Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    moema pascoini (UFMG)

Minicurrículo

    Doutora em Artes (UFMG), desde 2012 desenvolve pesquisas acadêmicas voltadas para temas como a historiografia do cinema sergipano e o cinema superoitista brasileiro. Em 2019 iniciou o projeto Cinemaquina, focado na democratização à digitalização e acesso de filmes realizados em super-8. Fundou o coletivo de preservação audiovisual Arcazul, juntamente com Lu Silva e Nah Donato e, através dele, têm desenvolvido e executado projetos para a preservação do patrimônio audiovisual sergipano.

Ficha do Trabalho

Título

    Estratégias de preservação audiovisual: a experiência da Arcazul na catalogação de filmes em super-8

Resumo

    Pretende-se discutir os métodos de trabalho desenvolvidos para a catalogação do acervo de filmes em super-8 de Guilherme Luiz Magalhães, realizada pela Arcazul em Aracaju (SE). A partir de ações formativas, trabalho em rede, uso metodologias adaptadas e de tecnologias abertas discute-se a atuação de agentes da sociedade civil na criação de estratégias de resistência em contextos de ausência de instituições especializadas e da falta de políticas públicas de Estado para o patrimônio audiovisual.

Resumo expandido

    Esta apresentação discute os métodos de trabalho da Arcazul, coletivo cultural focado em incubar e desenvolver projetos de preservação do patrimônio audiovisual, no projeto de catalogação do Acervo Guilherme Luiz Magalhães Costa, composto por mais de 100 rolos de filmes domésticos em super-8. Pretende-se com isso discutir a atuação de agentes da sociedade civil em defesa da memória audiovisual dos seus territórios, em contextos de ausência de instituições especializadas e da falta de interesse do Estado e da iniciativa privada na preservação deste patrimônio.
    O acervo aqui citado foi inicialmente prospectado em 2015, durante as pesquisas para o filme Super Frente, Super-8, revelando um conjunto significativo de filmes na bitola super-8. Em 2023, no âmbito da Lei Paulo Gustavo, foi possível estruturar um projeto voltado à sua catalogação. Como estratégia central, o projeto articulou formação e prática. Foram realizadas oficinas e consultorias com três estudantes, voltadas ao aprendizado do manuseio do material fílmico, métodos de catalogação e utilização do plugin de código aberto Tainacan. Essa dimensão formativa buscou não apenas qualifica-los tecnicamente, mas também provocar o pensamento crítico acerca da dimensão política da preservação audiovisual.
    No campo metodológico, desenvolveu-se uma estratégia de catalogação baseada no modelo proposto por Lila Foster (2010) e adaptado às características do acervo trabalhado. Foi realizada uma consultoria imersiva presencial com a pesquisadora para que ela pudesse observar o acervo e nos auxiliar no processo de adaptação das fichas catalográficas. Foi realizada também uma consultoria sobre o Tainacan, desta vez de maneira online, com a pesquisadora Inês Aisengart. O estabelecimento dessa rede de trocas foi essencial para que o projeto pudesse ser executado a contento. Os filmes foram catalogados e seus metadados estão sendo organizados por meio do Tainacan, com o objetivo de futura disponibilização no site da Arcazul. A opção por uma ferramenta aberta e acessível reforça o compromisso com a democratização do acesso e com a construção de práticas autônomas e sustentáveis.
    A etapa seguinte do projeto prevê a digitalização do acervo através da utilização da Cinemaquina, iniciativa desenvolvida por nós com recursos do Edital Itaú Rumos Cultural. O projeto Cinemaquina propôs a construção de um equipamento de digitalização de filmes super-8 baseado em práticas de hackeamento tecnológico e de adequação sociotécnica (AST) com foco em redução de custos e na construção de um maquinário simples e replicável.
    Ao articular formação, articulação em rede, utilização de metodologias adaptadas e tecnologias acessíveis, a experiência do projeto aqui discutido aponta para caminhos possíveis para o trabalho da preservação audiovisual diante de acervos que apresentam um risco eminente de perda e localizados em territórios desprovidos de qualquer estrutura voltada à preservação do seu patrimônio audiovisual.

Bibliografia

    BARRETO, Moema Pascoini. Políticas públicas e autonomia tecnológica: caminhos possíveis para a preservação audiovisual e para o acesso à filmografia superoitista nordestina. 2024. Tese de doutorado. Escola de Belas Artes, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
    BORDIEU, Pierre. O campo político. Revista Brasileira de Ciência Política, [S. l.], n. 5, p.193–216, 2012. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rbcp/article/view/1761.
    Último acesso em: 25 de abril de 2026.
    DAGNINO, Renato, et al. Sobre o marco analítico-conceitual da tecnologia social. Tecnologia social: uma estratégia para o desenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundação Banco do Brasil, 2004, 65-81.
    FOSTER, Lila Silva. Filmes domésticos: uma abordagem a partir do acervo da Cinemateca Brasileira. 2010. Dissertação de mestrado. Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). São Carlos.