Ficha do Proponente
Proponente
- Iomana Rocha de Araújo Silva (UFPE)
Minicurrículo
- Professora do Núcleo de Design e Comunicação da UFPE/ CAA, doutora e mestre em comunicação pela UFPE. Professora do PósCom -UFPE/CAA. Membro do Núcleo de investigação em direção de arte audiovisual – NIDAA (CNPq). Desenvolve pesquisas ligadas à direção de arte, cultura material e estética audiovisual. Desenvolve trabalhos práticos na área de direção e produção de arte para cinema desde 2007.
Ficha do Trabalho
Título
- Invenções distópicas: A direção de arte de ‘O último azul’ e “Mato seco em chamas”
Seminário
- Estética e Teoria da Direção de Arte Audiovisual
Resumo
- A partir da análise da direção de arte de “O Último Azul” e “Mato Seco em Chamas”, evoco os conceitos de curadoria do real, estética da gambiarra e criação de mundos para pensar sobre a construção dessas visualidades. Sugiro que a direção de arte promove uma inventiva construção de mundos explorando artesanias ou invenções funcionais sem se dissociar dos vestígios naturalistas, responsáveis por contextualizar esses universo e mostrar importantes camadas políticas das imagens.
Resumo expandido
- Neste trabalho me proponho a observar esteticamente alguns filmes brasileiros que exploram, em suas propostas de arte, certa visualidade criativa que colabora na construção de narrativas distópicas. O filme ‘O Último Azul’, dirigido por Gabriel Mascaro e com direção de arte de Dayse Barreto, configura-se como uma distopia ambientada na Amazônia onde a população esta sendo submetida a políticas estatais de controle biopolítico e a velhice é tratada como excedente improdutivo, sendo removida compulsoriamente para colônias segregadas. Nesse contexto, a protagonista Tereza, de 77 anos, recusa o destino imposto e inicia uma travessia fluvial que se inscreve como gesto de resistência frente a um regime que administra corpos e temporalidades segundo lógicas produtivistas. O filme traz uma visualidade futurista inventiva propondo tecnologias e aparatos que dialogam com uma poderosa estética naturalista. Já em ‘’Mato Seco em Chamas’’, dirigido por Adirley Queirós e Joana Pimenta, com direção de arte de Denise Vieira, se constrói uma narrativa híbrida entre ficção e documentário ambientada em um contexto distópico na periferia do Distrito Federal, onde as estruturas estatais aparecem marcadas por violência e abandono. A narrativa acompanha um grupo de mulheres que organiza um esquema clandestino de extração e refino de petróleo, liderado por Chitara, recém-saída da prisão. Nesse contexto , a distopia é explorada esteticamente pela direção de arte por meio de elementos visuais que reconfiguram o naturalismo e seus signos, mesclando registros performativos e fabulares, articulando uma reflexão sobre território e resistência. Observando esses dois filmes, sob a perspectiva da direção de arte, evoco os conceitos de curadoria do real, estética da gambiarra e criação de mundos para pensar sobre a construção dessas interessantes visualidades distópicas no cinema brasileiro contemporâneo. Sugiro que, a partir da mescla entre um cuidadoso naturalismo e a criatividade do artifício, a direção de arte promove uma inventiva construção de mundos, explorando recursos imagéticos provenientes de artesanias ou invenções funcionais, sem se dissociar dos vestígios naturalistas responsáveis por contextualizar esses universo geograficamente, espacialmente, economicamente, apontando importantes camadas políticas das imagens.
Bibliografia
- Barnwell, J. (2004). Production design: Architects of the screen. Wallflower Press.
ROCHA, Iomana. Artesanalidade, Gambiarra e Artifício na direção de arte do cinema brasileiro contemporâneo. In: JACOB, Elizabeth; FERREIRA, Benedito; XAVIER,Tainá; Rocha, Iomana; FARIAS, Nivea. (Org.). DIMENSÕES DA DIREÇÃO DE ARTE NA EXPERIÊNCIA AUDIOVISUAL. 1ed.Rio de Janeiro: NAU, 2023, v. 1, p. 175-195.
Santos, M. (2006). A natureza do espaço: Técnica e tempo, razão e emoção (4ª ed.). Editora da Universidade de São Paulo.
TOLKIEN, J. R. R. Tolkien on fairy-stories. Edited by Verlyn Flieger and Douglas A. Anderson. London: HarperCollins, 2008.
WOLF, Mark J. P. Building imaginary worlds: the theory and history of subcreation. New York: Routledge, 2012.