Ficha do Proponente
Proponente
- Patricia Furtado Mendes Machado (PUC-Rio)
Minicurrículo
- Professora PPGCOM PUC-Rio. Jovem Cientista do Nosso Estado FAPERJ. Co-fundadora da REPIA- Rede de pesquisa de Imagens de Arquivo. Integrante do INCT Presres. Autora do livro Cinema de arquivo: imagens e memória da ditadura militar, finalista do Jabuti Acadêmico 2025.
Coautor
- Thais Blank (FGV CPDOC)
Ficha do Trabalho
Título
- Frentes feministas a partir do arquivo: os filmes Super-8 de Norma Bengell e a política do inacabado
Seminário
- Arquivo e contra-arquivo: práticas, métodos e análises de imagens
Resumo
- Esta comunicação analisa os filmes em Super-8 realizados por Norma Bengell no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, preservados em seu acervo pessoal depositado na Cinemateca Brasileira. Compostos majoritariamente por registros inacabados, íntimos e pouco conhecidos, esses materiais tensionam a historiografia clássica do cinema brasileiro e permitem repensar o cinema feminista a partir do arquivo.
Resumo expandido
- Esta comunicação analisa os filmes em Super-8 realizados por Norma Bengell no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, preservados em seu acervo pessoal depositado na Cinemateca Brasileira. Compostos majoritariamente por registros inacabados, íntimos e pouco conhecidos, esses materiais tensionam a historiografia clássica do cinema brasileiro e permitem repensar o cinema feminista a partir do arquivo e do fragmento. Em vez de compreender o inacabamento como falha ou insuficiência, a proposta parte da hipótese de que esses vestígios expressam uma intenção cinematográfica consistente, construída ao longo do tempo, apesar das condições de precariedade técnica, repressão política e marginalização institucional que marcaram a produção audiovisual de mulheres no Brasil.
A pesquisa parte do encontro com documentos e imagens que não obedecem à lógica da obra finalizada nem ao cânone cinematográfico: textos manuscritos e datilografados inconclusos, esboços de livro, anotações de pesquisa e registros fílmicos que sugerem um cinema em estado de gestação permanente. Em diálogo com as críticas à historiografia cíclica do cinema nacional — especialmente com a proposta de Pablo Gonçalo de incluir roteiros não filmados e projetos interrompidos na narrativa historiográfica —, argumenta-se que o inacabamento não constitui falha ou insuficiência, mas expressão de uma intenção cinematográfica consistente, construída ao longo do tempo apesar das condições de precariedade técnica, repressão política e marginalização institucional que marcaram a produção audiovisual de mulheres no Brasil.
Em diálogo com os estudos de cinema feminista, com reflexões sobre operações arquivísticas e com críticas às narrativas cíclicas da história do cinema nacional, argumenta-se que o gesto de filmar com uma câmera amadora se afirma como prática estética e posicionamento político. Os filmes, os textos e os projetos não realizados que compõem o arquivo de Norma Bengell configuram um conjunto coerente de desejos, rastros e escolhas formais que resistem à lógica da obra acabada e da canonização. Ao iluminar esses materiais como forma histórica e política, a comunicação propõe o arquivo feminista como espaço de construção de frentes críticas e de reinvenção da história do cinema brasileiro a partir de suas lacunas, silêncios e persistências.
Bibliografia
- BENGELL, N. Norma Bengell. São Paulo: Versos Editora, 2014.
BLANK, T. Cinema doméstico brasileiro (1920-1965). Curitiba: Editora Appris, 2020.
FOSTER, L. “Matizes da cultura jovem: imagens e imaginários em torno do Festival de Cinema Amador JB/Mesbla.” Estudos Históricos 34 (2021): 30-53.
GONÇALO, P. “Fábulas sem olhos: os roteiros não filmados na historiografia do cinema brasileiro.” E-Compós 23 (2020).
HOLANDA, K. “Por que não existiram grandes cineastas mulheres no Brasil?.” Cadernos Pagu (2020): e206006.
HOLANDA, K. & TEDESCO, M. (orgs). Feminismo e plural: Mulheres no cinema brasileiro. Campinas, SP: Papirus, 2017
SALLES GOMES, P.M. “Panorama do cinema brasileiro: 1896/1966.” In Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, 35-79. São Paulo: Brasi