Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Carla Schneider (UFPel)

Minicurrículo

    Carla Schneider é professora e pesquisadora no curso Cinema de Animação na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Doutora em Comunicação e Informação (UFRGS, 2014) tem interesse na animação brasileira: mulheres, universitárias, dados históricos, educação e pesquisas. Participa de iniciativas como ‘Mulheres na Animação do Brasil’; o ‘Mulher Anima’ e a plataforma on-line ‘Acadêmicos da Animação’. Faz parte do comitê que fundou, organiza e o SeAnima – Seminário Brasileiro de Estudos em Animação.

Ficha do Trabalho

Título

    Universitárias na Animação Brasileira: egressas no Cinema de Animação da UFPel (2013–2025)

Mesa

    Mulheres na animação no Brasil: formação, festivais e práticas experimentais

Resumo

    Estudo retrospectivo sobre as egressas do Bacharelado em Cinema de Animação (UFPel, 2013–2025), integrante da linha de investigação ‘Universitárias na Animação Brasileira’. Utiliza dados do Portal Institucional da UFPel e créditos das produções coletivas do curso para compor uma amostra representativa que visa identificar e quantificar essas mulheres e os papéis que assumiram nas equipes, contribuindo para o debate sobre formação e inserção das profissionais brasileiras de animação.

Resumo expandido

    Esta pesquisa integra a primeira etapa do estudo ‘Universitárias na Animação Brasileira’, desenvolvido em parceria com o ‘Movimento Mulher Anima’, que futuramente será desdobrada em outras duas fases: o mapeamento dos cargos ocupados por egressas na indústria da animação e a análise da percepção dessas profissionais sobre sua inserção e as oportunidades neste mercado de trabalho no Brasil. Nessa primeira etapa, Laryssa Prado e Carla Schneider (2026) mapearam o ingresso de estudantes nos bacharelados em Animação da UFMG, UFPel e UFSC entre 2018 e 2025, revelando que as mulheres representam 50,8% dos ingressantes e são maioria em 60,5% das turmas analisadas. O presente estudo avança nessa direção, dedicando o olhar especificamente às egressas do Bacharelado em Cinema de Animação na UFPel e à sua trajetória enquanto universitárias, com recorte temporal da primeira turma formada (2013) à mais recente (2025).

    A presença majoritária das mulheres no espaço universitário ligado à animação não é um fenômeno recente. Em 2014, Faria constatou que 73% das mulheres que responderam ao seu censo possuíam ensino superior completo ou acima, contra 67% dos homens (Faria, 2015), ainda que sem especificar o tipo de curso realizado. Mais de uma década depois, Prado e Schneider (2026) confirmam essa tendência em bacharelados públicos dedicados à Animação da UFMG, UFPel e UFSC. Separados por doze anos, esses dois estudos apontam um movimento consistente: as mulheres têm ocupado o espaço universitário da animação em proporção igual ou superior à dos homens. O que ainda não se sabe é como essa presença se traduz ao longo da trajetória acadêmica e como elas chegam à formatura.
    Para responder a essa questão, este estudo identifica e quantifica as mulheres formadas no Bacharelado em Cinema de Animação da UFPel turma a turma, ao longo do período 2013–2025, rastreando como se distribuem nas equipes das produções coletivas do curso. Os dados das estudantes da UFPel são adotados como amostra representativa de um universo mais amplo que, futuramente, poderá contemplar as realidades da UFMG e da UFSC, em etapa a ser desenvolvida em parceria com pesquisadores dessas instituições. Essa investigação utiliza a abordagem quantitativa com suporte qualitativo (Gil, 2008; Creswell, 2010): os dados formandas e formandos são coletados são coletados no Portal Institucional da UFPel e sistematizados em planilha por ano, turma e gênero. A essa dimensão soma-se uma perspectiva que aprofunda o olhar: a autora atua como professora no curso desde 2010 e acompanha diretamente a vivência das estudantes em produções coletivas ao longo da graduação, filmes em animação 2D (segundo semestre), 3D (quarto semestre), stop-motion (quinto semestre) e de conclusão de curso (oitavo semestre). Essa presença contínua confere à pesquisa uma dimensão de observação participante (Flick, 2009), além da análise dos créditos finais dessas produções para identificar os papéis assumidos pelas mulheres nas equipes.

    Espera-se revelar, pela primeira vez de forma sistemática, quem e quantas são as mulheres formadas no Bacharelado em Cinema de Animação da UFPel entre 2013 e 2025, e quais funções assumiram nas equipes das produções coletivas ao longo da graduação. Esse panorama inédito contribui para o debate sobre formação, inserção e visibilidade das profissionais brasileiras de animação, alimentando a agenda de estudos sobre o fenômeno leaky pipeline (Smith et al., 2019) no contexto nacional, isto é, a constatação de que mulheres qualificadas não transitam para o mercado de trabalho na mesma proporção em que se formam. Ao documentar essa trajetória acadêmica, a pesquisa estabelece a base empírica e os caminhos metodológicos para as fases seguintes da investigação, voltadas à compreensão do que acontece após a formatura e à ampliação do olhar para os cursos da UFMG e da UFSC.

Bibliografia

    CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. Porto Alegre: Artmed, 2010.

    FARIA, C. A. G. Design da animação no Brasil: um censo demográfico. 2015. Dissertação (Mestrado em Design) – Escola de Design, Universidade do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015.

    FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.
    GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

    MULHER ANIMA. Mulheres na Animação no Brasil. Disponível em: https://mulheranima.pro/ e https://wp.ufpel.edu.br/mulheranima. Acesso em: 19 abr. 2026.

    PRADO, L. M.; SCHNEIDER, C. Universitárias na animação brasileira: presença nos cursos da UFMG, UFPel e UFSC. In: 6º SeAnima, UFPel, 2026.

    SMITH, S. L. et al. Inclusion in animation: investigating opportunities, challenges, and the classroom to the C-Suite pipeline. Los Angeles: USC Annenberg Inclusion Initiative, 2019.