Ficha do Proponente
Proponente
- Álvaro Lima Ribeiro Neto (UFBA)
Minicurrículo
- Pesquisador e técnico audiovisual, atuando nas áreas de Montagem e de Som. Atualmente cursa Doutorado pelo Póscom-UFBA e integra o grupo de pesquisa PEPA no Laboratório de análise fílmica. É graduado em Comunicação Social, tem Mestrado em Cultura e Sociedade pelo IHAC-UFBA, na área de linguagem sonora no cinema, se especializou em Desenho de Som pela Escola de Cinema de Barcelona. Acumula experiência como professor substituto da Facom-UFBA e em universidade privada.
Ficha do Trabalho
Título
- A CONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS ATRAVÉS DO SOM EM HONEYLAND (2019) E BRANCO SAI, PRETO FICA (2014)
Resumo
- Esta pesquisa investiga a contribuição do som na construção de personagens em Honeyland e Branco Sai, Preto Fica. Examinando como vozes, ruídos, sons ambientes, efeitos sonoros e música participam ativamente da caracterização de personagens (aspectos físicos, sociais e psicológicos). Alinhando os estudos de som no cinema com as teorias sobre personagens na dramaturgia, analisa como o som enriquece e induz a percepção sobre a narrativa e personagens, a partir da observação de algumas sequências.
Resumo expandido
- Na atual pesquisa, trabalho a contribuição do som na construção de personagens cinematográficos, investigando as dimensões expressivas, dramáticas e semânticas dos elementos sonoros nas obras escolhidas. Tomando o cinema como uma arte narrativa, temporal e sensorial, o som enriquece o filme e induz a percepção sobre o enredo e as personagens. Nesse contexto, proponho analisar como vozes, ruídos, ambientes, efeitos sonoros e música participam ativamente da caracterização de personagens, revelando aspectos físicos, sociais e psicológicos.
Nos filmes Honeyland (2019), de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, e Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós, interessa observar de que maneira o som atua na constituição de atmosferas, na expressão de conflitos e na definição de identidades. No caso de Honeyland, a estética do naturalismo sonoro permite analisar como sons ambientes e ruídos contribuem para a construção das personagens, evidenciando suas relações com o espaço e com o modo de vida retratado. Já em Branco Sai, Preto Fica, a estética hiper-realista do som abre caminho para observar a construção dos personagens por meio de efeitos sonoros e de sonoridades futuristas criadas digitalmente, que participam ativamente da elaboração de seus corpos, experiências e universos diegéticos.
Como base teórica, estabeleço um diálogo entre os estudos do som no cinema e as teorias de construção de personagens. Parto da compreensão de personagem como um conjunto organizado de traços físicos, sociais e psicológicos que se revelam ao longo do filme por meio de suas ações e escolhas. Mais do que uma descrição estática, o personagem se constrói no movimento dramático, sendo constantemente pressionado pelas circunstâncias e pelos conflitos da trama, o que permite ao espectador acessar seu caráter. Ao aproximar essas ideias das teorias do som no cinema, proponho pensar o universo sonoro como um elemento ativo nesse processo de caracterização: vozes, ruídos, ambientes, efeitos e música funcionam como vetores expressivos capazes de revelar dimensões que definem as personagens. Assim, entendo que a caracterização de uma personagem resulta da combinação de traços observáveis e ações, tendo através do som, uma maneira rica e ainda pouco explorada para se analisar personagens de filmes.
Para desenvolver a análise, pretendo trabalhar com a decomposição de sequências específicas, observando tanto a articulação entre som e imagem quanto a contribuição isolada dos elementos sonoros. Para isso, será adotado um procedimento que alterna diferentes modos de escuta e visão: ora considerando som e imagem em conjunto, ora suspendendo temporariamente uma dessas dimensões, a fim de apreender com maior precisão seus efeitos próprios. Esse exercício permite identificar como o som orienta a percepção do espectador, constrói atmosferas e participa ativamente da atribuição de sentido às ações e aos corpos em cena.
Parto da hipótese de que o som não apenas acompanha ou reforça a imagem, mas atua de maneira decisiva na construção dos personagens, podendo revelar traços de personalidade, estados emocionais e inserções sociais que não são necessariamente visíveis. Ao considerar diferentes categorias sonoras — como a entonação das vozes, a materialidade dos ruídos, a espacialidade dos ambientes e a função narrativa das músicas —, busco demonstrar como o universo sonoro contribui para a complexidade dramática e simbólica das obras.
Bibliografia
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