Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Tuani Awade Nunes da Mata (UFMT)

Minicurrículo

    Tuani Awade Nunes da Mata é jornalista, mestra em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder (PPGCOM/UFMT) e doutoranda em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT). Atualmente pesquisa sobre a representatividade negra em seriados de televisão.

Ficha do Trabalho

Título

    A representação do negro no seriado The Cosby Show

Resumo

    Este trabalho tem como objetivo analisar as representações do negro no seriado The Cosby show, observando se as características atribuidas aos personagens retratam ou não a população negra da época. O programa, que foi exibido na década de 1980, é marcado por sua alta popularidade, sendo a primeira sitcom a retratar uma família negra de classe média-alta em horário nobre.

Resumo expandido

    Lançado em 1984 nos Estados Unidos, pela rede National Broadcasting Company (NBC), The Cosby show foi considerado um marco na televisão americana por ser a primeira sitcom a retratar uma família negra de classe média-alta em horário nobre. Ao todo, o seriado teve um total de 201 episódios, distribuídos em 8 temporadas, sendo que apenas em sua primeira temporada o programa de televisão registrou a média de 20,5 milhões de telespectadores, com 24,2% da audiência do público-alvo nos Estados Unidos (FURQUIM, 2014).
    Entretanto, apesar dos altos índices de audiência e aclamação da crítica, muito se discute a respeito da representação de seus protagonistas, a família Huxtable, composta pelo médico ginecologista Cliff (Bill Cosby), a advogada Clair (Phylicia Rashad) e seus cincos filhos, Sondra (Sabrina Le Beauf), Denise (Lisa Bonet), Theo (Malcolm-Jamal Warner), Vanessa (Tempestt Bledsoe) e Rudy (Keshia Knight Pulliam). Desta forma, este trabalho tem como objetivo analisar a construção dos personagens negros da série, observando quais eram as características atribuidas a eles.
    Torna-se importante observar que Hooks (2023) destaca a pouca evidência dada aos personagens negros no audiovisual da década, que acabam ficando em segundo plano em relação aos brancos – o que não ocorre na série. Neste mesmo sentido, Fuller (1992) critica a forma como o Cosby Show aborda a negritude, já que muitas vezes os problemas raciais são ignorados. Porém a autora também evidencia elementos positivos do seriado, como o fato de termos negros bem-sucedidos, trazendo a ideia de possibilidade de ascensão social para o telespectador afrodescendente. Já Furquim (1999) explica que a ausência de temáticas raciais podem ser justificadas pela grande quantidade de audiovisuais que destacavam o preconceito racial na década de 80. Desta forma, o programa seria uma forma de encerrar as diferenças entre pessoas brancas e negras nos seriados.
    O interesse da pesquisa se justifica pela temática em questão, afinal de contas, os negros muitas vezes acabam sendo retratados de formas estereotipadas na televisão. Hall (2016) defende que a formação de estereótipos ocorre em locais onde se verifica extrema desigualdade de poder e, por isso, condutas associadas aos negros são retratadas de forma negativa. No entanto, os personagens do Cosby show, muitas vezes, são apresentados de forma idealizada, rompendo com a ideia de marginalização.
    Neste trabalho também utilizaremos as discussões levantadas por Ellis (2018 [1989]) e Kellner (2001) em relação à cultura e estética negra da década de 80, de forma a investigar de que forma a representação no seriado em questão está em desacordo com o espírito do tempo.

Bibliografia

    ELLIS, Trey. A nova estética negra. In: BEZERRA, Julio (org). Acorde: O cinema de Spike Lee. Rio de Janeiro: Furula Filmes, 2018, 156-173.
    FULLER, Linda K. The Cosby show: audiences, impact, and implications. Westport: Greenwood Press, 1992.
    FURQUIM, Fernanda. Trinta anos de The Cosby Show. Veja, 2014. Disponível em:https://veja.abril.com.br/coluna/temporadas/trinta-anos-de-8216-the-cosby-show-8217
    FURQUIM, Fernanda. Sitcom: Definição e história. Porto Alegre: FCF, 1999.
    HALL, Stuart. Cultura e representação. Rio de Janeiro: PUC – Rio, 2016, p.189-197.
    HOOKS, Bell. Cinema vivido: raça, classe e sexo nas telas. São Paulo: Elefante, 2023.
    KELLNER, Douglas. A cultura da mídia – estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. – Bauru, SP: EDUSC, 2001.