Ficha do Proponente
Proponente
- Cristina Stein Keune (UNESPAR)
Minicurrículo
- Mestranda em Cinema e Artes do Vídeo (PPG-CINEAV/Unespar – FAP), na linha Teorias e Discursos. Membro do grupo de pesquisa GPACS (Unespar/PPG-CINEAV/CNPq). Foi bolsista PIC/Fundação Araucária (2019) com pesquisa sobre Frank Capra. Bacharel em Cinema e Audiovisual pela Unespar, com formação parcial em Comunicação Institucional pela UTFPR.
Ficha do Trabalho
Título
- “É AMOR, NÃO É TARA!”: ANÁLISE DO CLICHÊ DE MORTE DAS PERSONAGENS SÁFICAS NAS TELENOVELAS BRASILEIRA
Eixo Temático
- ET 1 – CINEMA, CORPO E SEUS ATRAVESSAMENTOS ESTÉTICOS E POLÍTICOS
Resumo
- Nos últimos anos cresce a presença de personagens LGBTQIA+, sobretudo sáficas, no audiovisual, ainda marcada por ambiguidades. A pesquisa analisa a recorrente morte de lésbicas na TV brasileira, a partir de cinco personagens em sequência histórica (1970–1990). Com base em pesquisa bibliográfica e documental, articulamos autoras contemporâneas do vídeo a Butler e Foucault para compreender esse padrão narrativo e suas implicações socioculturais e políticas.
Resumo expandido
- Nos últimos anos, observa-se uma ampliação mais significativa na presença de personagens LGBTQIA+ nas produções audiovisuais, com destaque para as representações de mulheres sáficas. Embora esse movimento represente um avanço no campo da representatividade, ele ainda se insere em um processo recente e, portanto, marcado por ambiguidades. A maior visibilidade dessas personagens não implica, necessariamente, ruptura com estruturas narrativas tradicionais, frequentemente pautadas por dispositivos que reforçam marginalizações simbólicas. Assim, a conquista da visibilidade se apresenta de forma agridoce, pois, ao mesmo tempo em que inclui, também pode reiterar mecanismos de exclusão.
Partindo dessa problemática, a pesquisa investiga um destino recorrente atribuído a personagens lésbicas nas produções televisivas brasileiras: a morte. Tal recorrência levanta questionamentos sobre os padrões narrativos que atravessam essas representações e sobre os sentidos culturais e sociais associados a esses desfechos. O objetivo central consiste em analisar e estabelecer um paralelo entre cinco personagens sáficas — Paloma, Laís, Letícia, Leila e Rafaela — ao longo de três décadas (1970, 1980 e 1990), buscando compreender como a repetição desse final trágico se configura como clichê narrativo e quais significados adquire no interior da Indústria Cultural.
Ao investigar essas personagens em perspectiva histórica, a pesquisa evidencia continuidades e transformações nas formas de representação, considerando o contexto sociopolítico de cada período. A análise compreende a televisão como meio de comunicação de massa e agente formador de imaginários, capaz de construir narrativas que regulam, legitimam ou marginalizam determinadas existências. Assim, os desfechos trágicos são examinados não apenas como escolhas dramáticas, mas como manifestações de discursos mais amplos que atravessam a cultura.
Metodologicamente, o estudo se desenvolve por meio de pesquisa bibliográfica e documental. O diálogo com produções teóricas contemporâneas sustenta a análise crítica das obras, com destaque para Jéssica Souza (2025) e Gabriela Santos Alves (2024), que investigam os signos que atravessam os destinos dessas personagens. A pesquisa documental envolve o levantamento e análise de materiais audiovisuais e registros históricos das produções, permitindo uma leitura situada.
Do ponto de vista teórico, a pesquisa se ancora em Judith Butler (2022) e Michel Foucault (1996), cujas contribuições permitem compreender os mecanismos de produção, regulação e controle das identidades. A partir dessas perspectivas, analisa-se como certas existências são historicamente construídas como desviantes ou legítimas e como a cultura atua na manutenção da ordem cisheteronormativa.
Espera-se demonstrar que os finais trágicos recorrentes atribuídos a personagens lésbicas não são meros recursos narrativos, mas parte de um sistema de significação mais amplo. Esses desfechos refletem valores e tensões de uma sociedade que, ao mesmo tempo em que representa identidades dissidentes, também as submete a mecanismos de contenção, funcionando como alerta normativo diante de desvios dos padrões estabelecidos.
Bibliografia
- BASTOS, R.; SANTOS ALVES, G. Das Rafaelas: presença de personagens lésbicas nas telenovelas brasileiras (1998–2003). Comunicologia, v. 17, n. 1, 2024.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022.
FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. 9. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2015.
HAGEMEYER, J. A televisão e a construção da memória cultural. São Paulo: Humanitas, 2012.
SILVA, M. S. L. O responsável final pela censura chama-se audiência: lesbianidades, mídia e preconceito. História e Cultura, v. 10, n. 2, 2021.
SOUZA, J. Homoafetividade feminina: análise de Torre de Babel e Em Família. TCC (História) – UESPI, 2025.