Ficha do Proponente
Proponente
- FRANCIELLY REBECA SILVA (FAAP)
Minicurrículo
- Graduanda em Cinema pela FAAP, com interesse em história e política do cinema brasileiro. Desenvolveu iniciação científica sobre Também Somos Irmãos (1950), analisando a Atlântida Cinematográfica, a chanchada e as representações raciais. Integra o projeto “A Literatura que Liberta” (FUNAP/FAAP) e é criadora do blog Cinepoética. Desenvolveu os roteiros Lugar Comum, selecionado em pitching, e Carnaval em Março, sobre o cinema brasileiro dos anos 1940.
Ficha do Trabalho
Título
- ENTRE O DRAMA E A CHANCHADA: A REALIZAÇÃO DE TAMBÉM SOMOS IRMÃOS NA ATLÂNTIDA CINEMATOGRÁFICA
Eixo Temático
- ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS
Resumo
- Análise do filme Também Somos Irmãos (1950), de José Carlos Burle e Alinor Azevedo, no contexto da Atlântida Cinematográfica. A pesquisa investiga como o melodrama é utilizado para tensionar o mito da democracia racial, articulando forma popular e crítica social. Discute-se a relação entre indústria, representação e política no cinema brasileiro dos anos 1940-50, evidenciando contradições entre projeto nacional e lógica comercial.
Resumo expandido
- Esta pesquisa analisa o filme Também Somos Irmãos (1950), dirigido por José Carlos Burle e roteirizado por Alinor Azevedo, no contexto da Atlântida Cinematográfica e da formação da indústria cinematográfica brasileira nas décadas de 1940 e 1950. Parte-se da compreensão do cinema como instrumento fundamental na construção da identidade nacional, articulado a outros meios de comunicação. Nesse cenário, investiga-se a consolidação do modelo carnavalesco como estratégia de sobrevivência industrial da Atlântida, baseada na repetição de fórmulas de sucesso comercial. Em contraste, o filme analisado surge como exceção ao padrão dominante, ao abordar a questão racial por meio de uma estrutura melodramática. A pesquisa demonstra que, ao invés de adotar o neorrealismo, o filme utiliza o melodrama como forma de inserção no circuito comercial, tensionando, contudo, o mito da democracia racial ao expor o racismo como fenômeno estrutural e não conciliado. A análise articula o contexto de produção, a trajetória dos autores, a recepção crítica nos jornais da época e o diálogo com o pensamento de intelectuais como Muniz Sodré e Abdias do Nascimento. Por fim, relaciona-se o filme aos princípios do manifesto da Atlântida, evidenciando a contradição entre projeto artístico e lógica industrial, e demonstrando como a obra constitui um caso singular de intervenção social dentro de um cinema voltado ao entretenimento popular.
Bibliografia
- AUGUSTO, Sérgio. Este mundo é um pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
BULBUL, Zózimo. Depoimento. In: ___ (org.). O negro e o cinema brasileiro. Rio de Janeiro: Cinemateca do MAM, 1982.
BARRO, Máximo. Drama na chanchada: José Carlos Burle. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. (Coleção Aplauso).
MELO, Luís Alberto Rocha. Alinor Azevedo e o cinema carioca. Rio de Janeiro: 7Letras, 2018.
SODRÉ, Muniz. O negro e os meios de comunicação. Rio de Janeiro: Vozes, 1975.
SODRÉ, Muniz. Claros e escuros: identidade, povo e mídia no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2002.
TAVARES, Júlio César. In: ROCHA MELO, Luís Alberto. Alinor Azevedo e o cinema carioca. Rio de Janeiro: 7Letras, 2018.
VIANY, Alex. Crítica publicada na revista Cena Muda, Rio de Janeiro, 1949.
NUMA CONVERSA DE CAFÉ. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1949. Disponível em: https://hemerotecadigital.bn.br/. Acesso em: 04 fev. 2026.