Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Ryan Brandão Barbosa Reinh de Assis (UFJF)

Minicurrículo

    Doutor em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em Ciência da Comunicação pela Universiteit Gent (UGent) (2024). Mestre em Artes, Cultura e Linguagens (2016) e Bacharel em Comunicação Social (2013) pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Com Alessandra Brum, organizou “Histórias de cinemas de rua de Minas Gerais” (Ed. UFJF, 2021). Com Lívia Cabrera e Sancler Ebert, desenvolveu o banco de dados “histórias de cinemas” (https://www.historiasdecinemas.com.br/).

Ficha do Trabalho

Título

    Banco de dados dos filmes exibidos nos cinemas da Companhia Central de Diversões em Juiz de Fora

Mesa

    histórias de cinemas: Base de dados nacionais e internacionais sobre exibição cinematográfica

Resumo

    Esta comunicação pretende apresentar o banco de dados dos filmes que foram projetados nas salas de cinema gerenciadas pela Companhia Central de Diversões em Juiz de Fora. Desenvolvida no âmbito do projeto Minas é Cinema a partir do cruzamento de diversas fontes primárias, como os periódicos que circularam no município e os borderôs produzidos pela empresa, a iniciativa busca consolidar-se como uma ferramenta essencial para futuros estudos sobre a história da exibição cinematográfica na cidade.

Resumo expandido

    Em atividade desde 2013, o Minas é Cinema é um projeto desenvolvido pelo GP CPCine: História, Estética e Narrativas em Cinema e Audiovisual (UFJF/CNPq) que tem como objetivo mapear e, posteriormente, disponibilizar informações sobre cinema do estado de Minas Gerais, no que concerne à produção, distribuição, exibição, críticas e publicações. Uma das suas iniciativas mais recentes envolveu a criação de um banco de dados dos filmes que foram projetados nos cinemas administrados pela Companhia Central de Diversões em Juiz de Fora. Fundada em 1927, a Companhia Central de Diversões – primeiro denominada de Empresa Cine-Theatral e, após, de Cinemas e Theatros Minas Gerais – era subsidiária da Companhia Cinematográfica Franco Brasileira. Em Juiz de Fora, ela gerenciou diversas salas, que se situavam tanto no centro – p.ex. o Central, o Excelsior, o Festival, o Glória, o Palace, o Popular e o São Luiz – quanto nos bairros – p.ex. o Auditorium (Benfica), o Rex (Mariano Procópio) e o São Mateus (São Mateus). Com o propósito de recuperar parte da história cinematográfica local, o Minas é Cinema reuniu, numa plataforma digital de acesso público, informações sobre os filmes exibidos nesses espaços que estavam dispersas em múltiplas fontes primárias, como os periódicos que circularam no município e os borderôs produzidos pela Companhia Central de Diversões durante o seu funcionamento. Tais documentos foram encontrados pelos integrantes do projeto em arquivos e bibliotecas da cidade. Por exemplo, no Arquivo Histórico de Juiz de Fora (Diário Mercantil), na Biblioteca do Memorial da República Presidente Itamar Franco (Gazeta Comercial), na Biblioteca Central da UFJF (Tribuna de Minas) e no Arquivo Central da UFJF (borderôs). Por sua vez, a presente iniciativa se posiciona como um empreendimento de importância estratégica, pois representa uma contribuição que transcende o escopo local e adquire dimensão paradigmática para o campo das histórias de cinemas (VIEIRA, 2021) em nosso país. Inspirado por projetos internacionais de grande envergadura – p.ex. o Cinema Context (DIBBETS, 2010; NOORDEGRAAF et al, 2018) e o Cinema Belgica (BILTEREYST et al, 2023) –, a finalidade foi desenvolver um repositório de complexidade inédita no Brasil. Enquanto outros esforços nacionais direcionam a sua atenção, quase que exclusivamente, para o campo da produção, no levantamento de filmografias, nenhum havia se dedicado, até o momento, a construir um banco de dados que compreendesse a programação de um circuito exibidor, em sua totalidade espacial e temporal, como o Minas é Cinema pretendeu. Nesse sentido, o seu valor reside não apenas no preenchimento de uma lacuna da história cinematográfica juiz-forana, mas também na possibilidade de introduzir um modelo metodologicamente replicável para as Humanidades Digitais no país. A demonstração da viabilidade de uma proposta dessa magnitude, que envolveu múltiplas etapas, pode servir como exemplo para interesses similares em outras cidades / regiões brasileiras. Além disso, a existência de um banco de dados dessa natureza fortalece, significativamente, o potencial heurístico da pesquisa histórica, oportunizando não somente a consulta tradicional de informações, mas também análises quantitativas e qualitativas sobre, por exemplo, categoria das salas, lógicas de programação, preferências das audiências, táticas de lançamento e transformações, ao longo do tempo, das práticas de exibição. Assim, trata-se de um investimento na infraestrutura intelectual do campo, que beneficiará tanto os estudiosos da História do Cinema quanto os de outras áreas, como Cultura Popular, Economia, História Urbana e Sociologia.

Bibliografia

    BILTEREYST, Daniel; MALTBY, Richard; MEERS, Philippe (Eds.). Explorations in New Cinema History: approaches and case studies. Oxford: Blackwell Publishing, 2011.

    BILTEREYST, Daniel et al. Critical reflections on Cinema Belgica: the database for New Cinema History in Belgium. Journal of Open Humanities Data, 9, Article 1, 2023.

    DANG, Sarah-Mai; VAN DER HEIJDEN, Tim; OLESEN, Chistian (Eds.). Doing Digital Film History: concepts, tools, practices. Berlin / Boston: De Gruyter Oldenbourg, 2024.

    DIBBETS, Karel. Cinema Context and the genes of film history. New Review of Film and Television Studies, 8(3), 2010.

    NOORDEGRAAF, Julia et al. Writing Cinema Histories with Digital Databases: the case of Cinema Context. TMG Journal for Media History, 21(2), 2018.

    VIEIRA, João Luiz. Prefácio. In: BRUM, Alessandra; BRANDÃO, Ryan (Orgs.). Histórias de cinemas de rua de Minas Gerais. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2021.