Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Carla Daniela Rabelo Rodrigues (ECA/USP)

Minicurrículo

    Docente dos Departamentos de Artes Cênicas (CAC) e de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da ECA/USP onde leciona as disciplinas: Circulação e Difusão, e Políticas para o Audiovisual. Professora Permanente do Programa de Pós-graduação em História (PPGHIS) da UNILA. Doutora e Mestra em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Coordenadora da REDECULT – Rede Brasileira de Formação em Organização da Cultura. É pesquisadora do grupo CNPq Observatório de Gênero e Diversidade na América Latina e Caribe.

Ficha do Trabalho

Título

    Políticas Universitárias para Circulação e Difusão do Audiovisual: inspirações no FORCULT e AUGM

Seminário

    Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil

Resumo

    O trabalho propõe deslocamento epistemológico sobre o conceito de circulação e difusão do audiovisual e sua incorporação nas políticas culturais de Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES). Inspirado nos debates do FORCULT e da AUGM, o texto reflete sobre a universidade como ecossistema cultural e audiovisual próprio. Articula a cultura à tríade acadêmica, defendendo infraestruturas híbridas e redes de cooperação como estratégias de resistência no cenário audiovisual latino-americano

Resumo expandido

    O trabalho propõe discussão sobre a incorporação da circulação e difusão cultural e do audiovisual nas políticas universitárias de forma transversal e de que maneira as Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES) podem ser integradas aos projetos de profissionais do setor, como distribuidores e exibidores. Esta problematização central inspira-se nos debates sobre governança e gestão cultural promovidos pelo Fórum de Gestão Cultural das Instituições Públicas de Ensino Superior (FORCULT) e nas diretrizes de cooperação regional da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM). A investigação propõe um deslocamento epistemológico e geopolítico necessário para diferenciar a distribuição e a exibição comercial, focadas na logística de janelas e na monetização (ULIN,2019), da circulação e difusão em redes institucionais ampliadas. Enquanto a circulação abrange a itinerância e a sustentabilidade dos circuitos audiovisuais, a difusão concentra-se na mediação, na formação e diversidade de públicos e na garantia do acesso (RODRIGUES,2025). A assimetria na circulação regional latino-americana exige que a rede de universidades públicas assuma o papel de agente ativo na soberania audiovisual, contrapondo-se à concentração de mercado que, no tempo presente, soterra a produção independente e discente.
    Nesse sentido, propõe-se compreender a universidade pública como equipamento cultural e, a partir disso, como um ecossistema audiovisual completo: um espaço que articula simultaneamente formação, pesquisa, produção, circulação, preservação e gestão política. A defesa da criação de um circuito universitário de exibição parte da premissa de que o ambiente acadêmico é um espaço robusto para exibições e debates, onde as mostras e o cine-debate atuam como dispositivos de reflexão crítica e fomento ao cineclubismo. A robustez dessa infraestrutura, capilarizada e descentralizada em diversos municípios caracteriza a universidade como um equipamento cultural estratégico. Essa materialidade é corroborada pelo Mapeamento Nacional de Rede de Salas Públicas de Cinema (SAV/MinC), que identifica as IPES também como pontos nodais essenciais para a descentralização da exibição no Brasil. Diferente do circuito exibidor comercial, o ecossistema universitário opera na lógica da exibição não comercial e independente, transformando salas, auditórios e plataformas digitais em infraestruturas públicas que protegem a diversidade estética contra a colonização digital e a homogeneização do gosto imposta pela tirania dos algoritmos e pela economia da atenção.
    Para que essas redes de cooperação audiovisual alcancem sustentabilidade, é imperativo institucionalizar a gestão cultural especializada (MARISCAL,2015) e a mensuração de públicos como os das mostras e salas universitárias. Os debates propostos pelo 4º Fórum de Tiradentes (IVANOV; HALLAK,2026) ressaltam que a ausência de dados sistemáticos sobre a exibição não comercial fragiliza a defesa de investimentos públicos no setor. Assim, a elaboração de Planos de Cultura e a estruturação de instâncias de governança específica, como Pró-Reitorias de Cultura ou Secretarias dedicadas, surgem como mecanismos para elevar a cultura, e consequentemente o audiovisual, à condição de quarta dimensão universitária, atuando transversalmente ao ensino, à pesquisa e à extensão (RUBIM,2019).
    A circulação audiovisual nas IPES reafirma a função pública da imagem e a soberania imaginativa (29ª Mostra de Cinema de Tiradentes,2026). Ao consolidar um circuito institucional independente, a universidade pública consagra a produção independente e discente, garantindo a sobrevivência das imagens que o mercado tende a apagar, minimizar ou sobrevalorizar. A difusão universitária manifesta-se, portanto, como uma práxis engajada, oferecendo imagens e sons que transgridem o olhar e a escuta colonizados, assegurando que a educação, a cultura e o audiovisual caminhem juntos na construção de uma esfera pública democrática, democrática e emancipada

Bibliografia

    GETINO,O. Cine y televisión en América Latina: producción y mercados.
    HABERMAS, J. Uma nova mudança estrutural da esfera pública e a política deliberativa.
    HAMBURGER, Esther. Cinusp: Cultura cinematográfica e audiovisual: formação de público.USP/PRCEU,2012
    LANGIE, C. Cinema brasileiro e distribuição educativa: uma cartografia das salas de cinema em universidades públicas.
    MARISCAL OROZCO, J. L. La triple construcción de la gestión cultural en Latinoamérica.
    MENCARELLI, F. A.; RIBEIRO, M. M. Culturas, Políticas e Universidade. Anais do XII Seminário Internacinal de Políticas Culturais,2024
    RODRIGUES, C.D.R. Políticas de circulação e difusão audiovisual: assimetrias e estratégias do cinema brasileiro no espaço latino-americano.Rebeca,2025
    RUBIM, A. A. C. Universidade, cultura e políticas culturais.
    SAMPAIO, Helena. Evolução do ensino superior brasileiro. SP:NUPES,Documento de Trabalho,1991
    ULIN, J. C. The business of media distribution: Monetizing film, TV, and video content in an onli