Ficha do Proponente
Proponente
- Heloísa Maria Ferreira Torres (UFPA)
Minicurrículo
- Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará e Bacharel em Cinema e Audiovisual pela mesma instituição, desde 2021 desenvolve atividades de pesquisa no âmbito do NeoCine – Laboratório de Análise Neoformalista do Audiovisual da UFPA. Atualmente, seus principais interesses de pesquisa são cinema blockbuster e cinema digital.
Ficha do Trabalho
Título
- A lógica do cinema designed na construção da mise-en-scène do Universo Cinematográfico Marvel
Seminário
- Estética e Teoria da Direção de Arte Audiovisual
Resumo
- Esta pesquisa visa compreender como o Universo Cinematográfico Marvel (UCM), popular franquia de filmes de super-herói, utiliza técnicas de imagem gerada por computador (CGI) na construção de dispositivos de mise-en-scène digitais. Contextualizando nosso corpus dentro da lógica do cinema designed (Gurevitch, 2016), analisaremos por meio de abordagem neoformalista (Thompson, 1988) como é pensada a criação de três dispositivos de estilo (Bordwell, 2008) cujo design possui forma maquinal.
Resumo expandido
- Este trabalho se vincula à pesquisa de mestrado que objetiva compreender como filmes do Universo Cinematográfico Marvel (UCM) utilizam técnicas de imagem gerada por computador (CGI) na construção de dispositivos de mise-en-scène digitais, dentro da lógica do cinema designed (Gurevitch, 2016).
O UCM é uma grande franquia de filmes de super-heróis da Marvel Entertainment derivada das histórias em quadrinhos da Marvel Comics. A franquia tem início em 2008 com o lançamento do filme Homem de Ferro (dir. Jon Favreau) e, até 2025, possuía 37 filmes divididos em diferentes fases. Estes filmes são relevantes representantes do blockbuster na contemporaneidade, tendo em vista sua grande popularidade, a exemplo da presença no ranking das dez maiores bilheterias de todos os tempos.
Uma característica formal importante destes filmes é a ampla utilização de computação gráfica para a criação das diegeses, de ordem extraordinária, compostas por invasões alienígenas, viagens interdimensionais, cenas de ação eletrizantes, seres superpoderosos, entre outros elementos fantásticos. Recorrentemente tematizando a ciência e a tecnologia em suas narrativas, inclusive nas subfranquias de contextos mágicos ou mitológicos (Colorado, 2023), constituem a mise-en-scène do Universo Cinematográfico Marvel, personagens, cenários e objetos de cena cuja forma possui um caráter maquinal, mecânico, aspecto frequentemente ressaltado pelos realizadores em entrevistas e materiais de bastidores.
Assim, adotamos como recorte para nosso estudo estas máquinas que figuram as diegeses, dispositivos criados inteiramente ou com o auxílio de CGI. Para nossas análises, selecionamos três dispositivos tendo como guia a classificação das materialidades tecnológicas do UCM de Colorado (2023). Como exemplar das tecnociências, selecionamos Ultron, vilão do filme Vingadores: A Era de Ultron (dir. Joss Whedon, 2015). Para pensarmos as tecnomitologias, temos um cenário do mundo de Thor, o Observatório do Reino de Asgard e, por fim, escolhemos o Olho de Agamotto como um artefato tecnomágico do universo de Doutor Estranho.
A fim de compreender este modo de utilização da CGI voltada para formas de caráter mecânico, acionamos o conceito de cinema designed (Gurevitch, 2016) que nos fala da centralidade que os princípios do design auxiliado por computador (do inglês, computer-aided design, CAD) passaram a ocupar no cinema no século XXI, em decorrência na introdução da computação gráfica nas práticas cinematográficas. Segundo o autor, a confluência entre cinema e CAD agrega a esta arte um modo de ver o mundo de modo empírico, objetivo, tendo em vista que os softwares de CAD são ferramentas utilizadas para o design de produtos e bens de consumo produzidos industrialmente. Assim, o cinema designed seria aquele que celebra e espetaculariza estas formas próprias de um contexto industrial e entendemos que o UCM, ao dar destaque para elementos de natureza mecânica, se vincula a esta tendência.
Nossa pesquisa se vincula ao campo de investigações da Poética Histórica do Cinema (Bordwell, 1989) ao questionar-se acerca dos princípios constitutivos formais de obras cinematográficas e seus efeitos. Utilizando o Neoformalismo (Thompson, 1988) como abordagem analítica, verificaremos quais funções os dispositivos selecionados cumprem nas obras em que se inserem. Entendendo-os como dispositivos de estilo (Bordwell, 2008), nossa proposta é compreender como os aspectos visuais e sonoros que os constituem se relacionam com as narrativas e tensionar como escolhas próprias do processo de criação de objetos digitais, podem estar relacionadas com o conceito de cinema designed.
Bibliografia
- BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz: a encenação no cinema. Campinas: Papirus, 2008.
BORDWELL, David. Historical Poetics of Cinema. In: PALMER, R. Barton (org.). The Cinematic Text: methods and approaches. 3. ed. Nova Iorque: Amc Press, 1989. p. 369-398.
COLORADO, José de Jesús Guridi. La relación humano-tecnología en el universo cinematográfico Marvel. Journal Of Science Communication – América Latina, [S.L.], v. 6, n. 02, p. 1-17, 5 set. 2023.
GUREVITCH, Leon. Cinema Designed: Visual Effects Software and the Emergence of the Engineered Spectacle In: DENSON, Shane; LEYDA, Julia (ed.). Post Cinema: theorizing 21st-century film. Sussex: Refame Books, 2016. Cap. 3. p. 270-296.
THOMPSON, Kristin. Breaking the glass armor: neoformalist film analysis. Princeton: Princeton University Press, 1988.