Ficha do Proponente
Proponente
- Gabriel Arja (ESPM)
Minicurrículo
- Gabriel Arja é graduado em Comunicação e Publicidade pela ESPM (2025) e mestrando em Economia Criativa, Estratégia e Inovação pela mesma instituição. Atua como Produtor e Estrategista Criativo em projetos ligados ao Edutainment, incluindo o Rock in Rio Academy e o The Town Learning Journey. Pesquisa a relação dos sentimentos e a comunicação dentro do audiovisual contemporâneo.
Ficha do Trabalho
Título
- Nostalgia e Melancolia no Cinema Contemporâneo: o Coming of Age em Submarine
Eixo Temático
- ET 3 – FABULAÇÕES, REALISMOS E EXPERIMENTAÇÕES ESTÉTICAS E NARRATIVAS NO CINEMA MUNDIAL
Resumo
- Neste trabalho, proponho uma leitura do filme Submarine (2010) a partir da articulação entre nostalgia e melancolia, observando como esses afetos estruturam sua narrativa de formação. A análise investiga como tais dimensões se inscrevem na experiência do protagonista, mobilizando memória, imaginação e perda na construção do coming of age contemporâneo.
Resumo expandido
- O filme Submarine (2010), dirigido por Richard Ayoade, configura-se como uma adaptação do romance homônimo de Joe Dunthorne, articulando, no campo do cinema contemporâneo, uma narrativa de formação que tensiona algumas das linearidades do gênero coming of age ao mobilizar, de forma expressiva, afetos associados à nostalgia e à melancolia. Nesse sentido, o presente trabalho propõe analisar como tais afetos operam como construções simbólicas no interior da obra, estruturando não apenas sua dimensão estética, mas também suas formas de significação e comunicação.
Parto, então, do entendimento de que a nostalgia não se reduz a uma idealização ingênua do passado, mas se configura como uma experiência historicamente situada, ligada às transformações na forma como percebemos o tempo. Trata-se de um fenômeno ambivalente, que oscila entre a reconstrução idealizada e a reflexão crítica, abrindo espaço para diferentes leituras das relações entre passado e presente (BOYM, 2002). É nesse movimento que a aproximo da melancolia, entendida como uma forma de relação com a perda que não se resolve completamente. O desejo se volta ao que não pode ser plenamente possuído, instaurando uma experiência marcada ao mesmo tempo pela ausência e pela produção de sentido (AGAMBEN, 2007).
Essa articulação aparece na própria narrativa do filme, que acompanha Oliver Tate, um adolescente que tenta organizar sua vida afetiva enquanto atravessa a instabilidade do casamento dos pais. Entre a idealização de um primeiro relacionamento e a elaboração de conflitos familiares, ele recorre à imaginação como forma de dar contorno ao que lhe escapa. Sua percepção se constrói nesses deslocamentos entre realidade, memória e antecipação, compondo uma experiência fragmentada, atravessada por projeções e lacunas.
A hipótese central deste trabalho é que o filme articula processos de formação subjetiva sob o efeito da perda, da inadequação, dos sentimentos aflorados e da imaginação, evocando e reorganizando formas de representação da juventude. O coming of age seria, assim, compreendido como uma construção cultural e midiática, ou uma forma efetiva de comunicação com outra era, atravessada por códigos e expectativas específicas (MARGHITU, 2021; R. Tolchin, 2006).
Para dar conta dessa construção simbólica, mobilizo a semiótica como chave de análise, compreendendo os elementos visuais e sonoros do filme como signos em operação. Enquadramentos, ritmo e trilha sonora organizam um campo perceptivo no qual o sentido emerge das relações entre imagem, som e espectador (PEIRCE, 2020), fazendo com que esses afetos se inscrevam nas próprias formas da obra.
Por fim, proponho que Submarine elabora uma estética da nostalgia e da melancolia que amplia as possibilidades de leitura do coming of age contemporâneo. Ao inscrever a formação do sujeito em um campo atravessado por lacunas e temporalidades instáveis, o filme constrói uma experiência em que memória e imaginação se atravessam. Nesse movimento, a subjetividade se organiza como uma montagem de fragmentos e afetos, marcada por continuidades e interrupções, sugerindo uma experiência de formação que se desenvolve menos como resolução e mais como permanência no sensível.
Bibliografia
- BOYM, Svetlana. The Future of Nostalgia. New York: Basic Books, 2002.
AGAMBEN, Giorgio. Stanzas: Word and Phantasm in Western Culture. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2007.
MARGHITU, Stefania. Teen TV: Genre, Consumption, and Identity. New York: Routledge, 2021.
R. Tolchin, Karen. Part Blood, Part Ketchup. Detroit: Wayne State University Press, 2006.
PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 2020.