Ficha do Proponente
Proponente
- Amanda Azevedo Sousa (UFBA)
Minicurrículo
- Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Cursa Especialização em Gestão e Produção Cultural na Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. É membro do grupo de pesquisa A-Tevê Laboratório de Análise de Teleficção. Pesquisadora que investiga acessibilidade no audiovisual. E-mail: amandaazevedo@ufba.br.
Ficha do Trabalho
Título
- Produção Audiovisual Acessível: apontamentos do estilo entre a técnica e a composição estética
Resumo
- A acessibilidade é um aspecto multifacetado tanto na produção quanto na fruição das pessoas com deficiências sensoriais, com abordagens que podem restringir a capacidade inventiva, expandir como parte dos processos criativos e enriquecer a experiência audiovisual. Esse artigo se apoia na perspectiva de investigação do estilo para discutir aplicações da acessibilidade na pré e pós produção, em versões padronizadas e alternativas, em diferentes contextos, sistemas de decisão e modos de produção.
Resumo expandido
- A Produção Audiovisual Acessível é parte dos Estudos da Tradução, especificamente da Tradução Audiovisual e dos Estudos de Cinema e Audiovisual, mas apesar de convergentes suas abordagens teóricas e práticas integradas ainda são pouco discutidas e investigadas. A Tradução Audiovisual se concentra em parâmetros linguísticos, tradutórios, em técnicas de edição e transmissão de legendas, dublagens, locuções e voice-over, enquanto que os Estudos de Cinema e Audiovisual consideram a fotografia, movimentação de câmera, som, edição e montagem, em que ambos têm preocupações na manipulação das técnicas e de seus impactos na recepção (Bogucki & Deckert 2020). Os recursos de tradução possibilitaram a ampliação dos públicos levando ao surgimento de novas modalidades como a Tradução Audiovisual Acessível que atende não somente as variações linguísticas, mas também as barreiras sensoriais, em especial das pessoas com deficiências auditivas e visuais. A audiodescrição, as legendas descritivas e a tradução em língua de sinais se tornaram componentes que garantem a acessibilidade comunicacional, reconhecido como um direito humano (Ferreira, Agnetta & Künzli, 2026). Esses recursos interagem com os aspectos visuais e sonoros causando interferências no conteúdo, exigindo atenção ao tempo de leitura das legendas, a sincronização das falas e aos espaços de sobreposições que se fundem com a estética e com a composição da obra em si. No entanto, as práticas convencionais relegaram a acessibilidade à distribuição, em uma abordagem reativa ou particularista que considera apenas as adaptações para grupos específicos ou complementos após a realização. Essa abordagem está subordinada às exigências que a obra impõe, onde as decisões são tomadas pelos tradutores ou distribuidores sem envolvimento com roteiristas e diretores, distanciando-se das intenções artísticas e comprometendo sua qualidade. Todavia a acessibilidade é um conceito amplo, multifacetado, abrangendo o conteúdo e os usos das tecnologias, portanto não significa apenas fornecer o acesso aos artefatos, mas que o indivíduo possa usufruir por meio de suportes que atendam às suas necessidades. Esse viés proativo ou universalista implica na participação dos usuários na formulação dos recursos, tornando uma obra acessível a todas as pessoas, por aquelas que não conseguem ou não podem acessá-las em sua forma original, possibilitando o surgimento de versões de um mesmo artefato (Greco, 2018). Esses preceitos fazem parte da relação do indivíduo com as mídias, discutidos pela área da Acessibilidade Midiática que se dedica ao estudo de soluções acessíveis, onde as tecnologias atendem às múltiplas necessidades de acesso, por isso deve ser compreendido não somente como uma etapa da produção, mas como elemento constitutivo da criação (Romero-Fresco 2018). Entretanto, a acessibilidade possui diferentes abordagens, como as versões padronizadas que geralmente são realizadas na pós-produção mas restringem a capacidade inventiva, ou por práticas colaborativas entre cineastas e tradutores em versões alternativas, servindo como uma extensão dos processos criativos (Romero-Fresco, 2022). Esse método complexifica os fluxos de trabalho, demandando entendimentos e planejamentos através de redes de responsabilidades compartilhadas (Burnett 2013). Ao investigarmos esses variados aspectos inevitavelmente recorremos a análise do estilo (Bordwell, 2008) que nos permite observar os roteiristas e diretores enquanto agentes sociais e assim compreender as suas percepções sobre os problemas, como se apropriam das técnicas, como elaboraram as soluções e em quais cenários (Baxandall, 2006), considerando os modos de produção, sistemas de decisões e abordagens de acesso. Esse artigo tem como objetivo investigar as obras audiovisuais através dos procedimentos de exame do estilo, para então discutir as inserções da acessibilidade, apresentando aplicações dos recursos e caminhos analíticos para ampliarmos a compreensão deste fenômeno.
Bibliografia
- BOGUCKI, Ł. DECKERT, M. The Palgrave Handbook of Audiovisual Translation and Media Accessibility. Palgrave Macmillan, 2020.
BAXANDALL, M. Padrões de intenção: a explicação histórica dos quadros. SP: Cia das Letras, 2006.
BORDWELL, D. Figuras traçadas na luz: a encenação no cinema. SP: Papirus, 2008.
BURNETT, C. (2013). Hidden Hands at Work. In A Companion to Media Authorship (eds J. Gray and D. Johnson). https://doi.org/10.1002/9781118505526.ch6
FERREIRA, A. F. AGNETTA, M. KÜNZLI, A. Perspectivas da Tradução Audiovisual: Um panorama acadêmico. Rebeca, v. 15 n. 1, 2026.
GRECO, G M. The nature of Accessibility Studies. Journal of Audiovisual Translation, 1(1) 205-232, 2018.
ROMERO-FRESCO, P. In support of a wide notion of media accessibility: Access to content and access to creation. Journal of Audiovisual Translation, 1(1), 187-204, 2018.
ROMERO-FRESCO, P. Moving from Accessible Filmmaking toward Creative Media Accessibility. Leonardo 2022; 55 (3): 304-309.