Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Laryssa Gabriele Moreira do Prado (Unicamp)

Minicurrículo

    Laryssa Moreira Prado é doutoranda em Multimeios no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com bolsa CAPES. Em 2025, participou do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE – CAPES) na Universidad Nacional de Villa María (UNVM), Argentina. Mestra e Bacharela em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pesquisa a animação brasileira a partir de categorias de diferença, especialmente, o gênero. É integrante do Movimento Mulher Anima.

Ficha do Trabalho

Título

    A participação de mulheres brasileiras no Anima Mundi (1993–2019): dados e interpretações iniciais

Mesa

    Mulheres na animação no Brasil: formação, festivais e práticas experimentais

Resumo

    Esta pesquisa propõe levantar, identificar e esquematizar dados sobre as diretoras brasileiras que tiveram filmes exibidos no Festival Internacional de Animação do Brasil – Anima Mundi, de 1993 a 2019. Objetiva-se compor um cenário inicial de como essas realizadoras ocuparam espaços no festival levando em consideração o seu papel de gatekeeper cultural e a disparidade de gêneros na animação brasileira. A metodologia é quali-quantitativa a partir da análise dos 27 catálogos do evento.

Resumo expandido

    Esta pesquisa propõe levantar, identificar e esquematizar dados sobre as diretoras brasileiras que tiveram filmes exibidos nas mostras do Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi, de 1993 a 2019. Para além de uma abordagem quantitativa, pretende-se responder a perguntas como: em quais sessões as mulheres realizadoras estavam inseridas? Essas sessões eram competitivas ou não? Elas tiveram filmes premiados? Em quais categorias? Assim, pretende-se compor um cenário de como as mulheres na animação brasileira ocuparam espaços no festival. A metodologia de pesquisa se ancora na análise de informações publicadas nos 27 catálogos do Anima Mundi, produzidos pelos organizadores do evento.

    A escolha do Anima Mundi como fonte primária nesta investigação fundamenta-se na relevância do evento como um dos principais vetores para o desenvolvimento da animação brasileira a partir da década de 1990 (Queiroz, 2019). O impacto do festival pode ser percebido na comparação dos números antes e depois da sua criação. Até 1993, a produção nacional contabilizava 147 obras, enquanto entre 1993 e 2019, foram inscritas 6.031 animações brasileiras no Anima Mundi, em sua grande maioria, curtas-metragens Apenas no intervalo entre 2009 e 2019, a produção de filmes de animação no Brasil superou aquela registrada nos noventa anos anteriores (Queiroz, 2019).

    Em sua trajetória, o Anima Mundi conquistou o título de segundo maior festival de animação do mundo — sendo o primeiro lugar ocupado pelo Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, realizado desde 1960 — e o primeiro na América Latina (Aguilar, 2019). Suas atividades contribuíram para ampliar oportunidades e projetar o Brasil no cenário internacional (Silva, 2014). Nos últimos três anos de realização do festival (2017, 2018 e 2019), mais de 40 países estiveram representados em cada uma das edições.

    Ano a ano, a crescente consolidação do Anima Mundi possibilitou a exibição de milhares de obras, sobretudo por meio das mostras, segmento do evento especialmente voltado à formação de público, mas onde também circulavam profissionais, produtores e outros atores do mercado nacional e mundial. Nesse sentido, ao longo de seus “27 anos de vida”, o festival foi um importante gatekeeper cultural, operando como instância de seleção e legitimação simbólica ao definir quais filmes, narrativas e realizadores alcançariam visibilidade. Essas dinâmicas contribuíram, igualmente, para a formação do gosto do público especializado e não especializado (taste-making), além da própria constituição histórica da animação brasileira.
    A partir dessas reflexões, entende-se que o espaço ocupado pelas mulheres brasileiras no Anima Mundi foi, e ainda é, essencial para determinar a sua inserção, reconhecimento e validação como criadoras e autoras, seja na indústria ou na produção independente. Entretanto, ainda não há uma sistematização de dados sobre quem são elas. Entendendo a importância de sanar esta e outras lacunas sobre a produção feminina no festival e diante da desigualdade de gênero na animação brasileira (Schneider; Prado; Lindoso, 2025), este estudo propõe iniciar uma revisão do Anima Mundi a partir de um olhar direcionado às mulheres que dirigiram filmes exibidos de 1993 a 2019.

    Reitera-se que essa pesquisa é parte de atividades de escavação (Guerra, 2024) que o Movimento Mulher Anima tem realizado buscando “coletar, recolher e reunir fragmentos, imaginando o que está por trás das construções, (des)continuidades e rupturas que compõem a história da animação brasileira” (Schneider; Prado; Lindoso, p. 11, 2025), em especial em relação às mulheres, considerando que, até então, essa história tem sido protagonizada por homens, de forma a avançar na resolução de incômodos, tensões, opressões e desequilíbrios entre gêneros no campo (Schneider; Prado; Lindoso, 2025).

Bibliografia

    AGUILAR, Carlos. Brazil’s Anima Mundi Festival Is In Danger Of Not Happening After Its Funding Is Cut. Cartoon Brew, Wisconsin, 14 jun. 2019. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2026.

    GUERRA, Nayla. Apagamentos e Resistências: Curtas-metragens feitos por diretoras brasileiras (1966-1985). São Paulo: Alameda, 2024.

    QUEIROZ, Aída. Animação brasileira. Entre a liberdade de criação e o mercado. Cinémas d’Amerique latine. 27, p. 82-91, 2019. Disponível em: . Acesso em: 22 abr. 2026.

    SCHNEIDER, Carla; PRADO, Laryssa Moreira; LINDOSO, Patricia. Mulheres na animação brasileira: ensaio para um panorama histórico. In: RIBEIRO DA SILVA TAVARES, Mariana et al. (org.). Pesquisas em animação: conexões internacionais. v. 2. 1. ed. Belo Horizonte: Ramalhete, 2025. Recurso digital.

    SILVA, Michele Alessandra Fátima dos Santos. Panorama do Anima Mundi. Belo Horizonte, 2014. 38p. Monografia, Faculdade de Belas