Ficha do Proponente
Proponente
- Giovana Nucci De Castro (UFSCar)
Minicurrículo
- Giovana Nucci de Castro é bacharel em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos, com ênfase em som, direção de fotografia e pesquisa acadêmica, e atualmente é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som, também pela UFSCar. Faz parte do grupo de pesquisa Cinemídia.
Ficha do Trabalho
Título
- Canções pré-existentes e juventude na série Vicky e a Musa
Eixo Temático
- ET 2 – INTERMIDIALIDADES, TECNOLOGIAS E MATERIALIDADES FÍLMICAS E EPISTÊMICAS DO AUDIOVISUAL
Resumo
- A pesquisa busca compreender a seleção e distribuição de canções pré-existentes da série Vicky e a Musa, que apresenta uma trilha de compilação com diversas canções nacionais, sendo grande parte lançada antes do nascimento do público alvo da série, o infanto-juvenil, contradizendo o histórico de divulgação das trilhas musicais feitas pela Som Livre/Rede Globo, já que as versões feitas para a série não são divulgadas.
Resumo expandido
- Vicky e a Musa (2023-2024) é considerada a primeira série musical original do streaming Globoplay. Esta pesquisa investiga o modo como a série articula o uso das canções pré-existentes no intuito de compreender as estratégias de conexão com o público infanto-juvenil e de que modo as canções são utilizadas e conectadas à narrativa. A série, voltada para o público infanto-juvenil, possui duas temporadas, com 13 episódios em cada uma. A narrativa acompanha a adolescente Vicky, que tem a vida transformada após pedir para a musa da música, Euterpe, iluminá-la. A musa atende seu pedido e se materializa como humana no bairro de Canto Belo, impulsionando uma transformação cultural para o bairro.
A trilha musical de Vicky e a Musa nos parece uma coletânea de sucessos da música nacional, com canções de diferentes épocas, desde a década de 1930 até os anos 2020, e estilos musicais, com canções que passam pela MPB, Bossa Nova, Pop/rock, Samba, Jovem Guarda, entre outros. Dessa forma, a série possui 65 canções não originais, sendo 31 da primeira temporada e 34 da segunda temporada. Todas as canções pré-existentes possuem novas versões, gravadas especialmente para a série, sendo cantadas por seus personagens. Até o momento, descobrimos que das 31 canções não originais que integram a primeira temporada, 21 são canções lançadas entre a década 1960 até a década de 2000, com uma maior concentração de lançamentos da década de 1980. Das décadas de 2010 a 2020, que poderiam ser canções que podem dialogar melhor com o público alvo, apenas 8 canções não originais foram utilizadas. Além disso, dessas 31 canções pré-existentes da primeira temporada, 19 já foram utilizadas em outros produtos da Rede Globo e de 35 da segunda temporada, 18.
Portanto, nos chama a atenção o consumo (ou falta dele) das canções pré-existentes de Vicky e a Musa, já que a relação entre indústria fonográfica e audiovisual vem de longa data. A própria Rede Globo fez com que a divulgação de trilhas musicais de suas telenovelas virasse uma parte rentável da indústria fonográfica. A Som Livre (gravadora pertencente à Rede Globo), foi criada em 1971, mas não foi a Som Livre que criou a divulgação das trilhas musicais das telenovelas, ela só aperfeiçoou, tornando-as ainda mais lucrativas, de forma que “as novelas da Rede Globo geraram 384 discos de trilhas sonoras, sendo 202 trilhas com músicas nacionais, 156 de artistas e/ou canções internacionais (sobretudo, em inglês)” (TOLEDO, 2010, p.22).
As novas versões das canções não estão disponíveis em nenhuma plataforma de streaming de músicas, como Spotify, Deezer, Youtube, e para acessar essas versões, é necessário assistir a série, já que elas só estão disponíveis lá, o que contraria todo o histórico da Rede Globo e Som Livre, que fazem a divulgação de suas trilhas musicais há muitas décadas. A pesquisa busca compreender qual foi a estratégia de seleção e de comercialização adotada pela produção da série, e pensamos que talvez a Rede Globo obteve os direitos para divulgação das novas versões das canções, já que há uma playlist disponível, com as versões originais das canções.
Além disso, pensamos que a escolha dessas canções, também pode ser uma possível repopularização delas, principalmente para o público alvo (infanto-juvenil), que nasceu depois do lançamento de grande parte das canções utilizadas. Elas se relacionam com outras épocas e juventudes, se associando com diferentes gerações, como é o caso de Agora Só Falta Você, que foi lançada em 1975, composta por Rita Lee e Luiz Carlini e interpretada por Rita Lee & Tutti Frutti, e que também foi utilizada na telenovela Malhação – Sonhos (2014) e no filme Dedé Mamata (1988).
Bibliografia
- FEUER, Jane. The Hollywood Musical. (2nd ed.). Bloomington: Indiana University Press, 1993.
GUIMARÃES, Vinicius Oliveira Seabra; GROPPO, Luis Antonio. Quando juventude não é apenas uma palavra: uma releitura sociológica acerca da categoria juventude. Cadernos de Pós-graduação, [S. l.], v. 21, n. 2, p. 05–18, 2022. DOI: 10.5585/cpg.v21n2.22787. Disponível em: . Acesso em: 24 abr. 2026.
Instituto Memória Musical Brasileira – IMMuB. Disponível em: . Acesso em 24 abr. 2026.
TOLEDO, Heloísa Maria dos Santos. Som livre: trilhas sonoras das telenovelas e o processo de difusão da música. 2010. 181p. Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara. Disponível em: . Acesso em 23 abr. 2026.