Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Julia de Almeida Maciel Levy Tavares (UFF)

Minicurrículo

    Produtora, crítica e pesquisadora de cinema. Doutoranda em economia na Universidade Federal Fluminense. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Ontologia Crítica e o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo, ambos da UFF, e o Elviras – Coletivo de mulheres críticas de cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Makunaima e Putumayo: explorações, ideologias e resistências amazônicas a partir do cinema

Eixo Temático

    ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS

Resumo

    A partir de dois filmes brasileiros recentes, “Por onde anda Makunaíma?” e “Segredos do Putumayo”, analisamos a expansão do modo de produção capitalista na Amazônia e as resistências dos povos da região a esse processo. Buscamos compreender as motivações dessa dinâmica exploratória, as ideologias que até hoje a embasam, resgatando um referencial teórico e artístico crítico à sociabilidade do capital.

Resumo expandido

    A partir de dois filmes brasileiros recentes, “Por onde anda Makunaíma?” e “Segredos do Putumayo”, analisamos a expansão do modo de produção capitalista na Amazônia e as resistências dos povos da região a esse processo. Buscamos compreender as motivações dessa dinâmica exploratória, as ideologias que até hoje a embasam, resgatando um referencial teórico e artístico crítico à sociabilidade do capital.
    “Por onde anda Makunaíma?” é o segundo longa-metragem do diretor Rodrigo Sellos e recebeu o principal prêmio no Festival de Brasília no ano de 2020. O filme busca as origens do mito de Macunaíma apresentada por Mario de Andrade no seu romance de 1926. Com Sellos somos levados à tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e Guiana, onde encontramos representantes dos povos da região e conhecemos seu mosaico mitológico que se mistura com suas belezas e vastidões geográficas.
    “Segredos de Putumayo” por sua vez, foi considerado por alguns críticos como a obra prima do cineasta manauara Aurélio Michiles, que há décadas dedica-se a investigar questões diversas sobre sua região original. Em “Putumayo” o diretor se inspirou no diário de Roger Casement, figura que renunciou a seu alto posto no império britânico para denunciar as atrocidades que presenciou na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e Colômbia. O filme de Michiles costura as complexidades de processos emancipatórios distintos contra as explorações. De um lado vemos Casement se tornar um dos principais líderes da independência de seu país, a Irlanda, e de outro o movimento de resgate cultural e de resistência dos povos que sofreram as atrocidades narradas por Casement.
    Embora tenham recebido prêmios e críticas relevantes, por terem sido lançados em festivais de cinema durante a pandemia em 2020, a carreira desses filmes ficou comprometida e ainda merecem ser debatidos.
    Ambos apresentam regiões e povos da Amazônia cada um a sua maneira. Em comum expõem o choque entre mundos e culturas que desde séculos passados se confrontam na região. Ambos desnudam as motivações desses confrontos, as ideologias de desenvolvimento, modernismos, usadas em prol de um progresso devastador em diversos sentidos. Ao mesmo tempo, as obras tratam das formas de resistência desses povos ao longo do tempo.
    Além das análises fílmicas, nosso trabalho busca compreender o sentido exploratório da região não apenas no seu desdobramento mais direto através da expansão da fronteira agrícola, garimpos, violentos holocaustos, como denuncia “Segredos do Putumayo”, mas também os apagamentos culturais realizados de inúmeras formas pelos exploradores e ideologias que lá aportaram. Para tal, resgatamos uma base teórica crítica ao capitalismo e seus desdobramentos enquanto forma imperialista de expansão contemporâneas, assim como artistas e pensadores indígenas que refletem sobre as formas de existências e resistências da região.

Bibliografia

    ESBELL, J. Makunaima, o meu avô em mim! ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 19, n. 46, 2018.
    FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura. 6ª edição, 1964.
    LUKÁCS, G. Para uma ontologia do ser social II, São Paulo: Boitempo, 2013.
    LUXEMBURG, R. Acumulação do capital: contribuição ao estudo econômico do Imperialismo; Anticrítica. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
    MARX, K. O capital: crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.
    MATTOS, C. A. Putumayo é aqui. In: ARAÚJO, P. H.F.; LEVY TAVARES, J. A. M.; PAULO, S. F. (Org.). Cinema e ontologia crítica: reflexões a partir da sétima arte. Rio de Janeiro: Consequência, 2024.
    POR onde anda Makunaima? Direção de Rodrigo Séllos. Roraima: Platô Filmes, Boulevard Filmes, 2020. Filme.
    SEGREDOS do Putumayo. Direção de Aurelio Michiles. São Paulo: 24VPS Filmes, Imagem Céuvagem, 2020. Filme.
    VAISMAN, Ester. A ideologia e sua determinação ontológica. Verinotio. n. 12, Rio das Ostras, 2010.