Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Elisa Carneiro Muçouçah (Unicamp)

Minicurrículo

    Formada e Licenciada e em História pela Unicamp, realizou o mestrado e cursa o doutorado na Faculdade de Educação da mesma universidade na linha de História cultural e educação e no Laboratório de estudos visuais, sob a orientação do Professor Doutor Anderson Ricardo Trevisan. Trabalha como professora e pesquisadora na temática de cinema e gênero.

Ficha do Trabalho

Título

    Monstros de vestido: Representações do feminino monstruoso em cenas de baile escolar no cinema

Eixo Temático

    ET 1 – CINEMA, CORPO E SEUS ATRAVESSAMENTOS ESTÉTICOS E POLÍTICOS

Resumo

    A presente comunicação pretende investigar as abordar a formas como questões de gênero, sexualidade e adolescência são representadas dentro do gênero fílmico do terror através de um estudo que se debruçará sobre cenas de festas escolares. Para tanto, serão comparados os filmes Carrie, a estranha (1975) – dirigido por Brian de Palma – e Garota infernal (2009) de Karyn Kusama.

Resumo expandido

    A presente comunicação pretende investigar as abordar a formas como questões de gênero, sexualidade e adolescência são representadas dentro do gênero fílmico do terror através de um estudo que se debruçará sobre cenas de festas escolares. Para tanto, serão comparados os filmes Carrie, a estranha (1975) – dirigido por Brian de Palma – e Garota infernal (2009) de Karyn Kusama. O texto deriva de uma pesquisa de doutoramento em andamento que tem como objetivo investigar sob um prisma interseccional o feminino monstruoso dentro do cinema de terror, analisando, além das obras já mencionadas: Possuída (2000) e Grave (2016) – trabalhos de John Fawcett e Julia Ducournau. Devido ao seu caráter transdisciplinar, a questão da qual se ocupa o presente trabalho, demanda a mobilização de uma bibliografia vasta e abrangente dentro de diferentes áreas, estendendo-se desde os estudos cinematográficos, passando pela sociologia e história da arte, até os estudos sobre gênero e adolescência.
    Do ponto de vista epistemológico, os filmes serão entendidos a partir da ótica do historiador da arte Pierre Francastel, que entende que os estudos das imagens não devem servir como mera ilustração para a investigação social, uma vez que, enquanto fonte, a arte tem a potencialidade de produzir sentidos e conhecimento em seus próprios termos, podemos pensar em uma linguagem ou um pensamento visual – nos termos do autor – da mesma forma que pensamos linguagem matemática ou computacional. Da mesma forma, o cinema, bem como as demais fontes imagéticas, não pode ser compreendido como reflexo do mundo social, mas sim, na definição do historiador Peter Burke, como uma testemunha ocular, construída a partir de uma perspectiva histórica e socialmente localizada. A Metodologia empregada para análise fílmica será a proposta do sociólogo francês, Pierre Sorlin, que propõe a decupagem das obras para que, através do estudo plano à plano, possa-se encontrar pontos de fixação, isto é, intersecções dentro da amostra documental.
    Para abordar as questões de gênero, a pesquisa apoia-se na definição do conceito de Joan Scott que o entende tanto enquanto uma dimensão simbólica socialmente construída a partir das diferenças percebidas entre o sexo quanto como uma categoria que organiza o mundo social – simbólica e materialmente – através de relações hierárquicas de poder também historicizáveis. Já a noção chave para o trabalho, do monstruoso feminino foi cunhada por Barbara Creed, apoiando-se nos estudos de Julia Kristeva sobre o abjeto, para dar conta das representações de mulheres monstruosas no cinema de terror, particularmente no que se refere ao cinema Hollywoodiano.

    Por fim, para dar conta da temática da adolescência e das formas como esta categoria á articulada nas cenas de baile escolar nos filmes de terror, propõe-se a mobilização de autores que pensam as representações de adolescência – e como esta se relaciona as noções de gênero e sexualidade para – dentro do cinema. Para tanto, a obra Rethinking the Hollywood Teen movie (2017) na qual o autor Frances Smith organiza os estudos sobre os “filme adolescentes” – em seus variados possíveis sentidos – e propõe uma abordagem analítica que debata gênero, sexualidade, classe e identidade a partir dos filmes estudados, foi a principal referência empregada.

Bibliografia

    BURKE, Peter. Testemunha ocular: o uso de imagens como evidência histórica. SciELO-Editora UNESP, 2017.
    CREED, Barbara. Horror and the Monstrous-Feminine: An Imaginary Abjection. In: GRANT, Barry Keith (Ed.). The dread of difference, gender, and horror film. University of Texas Press, 2015.
    CLOVER, Carol J. Men, women, and chain saws: gender in the modern horror film-updated edition. Princeton University Press, 2015.
    FRANCASTEL, Pierre. A realidade figurativa: elementos estruturais de sociologia da arte. EDUSP, São Paulo, 1973.
    LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. In: Hollanda H, organizadora. Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
    SCOTT, Joan Wallach. Gender as a useful category of historical analysis. In: Culture, society and sexuality. Routledge, 2007.
    SMITH, Frances. Rethinking the Hollywood teen movie: Gender, genre and identity. Edinburgh University Press, 2017.
    SORLIN, Pierre; BUDINI, Luca S. Sociologia del cinema. Milano