Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Marco Antonio Visconte Escrivão (PPGIS/ UFSCAR)

Minicurrículo

    Marco Escrivão é mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som da UFSCar, onde também foi Professor Substituto. Seus estudos concentram-se na intersecção documentário, memória e ditadura civil-militar brasileira. É também realizador com atuação pelo interior paulista, com 7 filmes dirigidos, dos quais 4 debruçam-se sobre temas relacionados à ditadura.

Ficha do Trabalho

Título

    Documentários produzidos no interior paulista e a ditadura civil-militar: um olhar em plano geral

Eixo Temático

    ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS

Resumo

    Este trabalho apresenta um levantamento de documentários produzidos no interior paulista entre 2011 e 2025 sobre a ditadura civil-militar brasileira. O estudo visa compreender como o interior tem elaborado as memórias deste período, partindo do pressuposto de que a história não ocorre apenas nos grandes centros. Além de um agrupamento temático e análise estética, o estudo busca identificar as formas de financiamento como fator fundamental para refletir sobre a construção de memórias.

Resumo expandido

    Partindo da indagação sobre como o interior paulista elabora cinematograficamente suas memórias sobre a ditadura civil-militar brasileira, esta comunicação apresenta levantamento de documentários produzidos no interior paulista que versam sobre a ditadura civil-militar brasileira, realizados entre 2011 e 2025.
    O estudo avança sobre os filmes encontrados, buscando primeiro agrupá-los em subtemas, depois identificar ferramentas audiovisuais que realizadores utilizaram para contar suas histórias e, posteriormente, lançar um olhar sobre as formas de financiamento, apontando quais políticas públicas têm possibilitado realização documental e, consequentemente, a produção de memória sobre o período no interior paulista ou seja, a descentralização dessa memória frente às imagens já monumentalizadas do período.
    Ao se propor a encontrar documentários produzidos no interior paulista sobre este período da história do país, tem-se como alicerce a reflexão sobre a produção de memória considerando uma possível diferenciação em relação à capital no que concerne às formas de produção, formas sociais e, possivelmente, formas estéticas, já que muitas vezes apartados em relação aos acessos à fruição de bens culturais e de meios de produção e circulação.
    Ressalta-se que o interior paulista não deve ser traduzido como uma unidade homogênea de arranjos econômicos e culturais, produzindo, portanto, filmes com algum tipo de unidade estética, mas com características múltiplas que, ao serem colocadas no mosaico da realização, podem apresentar um quadro da produção interiorana, com suas forças e debilidades.
    O levantamento foi realizado utilizando-se os Dados Abertos do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual – OCA, bases de dados universitárias e municipais, e uma chamada junto a pesquisadores e realizadores do ICINE – Fórum do Cinema do Interior Paulista. A somatória destes processos revelou um conjunto de 16 filmes, sendo 5 curtas-metragens, 7 médias-metragens, 4 longas-metragens.
    Nesta trilha, criamos 3 grupos distintos tentando unificar aspectos comuns com finalidade analítica. O primeiro denominou-se “Ditadura no interior”, e conta com 6 filmes que versam sobre histórias da ditadura civil-militar brasileira ocorridas no interior paulista. O segundo, “Mortos pela ditadura nascidos no interior”, conta histórias de militantes nascidos no interior paulista, com atuação nacional. O terceiro grupo denominou-se “A ditadura na história de cidades, indústrias ou pessoas”, e reúne filmes nos quais a ditadura aparece como um momento específico e não como tema principal.
    Após este processo, abrimos um novo eixo analítico, identificando financiamentos dos filmes levantados, algo que dá pistas sobre a produção documental interiorana em São Paulo e sua consequente construção de memórias. Foram identificadas 3 obras realizadas apenas com recursos próprios, apoios e parcerias. Os outros 13 filmes apresentaram algum tipo de financiamento público. Destes, apenas 1 apresenta financiamento federal, a partir de um extinto edital chamado Mídias Livres, o que aponta para o não acesso a políticas públicas federais de produção por realizadores interioranos.
    Outros 5 filmes foram realizados com verbas estaduais a partir do PROAC, 1 foi realizado a partir de lei e recursos estritamente municipais destinados a cultura e outros 4 foram realizados a partir da Lei Paulo Gustavo em âmbito municipal, jogando luz para a necessidade de descentralização de recursos em direção ao menor ente da federação, os municípios, locais onde a vida de fato acontece, possibilitando assim o acesso à realização cultural e, consequentemente, à produção de memória e identidade local.
    Partindo deste levantamento e adentrando as obras, desponta visualidade, formas de falar e contar além de histórias submersas. As formas fílmicas começam a aparecer. Um mosaico de produções que apontam uma relação entre a memória, o espaço interiorano e suas relações sociais e produtivas.

Bibliografia

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