Ficha do Proponente
Proponente
- Rubens Arnaldo Rewald (USP)
Minicurrículo
- Professor de Dramaturgia Audiovisual da ECA / USP e do Programa de Pós-Graduação em Produção de Conteúdo Multiplataforma da UFSCar. Escreveu e dirigiu os longas Corpo, Super Nada, Segundo Tempo, Esperando Telê, Jair Rodrigues – Deixa que Digam, Intervenção e #Eagoraoque. Escreveu as peças um homem, Rei de Copas, Narraador, umBigo, entre outras. Lançou os livros Caos Dramaturgia e A Dança do Fantástico / Autor Espectador. É o atual diretor do CINUSP.
Ficha do Trabalho
Título
- #EAGORAOQUE – O ROTEIRO LACUNAR
Resumo
- O texto analisa a criação do filme #EAGORAOQUE, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald. Originalmente uma performance sobre relação familiar, a obra tornou-se um manifesto político sobre o cenário brasileiro no governo Bolsonaro. O projeto utilizou um roteiro lacunar para permitir improvisações e debates. O estudo foca nas estratégias dramáticas e cênicas que viabilizaram o longa, um dos últimos trabalhos de Bernardet.
Resumo expandido
- A comunicação pretende analisar o processo de realização do filme #EAGORAOQUE, dirigido por Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald. Em sua concepção inicial, o projeto foi pensado como um filme performance mostrando a relação neurótica entre pai e filho, vividos por Bernardet e pelo professor e filósofo Vladimir Safatle. Aos poucos, o projeto foi trilhando um caminho totalmente diferente, se transformando num manifesto político, dado o contexto da época, início de 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, terra devastada para a esquerda brasileira. Bernardet e Safatle mantiveram seus papeis originais, de pai e filho, funcionando como uma espécie de linha narrativa que ia costurando as diversas cenas, reflexões e discursos sobre a caótica situação política do país. Os diretores costumavam dizer que o filme seria uma espécie de Brasil, Ano Zero, numa referência ao clássico filme de Rossellini, Alemanha, Ano Zero. Os processos de roteirização e realização do filme se retroalimentaram, sempre tendo uma diretriz central: a necessidade de se fazer o filme como um ato político. Nesse sentido, abriu-se mão de inscrever o projeto em editais públicos, pois isso iria delongar indefinidamente o processo de realização. Adotou-se a estratégia da guerrilha, isto é, fazer o filme com os meios disponíveis. Os artistas e técnicos envolvidos trabalharam gratuitamente, como uma ação política voluntária. O filme ainda enfrentou a pandemia, que dificultou sobremaneira a sua finalização, mas afinal ele estreou na Mostra Internacional de São Paulo, em 2020 e circulou por mais de 20 festivais e mostras nacionais e internacionais, gerando inúmeros debates, cinematográficos e políticos. Na comunicação serão focalizadas principalmente as estratégias dramáticas e cênicas para a viabilização de um filme de baixíssimo orçamento, cotejando o roteiro, o processo e o filme. Nesse sentido, será aprofundada a discussão em torno do caráter lacunar do roteiro, que permitiu diferentes interpretações, discussões e improvisações pelos artistas envolvidos na realização do filme. É importante ressaltar que se trata de um dos últimos trabalhos do crítico, professor, cineasta e escritor Jean-Claude Bernardet.
Bibliografia
- IKEDA, Marcelo & LIMA, Dellani (orgs). Cinema de Garagem. Rio de Janeiro: WSET MULTIMÍDIA, 2014.
REWALD, Rubens. A Dança do Fantástico / Autor Espectador. São Paulo: Ed. Patuá, 2019.
SAFATLE. Vladimir. A Esquerda que não Teme Dizer seu Nome. São Paulo, Ed. Planeta, 2025.