Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Thiago Dias Cassis (UAM)

Minicurrículo

    Graduado em Comunicação Social pela FIAM-FAAM. Especializado em Teoria da
    Comunicação na Cásper Líbero, possui extensão em História da Arte pela PUC. É autor dos
    livros “Peloteiro” (2021) e “Lucca e a Traquitana” (2025). Coordenou o Depto. de Cinema da
    TV Record (2006-2013), sendo também responsável pela Classificação Indicativa.
    Organizou a 1ª Mostra de Cinema sobre Futebol (CineFoot) em Moçambique. Cursa o
    mestrado na Anhembi Morumbi onde pesquisa preservação e recuperação de acervos
    fílmicos.

Ficha do Trabalho

Título

    DO FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE AO LANTERNA MÁGICA, O EXPERIMENTAL NAS PRODUÇÕES DE ROBERTO MILLER

Eixo Temático

    ET 2 – INTERMIDIALIDADES, TECNOLOGIAS E MATERIALIDADES FÍLMICAS E EPISTÊMICAS DO AUDIOVISUAL

Resumo

    Nossa apresentação abordará a trajetória de Roberto Miller como eixo para compreender o
    cinema experimental brasileiro, do Foto Cine Clube Bandeirante ao programa Lanterna
    Mágica, exibido pela TV Cultura entre 1984 e 1993. Discutiremos a difusão de linguagens
    não comerciais na televisão aberta, e alicerçados em textos de Hito Steyerl trataremos
    também da perda de acervos audiovisuais, evidenciando os desafios da preservação da
    memória do cinema experimental no Brasil.

Resumo expandido

    Através do percurso do animador Roberto Miller, nossa apresentação buscará abordar o início das experimentações no audiovisual levadas adiante no Foto Cine Clube Bandeirante, chegando até o programa Lanterna Mágica exibido na TV Cultura entre 1984 e 1993 e que abriu espaço para obras experimentais e que não faziam parte do mainstream vigente.
    De forma modular ligamos temas que de maneira adjacente fazem parte da linha principal que nos propomos a traçar e que citamos no parágrafo anterior. Iniciamos através da participação de Miller nas atividades do Foto Cine Clube Bandeirante.
    Fundado em 1939, ainda como Foto Clube Bandeirante, foi importante pólo aglutinador em um momento de expansão da fotografia moderna no país. Na própria agremiação, vinte anos mais tarde, já em 1959, Roberto Miller publica o texto “Cinema Abstrato” no veículo de comunicação oficial do clube, o Boletim Foto-Cine, marcando o aparecimento do cinema experimental no contexto do clube paulistano.
    Neste ponto a figura do animador Norman Mclaren contribui para ligarmos os diferentes módulos propostos em nossa pesquisa, e criar unidade nas experiências de Miller entre o Foto Cine Clube Bandeirante e a criação do programa Lanterna Mágica na TV Cultura.
    Na ocasião da publicação do texto “Cinema Abstrato”, o animador brasileiro retornava de um estágio no National Film Board, no Canadá, que era dirigido pelo próprio Mclaren. As animações experimentais do escocês, produzidas através de intervenção direta na película, formato que foi de forma pioneira desenvolvida por Miller em terras brasileiras, chegaram a ser exibidas no Foto Cine Clube Bandeirante compondo inclusive um festival exclusivo: O Festival Mclaren.
    Já em 1984, é uma uma fala do próprio Norman Mclaren, que abre o então novo programa da TV Cultura, que em seus primeiros episódios se chamou apenas “Desenhos Animados”, para logo dar lugar ao seu título mais duradouro: “Lanterna Mágica”. Idealizado e dirigido por Roberto Miller, o programa trazia semanalmente ao público brasileiro conteúdos experimentais, principalmente animações, mas também
    entrevistas com diretores e profissionais da área e informações relevantes sobre equipamentos e técnicas de produção.
    Trataremos especificamente do conteúdo dos dois primeiros episódios do programa, que destacaram sobretudo, a chamada Escola de Zagreb de animações, departamento exclusivo para animações fundado em 1956 dentro da Zagreb Film.
    Diretores como Dušan Vukotić e Boris Kolar tiveram suas obras exibidas para o público brasileiro pelas ondas da TV Cultura. O Lanterna Mágica criou um espaço para o experimental e o abstrato.
    Permeando nosso trabalho, a questão do desaparecimento de arquivos se faz presente e será citada em diferentes momentos. Utilizando como apoio o texto “Em Defesa da Imagem Ruim”, de Hito Steyerl, vamos abordar a questão desde o sumiço da quase totalidade das produções fílmicas de Roberto Miller, até a inexistência da absoluta maioria dos episódios do programa Lanterna Mágica, o que mostra a triste realidade acerca do cuidado com a memória audiovisual brasileira. De acordo com Steyerl (2015), “a reestruturação neoliberal da produção midiática começou lentamente a obscurecer o imaginário não comercial, a ponto de deixar o cinema experimental e ensaístico praticamente invisível”. Esse raciocínio contribui no intuito de compreender o declínio do cinema experimental até seu desaparecimento físico, como citamos acima. A inacessibilidade, por questões burocráticas e financeiras, dos arquivos da TV Cultura também será tema de nossa apresentação.

Bibliografia

    FOSTER, L.S.. Cinema amador brasileiro: História, discursos e práticas.
    (1926-1959). 2016. 267 p. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São
    Paulo, 2016.
    MILLER, Roberto (Dir.). Episódio 01. in: DESENHOS ANIMADOS. São Paulo: TV
    Cultura, 1984. 26 min, son., color.
    MILLER, Roberto (Dir.). Episódio 02. in: DESENHOS ANIMADOS. São Paulo: TV
    Cultura, 1984. 31 min, son., color./pb.
    MORETTIN, Eduardo et al. (Org.). Cinema e história: circularidades, arquivos e
    experiência estética. Porto Alegre: Sulina, 2017. 438 p.
    STEYERL, Hito. Em defesa da imagem ruim. Tradução de Alexandre Barbosa de
    Souza. In: Revista Serrote, São Paulo, nº 19, p. 185-199, mar. 2015. São Paulo:
    Instituto Moreira Salles (IMS).