Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Thiago Ferreira Pinto (UFPE)

Minicurrículo

    Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da
    Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestre em Cinema e Audiovisual pela
    Université Lumière Lyon 2.

Ficha do Trabalho

Título

    Regimes de imagem e pós-modernismo em O Mundo (2004), de Jia Zhangke

Resumo

    A partir de uma análise fílmica e iconológica de uma sequência do filme O Mundo, de Jia Zhangke, esta pesquisa busca compreender como se configuram nele a experiência visual, as formas de vivenciar o espaço e o estatuto da imagem. Situando a reflexão dentro do debate teórico do pós-modernismo, da cultura do simulacro e da era Visual , apontamos que o filme constrói uma representação que incorpora e ao mesmo tempo desestabiliza algumas premissas desse novo regime de imagens.

Resumo expandido

    O Mundo (2004), de Jia Zhangke tem como cenário principal um parque temático da cidade de Pequim, híbrido entre museu e parque de atrações que reúne réplicas em escala reduzida de diversos monumentos turísticos emblemáticos, como a Torre Eiffel, a Praça de São Pedro, a Torre de Pisa e a Ilha de Manhattan.

    Comumente percebido como uma alegoria do mundo contemporâneo globalizado, o cenário filmado constitui o que Fredric Jameson designa como hiperespaço característico de uma lógica pós-moderna (2011). Ele se insere no contexto da era Visual da imagem (Debray, 1992), que corresponde a um ecossistema da visão, um meio de vida e um horizonte de espera do olhar marcados, entre outras características, pela simulação digital, pelo virtual e pelo espetacular.

    Esse regime constitui uma nova estruturação qualitativa do mundo vivido, no qual mídia, museu, mercado e publicidade se imbricam e onde vigora o fetichismo da imagem. A afirmação do autor de que, sob essa nova mídiasfera, o planeta terra foi ao mesmo tempo miniaturizado e domesticado, aponta para o filme de Jia Zhangke como um objeto de análise privilegiado. O filme parece apontar, à primeira vista, para a nova cultura da imagem e do simulacro, dentro da qual é abolida, como afirma Baudrillard, a diferença entre realidade e imagem, esta restringindo-se a simular uma significação e uma realidade que não existem mais fora delas.

    Situando-se nesse debate teórico, esta pesquisa busca compreender como se configuram a experiência visual em O Mundo, as formas de vivenciar o espaço e qual é o estatuto da imagem que se afirma nele.

    A análise fílmica e iconológica de uma sequência específica da obra permitirá explorar essas questões, revelando que o diretor constrói a representação visual a partir de um tensionamento. Se por um lado ele propõe uma viagem visual em que o mundo parece ter-se tornado pura representação e onde tudo parece estar assegurado dentro do quadro, o diretor produz dialeticamente a desestabilização desse próprio discurso, sujeitando a imagem a uma mudança de regime, reconfigurando o olhar do espectador e afirmando um discurso sobre a imagem cinematográfica.

Bibliografia

    BAUDRILLARD, Jean. Simulacres et simulation. Paris: Éditions Galilée, 1981.

    BELTING, Hans. La vrai image: croire aux images. Paris: Gallimard, 2007. (Le temps des images).

    DEBRAY, Régis. Vie et mort de l’image: une histoire du regard en Occident. Paris: Gallimard, 1992.

    GUNNING, Tom. Landscape and the Fantasy of Moving Pictures: Early Cinema’s Phantom Rides. In: HARPER, Graeme; RAYNER, Jonathan (Eds.). Cinema and Landscape. Bristol: Intellect, 2010. p. 31-70.

    JAMESON, Fredric. Le postmodernisme ou la logique culturelle du capitalisme tardif. Paris: Beaux-arts de Paris, 2011.

    MELLO, Cecília. The Cinema of Jia Zhangke: Realism and Memory in Chinese Film. London: Bloomsbury Academic, 2019.