Ficha do Proponente
Proponente
- Álvaro André Zeini Cruz (FIB; UFSCar)
Minicurrículo
- Doutor e Mestre em Multimeios pela Unicamp, com sanduíche na University of Leeds. Especialista em Argumento e Roteiro pela FAAP. Bacharel em Cinema pela FAP/UNESPAR. Na academia, pesquisou crítica cinematográfica e telenovela. É crítico e idealizador da revista “Pós-créditos”, participou de laboratórios como o Talent Press e o BrLab, e é curador da Mostra Filma Bauru. Atualmente, é professor universitário em Audiovisual na FIB e professor substituto em Imagem e Som na UFSCar.
Ficha do Trabalho
Título
- Entre Renasceres: negociações estilísticas na telenovela
Resumo
- Esta comunicação analisa comparativamente as duas versões da novela Renascer (1993/2024) sob o viés do estilo televisivo. Retomando Cruz (2018), que identifica um estilo maneirista na versão original, verificam-se duas hipóteses: ambas as tramas operam televisualidades singulares no fluxo televisivo, operando distintas televisualidades; e a releitura negocia a memória da obra anterior com novo contexto de codificação, revelando questões atuais de autoria e indústria na TV Globo.
Resumo expandido
- A elaboração estilística de uma obra televisiva é sempre fruto de negociações complexas, que envolvem, por exemplo, o gênero dramatúrgico, o contexto de produção, a grade de programação, os patrocinadores e a decodificação do público. Assim, o estilo é a superfície da obra, aquilo que se dispõe à visão e à audição (e demais sentidos, numa perspectiva fenomenológica) a partir de uma orquestração entre mise en scène, montagem e som.
Partindo da concepção de estilo apresentada por David Bordwell (2013) e repensada para a televisão por Jeremy G. Butler (2010), esta comunicação propõe uma análise comparada — operando os preceitos da análise fílmica — entre as duas versões da novela Renascer (1993, 2024): a primeira com autoria de Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho; a segunda escrita por Bruno Luperi (neto de Benedito) e com direção artística de Gustavo Fernandez.
Retomando a análise apresentada por Cruz (2018), que compreende Renascer (1993) como uma novela de estilo maneirista que olha para uma narrativa cordial (ancorando se no conceito de cordialidade de Sérgio Buarque de Holanda), propõe se aqui a revisitação de cenas chave que atravessem as duas novelas e verifiquem as hipóteses de que:
1. Ambas as tramas se impõem como singulares ao fluxo televisivo (Williams, 2016), trabalhando de formas distintas a ideia de televisualidade (Caldwell, 1995);
2. A releitura apresenta marcas textuais que negociam a memória da novela anterior e um novo contexto de codificação e decodificação (Hall, 2003).
É essencial pontuar as transformações da própria telenovela, algo que, no caso de Renascer, se evidencia nas duas produções: enquanto as gravações da novela original se dividiam entre os estúdios cariocas e as locações na Bahia, a releitura teve de se adaptar ao modelo de produção atualmente vigente, que, segundo Rosane Svartman (2023), prioriza os Estúdios Globo. É nesse sentido que o referencial bibliográfico dedicado ao gênero — incluindo trabalhos recentes como os de Svartman e Néia (2021) — embasa e dialoga com o recorte estilístico e com a própria análise, apontando para questões de autoria e indústria na telenovela e no reconhecimento do Padrão Globo de Qualidade.
Bibliografia
- BORDWELL, David. Sobre a história do estilo cinematográfico. Campinas: Editora Unicamp, 2013.
BUTLER, Jeremy G. Television Style. Nova York: Routledge, 2010.
CALDWELL, John Thornton. Televisuality: Style, Crisis, and Authority in American Television. New Brunswick: Rutgers University Press, 1995.
CRUZ, Álvaro André Zeini. “Renascer”: narrativa cordial e estilo maneirista na telenovela brasileira. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2018.
HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.
NÉIA, Lucas Martins. Como a ficção televisiva moldou um país: uma história cultural da telenovela brasileira (1963 a 2020). 2021. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.
SVARTMAN, Rosana. A telenovela e o futuro da televisão brasileira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2023.
WILLIAMS, Raymond. Televisão: tecnologia e forma cultural. São Paulo: Boitempo, 2016