Ficha do Proponente
Proponente
- Cyntia Araújo Nogueira (UFRB)
Minicurrículo
- Cyntia Nogueira é professora no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), organizadora do livro “Walter da Silveira e o cinema moderno no Brasil” (Edufba, 2020) e idealizadora do projeto Acervo Digital Walter da Silveira.
Coautor
- Euclides Santos Mendes (UESB)
Ficha do Trabalho
Título
- Acervo Digital Walter da Silveira: a preservação da memória de um pensador do cinema brasileiro
Resumo
- O crítico de cinema, cineclubista, ensaísta, escritor, advogado e político baiano Walter Raulino da Silveira (1915-1970) reuniu, no decorrer de sua vida, um volumoso acervo documental, que demonstra como a sua contribuição crítica, histórica e militante construiu as bases de interação do cinema feito na Bahia com o Brasil e o mundo. Parte significativa da sua documentação sobre cinema está disponível no site www.walterdasilveira.com.br , resultado do projeto Acervo Digital Walter da Silveira.
Resumo expandido
- O pensamento e a ação plural de Walter da Silveira possibilitaram a formação de uma sólida cultura cinematográfica na Bahia. O crítico de cinema, cineclubista, ensaísta, escritor, advogado e político baiano foi o principal artífice na constituição de uma rede de sociabilidade e de uma ambiência cultural fundamentais para o surgimento de um movimento de crítica e realização de filmes no final da década de 1950 e início dos anos 1960.
A fundação do Clube de Cinema da Bahia, em 1950, por Walter da Silveira e Carlos Coqueijo da Costa, permitiu que jovens gerações conhecessem diversas obras-primas da história do cinema mundial. Isso gerou em Salvador uma ambiência cultural de desprovincianização, que estimulou a produção de uma cinematografia expressiva composta por filmes como A grande feira (1961), dirigido por Roberto Pires, e Barravento (1962), dirigido por Glauber Rocha, entre outras obras.
Mesmo após a sua morte prematura, aos 55 anos de idade, em 5 de novembro de 1970, Walter da Silveira não deixou de estimular a cultura cinematográfica baiana e brasileira. Pesquisas têm demonstrado a vitalidade do seu legado cultural, permitindo novos enquadramentos sobre a sua presença articuladora na história do cinema brasileiro. A publicação integral dos seus textos críticos (nos quatro volumes de “O eterno e o efêmero”, organização e notas de José Umberto Dias, 2006) e a organização gradativa de seu acervo, inicialmente pela família Silveira e, depois, pelo Museu de Imprensa da ABI (Associação Bahiana de Imprensa), permitem a crescente renovação dos estudos sobre o crítico baiano.
O acervo completo de Walter da Silveira é composto por mais de 5.000 itens documentais, organizados a partir do inventário feito a pedido de sua família em 2013. Em 2015, a documentação que estava no escritório de Walter, no antigo apartamento da família Silveira, no bairro soteropolitano da Graça, foi transferido para o Museu de Imprensa da ABI, em Salvador. Ao receber o acervo, a ABI assumiu a responsabilidade de conservá-lo, restaurá-lo e compartilhá-lo.
Em 2020, surge o projeto Acervo Digital Walter da Silveira, que propõe higienizar, restaurar, classificar, catalogar, digitalizar e disponibilizar on-line milhares de itens documentais que constituem o acervo pessoal de Walter da Silveira, sob a salvaguarda do Museu de Imprensa da ABI. A documentação, após ser higienizada e restaurada, é tratada segundo as ferramentas de organização arquivística – quadro de arranjo, catalogação, classificação – e, em seguida, recebe tratamento digital, seguindo parâmetros de preservação, para tornar-se acessível no site do Acervo Digital Walter da Silveira: www.walterdasilveira.com.br. O site utiliza o software livre Tainacan, desenvolvido pelo Laboratório de Inteligência de Redes da Universidade de Brasília, com apoio da Universidade Federal de Goiás, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e do Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM.
O tratamento museológico e arquivístico desse acervo, dada a sua extensão e complexidade, ocorre em etapas. Inicialmente, o foco é a documentação sobre Arte Cinematográfica: na primeira etapa do projeto, em 2021, foram digitalizados e disponibilizados 317 itens documentais (cartas e fotografias do cinema brasileiro); nesta segunda etapa, em 2026, são digitalizados e disponibilizados 864 itens documentais do Clube de Cinema da Bahia, acervo precioso que relaciona a trajetória de Walter da Silveira a uma rede de sociabilidade e eventos, bem como de relações institucionais, diretamente vinculada ao campo cinematográfico brasileiro, além de 341 fotografias e cartões-postais do cinema internacional.
Bibliografia
- GARCÍA, Alfonso del Amo. Clasificar para preservar. Cineteca Nacional de México, Filmoteca Española, 2006. Disponível em: www.cultura.gob.es/dam/jcr:ef55738a-8a67-4e3a-895d-75b47aee626c/clasificarparapreservar.pdf
GUSMÃO, Milene Silveira; BEZERRA, Laura; MELO, Izabel de Fátima Cruz; MENDES, Euclides Santos; SANTOS, Raquel Costa (orgs.). Memórias e histórias do cinema na Bahia (2 volumes). Salvador: Edufba, 2024.
NOGUEIRA, Cyntia (org.). Walter da Silveira e o cinema moderno no Brasil: críticas, artigos, cartas, documentos. Salvador: Edufba, 2020.
SILVEIRA, Walter. O eterno e o efêmero (4 volumes). Organização e notas de José Umberto Dias. Salvador: Oiti, 2006.
SILVEIRA, Walter da. A história do cinema vista da província. Organização de José Umberto Dias. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978.
SILVEIRA, Walter. Imagem e roteiro de Charles Chaplin. Salvador: Mensageiro da Fé,1970.
SILVEIRA, Walter da. Fronteiras do cinema. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966.