Ardant, Dennis Hopper, Wim Wenders, Ousmane Sambene, Elia Kazan e Stephen Frears, entre outros) , o FestRio, desde suas primeiras edições, se impôs como evento competitivo, com grande prestígio e visibilidade midiática, tendo como sede o luxuoso Hotel Nacional, nomeado de “Palácio dos Festivais”, localizado no bairro de São Conrado. A programação incluía Mostras Competitivas em película e vídeo, onde os filmes vencedores da competição internacional eram agraciados com os troféus Tucano de Ouro e Tucano de Prata, e inúmeras mostras paralelas possibilitando o contato do público com filmes inéditos provenientes de diversos países (Pires, 2019) e que não eram apresentados regularmente nos circuitos comerciais.
O propósito do festival era também de estimular o desenvolvimento da indústria audiovisual do país (…) e de valorizar a produção latino-americana. Uma das atividades paralelas era a realização do Mercado de filmes com o intuito de estimular o intercâmbio comercial entre os participantes do festival.
Um outro aspecto a ser destacado no FestRio era a participação de representantes de entidades de classe, de jornalistas especializados, representantes de instituições culturais do Brasil e de outros países, em especial da América Latina, que mobilizados participavam de discussões acerca das diretrizes para o audiovisual a serem seguidas.
Também é atribuído ao FestRio a contribuição para a formação de um público cinéfilo.
Partindo da premissa de que festivais são experiências de cidade e ao mesmo tempo instâncias discursivas, contribuindo assim para a construção de imaginários, nesta comunicação iremos analisar o FestRio a partir de um olhar para as suas estratégias narrativas construídas pelo festival que visaram inserir o Rio de Janeiro no circuito internacional de festivais, assim como promover o turismo na região ao incluir o festival no calendário turístico da cidade.
Para Julian Stringer (2001) os festivais internacionais, ao competirem entre si, fazem uso de estratégias de criação de suas próprias imagens relacionadas às cidades onde são realizados. Sendo assim, quais as estratégias discursivas que estão presentes no FestRio que irão contribuir para a construção da “imagem festival”?
Como corpus de pesquisa analisaremos os catálogos do festival, a identidade visual, o artefato troféu, a estrutura de programação das mostras de filmes e atividade paralelas, assim como análise dos espaços de exibição e suas práticas (tapete vermelho, presença de celebridades internacionais, etc.) O FestRio editava um jornal “Folha do Festival” que também será objeto de nossa análise.
Como método de análise, optamos pela criação de categorias para interpretar as representações do Rio de Janeiro no discurso oficial do festival.
A nossa hipótese é de que o FestRio, além de contribuir para a construção de um imaginário da cidade do Rio de Janeiro, irá influenciar as mostras e festivais internacionais que surgirão nas décadas de 1980 e 1990.
Bibliografia
- AMANCIO, Tunico. O Brasil dos gringos: imagens no cinema. Niterói: Intertexto, 2000.
MATTOS, Tetê. O Festival do Rio e as configurações da cidade do Rio de Janeiro. (Doutorado em comunicação). PPGCom UERJ, Rio de Janeiro, 2018.
PINTO, Carlos Eduardo Pinto de. e MAGER, Juliana Muylaert. A capitalidade em disputa: O Festival Cinematográfico do Distrito Federal e outros festivais no Brasil dos anos 1950. São Paulo: Letra e Voz, 2022.
PIRES, Bianca Salles. A formação de públicos cinéfilos: circuitos paralelos, museus e festivais internacionais. (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, UFRJ, 2019.
STRINGER, Julian. “Global cities and the international film festival economy”. In: SHIEL, Mark; FITZMAURICE, Tony (ed.). Cinema and the city: film and urbain societies in a global context. Oxford: Blackwell Publishers, 2001, p.134-144.