Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Julia Loyola Moreira (ESPM-Rio)

Minicurrículo

    Julia Loyola é graduanda em Cinema e Audiovisual na ESPM-Rio.
    Atua na gestão do Núcleo de Direção de Arte Trama Coletivo e faz parte da coordenação geral discente do Festival Beta, festival de cinema universitário realizado na mesma instituição.
    Dentro de suas áreas de interesse estão a direção de arte, estudos de adaptações e questões de gênero.

Ficha do Trabalho

Título

    Hedwig and The Angry Inch: O processo de adaptação do palco às telas

Eixo Temático

    ET 2 – INTERMIDIALIDADES, TECNOLOGIAS E MATERIALIDADES FÍLMICAS E EPISTÊMICAS DO AUDIOVISUAL

Resumo

    Este trabalho analisa a adaptação do musical Hedwig and the Angry Inch para o cinema e seu posterior retorno aos palcos, lançando um olhar para as relações intertextuais envolvidas neste processo. Nele, propomos que a adaptação fílmica não apenas objetiva a sua reprodução, mas sim, a criação de algo novo. Para essa análise, a pesquisa pretende investigar as escolhas de direção de arte, evidenciando sua importância para a construção da visualidade do filme.

Resumo expandido

    O filme Hedwig and the Angry Inch (2001), traduzido no Brasil como “Hedwig – Rock, Amor e Traição”, é uma adaptação da peça musical do mesmo nome, co-criada por John Cameron Mitchell e Stephen Trask, cuja estréia foi em 1998, na Off-Broadway, em Nova Iorque. Essa narrativa é retomada em 2014 em uma remontagem do musical na Broadway, estrelada pelo ator americano Neil Patrick Harris.

    O recorte que propomos neste trabalho é parte de uma pesquisa desenvolvida na iniciação científica, iniciada em 2025, que surge do desejo de lançar um olhar para as relações intertextuais espiraladas (SOALHEIRO, 2014) deste processo adaptativo. Na pesquisa, o nosso objetivo principal reside em investigar as escolhas de linguagem e, mais especificamente, de direção de arte, realizadas no processo criativo da versão adaptada para, em um segundo momento, analisar quais as implicações dessas escolhas no processo de recepção e na memória da matéria ficcional (FIGUEIREDO, 2010) desse universo. Para isso, analisaremos as escolhas adaptativas de caracterização e figurino feitas na sequência musical “Wig in a Box”, presentes tanto no filme quanto na peça.

    Nossa hipótese é que a adaptação fílmica do musical Hedwig and the Angry Inch captura as especificidades da peça teatral, não apenas objetivando a sua reprodução, mas sim, a criação de algo novo em outra estrutura de linguagem, uma “repetição com diferença” (HUTCHEON, 2008). Assim como afirma Dorotéia Bastos: “a dramaturgia da imagem audiovisual se expande para além da mera execução tecnicista e apresenta aspectos de criação, a partir de imagens capazes de produzir narrativas de construção simbólica, de forma que a dramaturgia se torna a própria tessitura da cena” (BASTOS, 2023). Em seu texto, a autora atribui como gerador da dramaturgia da imagem audiovisual o trabalho da direção de arte na criação da visualidade fílmica, pois é na visualidade em que se estabelecem as relações de sentido.

    Propomos, ainda, que o processo adaptativo de Hedwig se aproxima do método de engajamento que privilegia o “mostrar”, questão intrínseca ao processo adaptativo que ocorre entre mídia visuais. Apesar de partilharem esse modo, o teatro e o cinema se diferem nas restrições e possibilidades específicas de cada mídia (HUTCHEON, 2013), portanto reconhecemos as diferenças presentes na fruição da experiência da arte entre essas duas produções distintas. Partimos da premissa que: “uma adaptação não é tanto a ressuscitação de uma palavra original, mas uma volta no processo dialógico em andamento” (STAM, 2008, p.21).

    Para este esforço analítico, lançaremos mão da metodologia de análise fílmica proposta por Bastos, Paiva e Medeiros, no livro “Imagens Em Movimento” (2023). Essa proposta metodológica consiste em analisar a obra fílmica a partir dos princípios da Direção de Arte, seguindo dois eixos de investigação, que se conectam: “o dos aspectos formais da materialidade cênica desenhada pelo Departamento de Arte para o set de filmagem; e o das suas reverberações no aspecto visual das imagens finalizadas, ou seja, na visualidade imagética” (Bastos;Paiva;Medeiros, 2023, p. 54). Através da análise do processo adaptativo de Hedwig e suas relações intertextuais, gostaríamos de evidenciar a importância da direção de arte na construção de visualidade do filme.

    Assim, o presente projeto é fruto de um reconhecimento da relevância dos estudos de adaptação pois ele lança um olhar para as relações entre as artes, criando novas abordagens de leituras para obras no contemporâneo. Além disso, o projeto oferece uma análise utilizando metodologias que visam a direção de arte e seu papel na construção de uma obra audiovisual, reconhecendo a importância dessa área e contribuindo para o desenvolvimento desse campo de pesquisa.

Bibliografia

    BASTOS, Dorotea S. ; PAIVA, Milena L. ; MEDEIROS, Theresa. Apontamentos iniciais para uma metodologia de análise fílmica a partir da direção de arte. In: SUING, Abel et al. Imagens em Movimento. Lisboa: RIA Editorial, 2023.

    BASTOS, Dorotea S. Por uma dramaturgia da imagem audiovisual: direção de arte, narrativa e visualidade. In: FERREIRA, Benedito et al (Org.). Dimensões da direção de arte na experiência audiovisual. Rio de Janeiro: Nau, 2023.

    CRUZ, Marcela Dutra de Oliveira Soalheiro. Adaptação literária na cultura da convergência: clássicos e memória cultural. 2022. 184 f. Tese (Doutorado) -Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2022.

    FIGUEIREDO, Vera Follain de Figueiredo. Narrativas migrantes: literatura, roteiro e cinema. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2010.

    HUTCHEON, Linda. Uma teoria da adaptação. Florianópolis : Ed. da UFSC, 2013.

    STAM, Robert. A literatura através do cinema: Realismo, magia e a arte da adaptação. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008.