Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Brize Dantas Cerqueira de Oliveira (UFRB)

Minicurrículo

    Alune do mestrado em Comunicação no PPGCOM UFRB e graduade em Cinema e Audiovisual na UFRB. Integra os grupos de pesquisa VISU – grupo de Pesquisa e Extensão em Arte, Imagem e Visualidade da Cena e o GEEECA – Grupo de Estudos em Experiências Estéticas, Comunicação e Arte, nos quais pesquisa a Direção de Arte no audiovisual universitário a partir da poética da gambiarra e das experiências dos estudantes de graduação.

Ficha do Trabalho

Título

    Gambiarra no cinema universitário: A Análise da Visualidade de Onde Teu Abraço Não Me Alcança (2025)

Seminário

    Estética e Teoria da Direção de Arte Audiovisual

Resumo

    Este trabalho tem como objetivo realizar a análise da poética da gambiarra (Rocha, 2023) e das estratégias gambiarrísticas utilizadas pela Direção de Arte na construção da visualidade do curta-metragem Onde Teu Abraço Não Me Alcança (2025). Nesse sentido, serão articulados conceitos relativos aos cinemas universitários (Vidal e Ferraz, 2017) e as consequências imagéticas de um contexto de produção pautado pela precarização, baixos orçamentos e equipes reduzidas.

Resumo expandido

    Esta investigação se debruça sobre a análise da Direção de Arte e seus diálogos com o conceito de poética da gambiarra (Rocha, 2023) no curta-metragem universitário Onde Teu Abraço Não Me Alcança (2025). O texto propõe uma articulação entre o papel da Direção de arte na externalização e concretização dos processos de luto do protagonista Miguel e o contexto de precarização orçamentária dos cinemas universitários (Vidal e Ferraz, 2017) quando enfrentados com o uso estético, artístico e ético de estratégias gambiarrísticas (Rocha, 2023). Para isso, a partir das contribuições de Bastos et al. (2023) no que diz respeito a uma metodologia de análise da Direção de Arte, já foi possível identificar algumas maneiras pelas quais os aspectos formais da materialidade cênica (cenografia, figurino, maquiagem e efeitos especiais) interagem com a imagem fílmica na criação de uma visualidade na qual o corpo de Miguel interage com a água e com o território a partir do trauma. No filme, o jovem se refugia na zona rural de sua cidade no sertão da Bahia e, durante dois dias de isolamento, precisa confrontar as memórias da perda de seu irmão ao mesmo tempo em que alucina e observa o seu corpo se vincular física e psicologicamente ao ciclo hídrico daquela região, que passa da escassez a abundância. Nesse sentido, o curta-metragem se destaca pela maneira como o departamento de Direção de Arte conduz esse processo de delírio, sobretudo por meio da maquiagem e dos efeitos especiais. O filme foi realizado como um trabalho de conclusão de curso em Bacharelado em Cinema e Audiovisual e, mesmo em um contexto de baixíssimo orçamento e de equipe reduzida, a identidade visual fílmica não é prejudicada. Para Vidal e Ferraz (2017), os cinemas universitários podem ser caracterizados como plurais, nos quais há uma relevância para os processos formativos e de aprendizado. Para os autores, no cenário atual, os modelos hegemônicos da indústria destoam da produção audiovisual universitária, que apresenta um “modelo de produção baseado na força de vontade coletiva, que coloca o desafio aos estudantes de produzirem sem recursos, com baixa aplicação da divisão em departamentos e consequentemente com um modelo mais livre de produção” (Vidal, Ferraz, 2017, p. 77). Na medida em que a imagem revela “indícios das experiências do filmar e dos obstáculos ou situações adversas que os realizadores em formação tendem a enfrentar” (FERRAZ, 2017, p. 73), este trabalho estabelece a hipótese de que a criação de uma visualidade coerente e inventiva neste curta-metragem se deve ao uso da poética da gambiarra (Rocha, 2023). Este conceito se diz respeito a maneira pela qual “a artesanalização e o uso de recursos gambiarrísticos inventivos […] exploram uma estética potente ao mesmo tempo em que adensam o discurso político das imagens” (Rocha, 2023, p. 175). As soluções gambiarrísticas encontradas pela Direção de Arte atuam não só na concretização dos desafios apresentados pelo desejo de colocar em tela os efeitos especiais, mas também contribuem diretamente para o desenvolvimento da narrativa. Como exemplo, é possível citar o uso do stop-motion em um dos pontos chave da históri que viabiliza a construção em camadas de uma maquiagem complexa que mescla o rosto do protagonista ao solo mas que também propõe de forma visual a gradativa dissolução de Miguel nessa terra craquelada. É possível observar, através desta análise inicial, que o uso da água enquanto simbologia para os entendimentos dos traumas do protagonista perpassa diretamente pelo uso da gambiarra em diálogo com o desenvolvimento de uma visualidade no cinema universitário. Nesse sentido, há o interesse em incluir nesta investigação outros curtas e médias-metragens para que seja possível contribuir com este campo de investigação por meio de estratégias para o enfrentamento da precarização no audiovisual, além de novos questionamentos e perspectivas para a área.

Bibliografia

    BASTOS, Dorotea Souza; PAIVA, Milena Leite; MEDEIROS, Theresa. Apontamentos iniciais para uma metodologia de análise fílmica a partir da direção de arte. In: SUING, Abel et al. Imagens em Movimento. Lisboa: RIA Editorial, 2023.

    Ferraz, Thaís Assis, Ferraz, Txai. A Experiência do MOV e uma conversa sobre cinema universitário. In Ricardo, Laércio, Vidal, Thais, Ferraz, Txai. Cinemas e Universidade: Diferentes Convergências. Recife: Ed. UFPE, 2017. 63 – 82.

    Fischer, L. (2015). Art Direction & Production Design. Rutgers University Press
    HAMBURGER, Vera. Arte em Cena: A direção de arte no cinema brasileiro. São Paulo: Ed. SENAC e Edições SESC São Paulo, 2014.

    ROCHA, Iomana. Artesanalidade, gambiarra e artifício na direção de arte do cinema contemporâneo brasileiro. In: FFerreira, Benedito; Jacob, Elizabeth Motta; Rocha, Iomana; Souza, Nivea Faria de; Xavier, Tainá. Dimensões da Direção de Arte na Experiência Audiovisual (Portuguese Edition) (p. 175). Nau Editora. 2023.