Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Michelle Cunha Sales (UFRJ)

Minicurrículo

    Michelle Sales é professora, pesquisadora e curadora independente. Professora Associada da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Programa de Pós Graduação em Multimeios da Unicamp. Curadora do 16º KUGOMA, Fórum de Cinema em Moçambique.

Ficha do Trabalho

Título

    Fantasmas de Marx: a transição estética do cinema em Moçambique em direção ao pós-socialismo

Mesa

    Imagens anti-coloniais da contemporaneidade

Resumo

    Essa comunicação pretende discutir as formas através das quais o cinema moçambicano contemporâneo dá a ver imagens contra-hegemônicas acerca da “representação nacional” ou sobre a história recente de Moçambique. Explora livremente o cinema contemporâneo produzido em Moçambique e aprofunda as contradições vividas no período pós-socialista e o fim do Instituto Nacional de Cinema a fim de pensar narrativas que desafiam as representações oficiais.

Resumo expandido

    Essa comunicação pretende discutir as formas através das quais o cinema moçambicano contemporâneo dá a ver imagens contrahegemônicas acerca da “representação nacional” ou sobre a história recente de Moçambique.Para tal, pretendo recuperar a geração dos anos 1990 através da trajetória do realizador Sol de Carvalho para pontuar a existência de uma “geração de transição” no cinema moçambicano. Essa transição corresponde, do ponto de vista histórico, a uma passagem desde o cinema nacional pensado e controlado pelo Estado moçambicano e pelo período pós- Independência em direção a uma geração que desafia as narrativas oficiais e questiona a memória nacional da Revolução. O cinema moçambicano carrega, assim como as filmografias nacionais dos demais países africanos de língua oficial portuguesa, o difícil legado do nascimento concomitante com o país independente, segundo um olhar em parte já cristalizado pela história e teoria do cinema africano de língua portuguesa. Propomos pensar a história do cinema moçambicano de forma transnacional e de maneira mais complexa. A hipótese aqui é a de que não é possível pensar os surgimentos dos cinemas africanos no contexto pós-Independência da mesma forma que pensamos os cinemas nacionais, seja europeus ou latino-americanos, uma vez que o surgimento das nações africanas no século XX dá-se de forma heterogênea, mas ao tempo simultânea em todo o continente africano. Esta comunicação questiona a narrativa hegemônica pós-Independência sedimentada pela Frelimo e busca por imagens que desafiam as narrativas oficiais no período do pós-socialismo (1990 em diante). É uma das hipóteses a ideia de uma vez que o modelo estatal de produção de cinema é interrompido com o fim do Instituto Nacional de Cinema, há uma transição também estética no cinema moçambicano que acompanha o surgimento de um outro ciclo de produção de cinema (ainda) no século XX. No artigo As formas de auto inscrição nos cinemas africanos contemporâneos: o caso do cinema em Moçambique, aprofundei a forma como o cinema contemporâneo em Moçambique tensiona o lugar da memória nacional e aponta, no século XXI, para um cinema íntimo e fragmentado. Entretanto, ao abordar a filmografia de Sol de Carvalho, sobretudo seu último filme Ancoradouro do Tempo, percebemos que esse processo de questionamento e desfragmentação é algo que já está posto na literatura e no cinema moçambicano desde o seu início.

Bibliografia

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