Ficha do Proponente
Proponente
- José Victor de Almeida Sampaio (UFBA)
Minicurrículo
- José Victor Sampaio é graduado em publicidade pela Universidade Salvador – UNIFACS, autor e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Atualmente, realiza pesquisa sobre Evil Dead Rise (2023), do diretor Lee Cronin no VOLTA – Grupo de Estudos e Pesquisa em Cinema sobre Cinema Irlandês Contemporâneo.
Ficha do Trabalho
Título
- Reflexões sobre Evil Dead Rise (2023) de Lee Cronin, e The Evil Dead (1981), de Sam Raimi.
Eixo Temático
- ET 3 – FABULAÇÕES, REALISMOS E EXPERIMENTAÇÕES ESTÉTICAS E NARRATIVAS NO CINEMA MUNDIAL
Resumo
- Este trabalho propõe uma análise para Evil Dead Rise (2023), de Lee Cronin, articulando estudos sobre o cinema irlandês, o histórico e as características da franquia Evil Dead, além de discutir similaridades e diferenças com The Evil Dead (1981), de Sam Raimi. A investigação versa sobre como Cronin subverteu convenções narrativas, a partir da comparação com a obra que originou a série. A metodologia adotada é a análise de conteúdo (Bardin, 1977).
Resumo expandido
- A franquia Evil Dead ocupa uma posição de destaque entre os grandes nomes do terror estadunidense. O primeiro longa da franquia, The Evil Dead (1981), de Sam Raimi, foi uma produção independente, mas se destacou pela inventividade no trabalho de câmeras e pelo uso de efeitos práticos em um set de baixíssimo orçamento. Tal feito levou Jeffrey Weinstock (2013) a classificá-lo como um clássico cult e Lloyd Haynes (2021) a afirmar que este seria um dos filmes de terror mais dinâmicos e inventivos dos últimos 40 anos. Assim, a obra de Raimi se torna amplamente reconhecida no contexto cinematográfico hollywoodiano.
A partir desse marco, a franquia estabelece um repertório narrativo e estético caracterizado pelo isolamento geográfico, pela presença de grupos de jovens ameaçados por forças incontroláveis e por uma violência gráfica marcada por sangue e fluidos corporais (Haynes, 2021), compondo uma linguagem “ferozmente original” (Egan, 2011). Efetivamente, a narrativa acompanha acontecimentos horripilantes em uma cabana no meio da floresta, mas, no decorrer dos anos e a partir do trabalho de outros diretores, traços reconhecíveis da franquia foram modificados.
Em contraste com o modelo do primeiro filme, Evil Dead Rise (2023), dirigido pelo irlandês Lee Cronin, desloca a narrativa de um ambiente rural isolado para um espaço urbano claustrofóbico e substitui o grupo de jovens por um núcleo familiar, reconfigurando os códigos tradicionais da franquia, tensionando o horror físico característico da série com dimensões psicológicas e afetivas. Na obra de Cronin, o mal esgueira-se para o centro do ambiente doméstico evocando tensões próximas à rotina de muitas famílias, mas também situações indescritíveis de violência.
Tal reconfiguração pode ser analisada à luz de elementos da cinematografia irlandesa, considerando a origem de Cronin e a recorrência, nessa cinematografia, de narrativas que exploram o espaço doméstico como locus do terror e a transformação de figuras familiares em agentes de violência (Silva, 2024). Essa recorrência indica uma forma alegórica de lidar com traumas nacionais latentes na cultura irlandesa, como é comum em filmes ambientados na Irlanda e realizados por cineastas locais (Joyce, 2019). Neste caso, convém sublinhar que Cronin também explorou tensões entre membros da mesma família em seu filme anterior, The Hole in The Ground (2019). Nesse sentido, o filme articula convenções estéticas da franquia Evil Dead, especialmente do primeiro longa, com sensibilidades culturais específicas da Irlanda, produzindo um deslocamento proeminente em sua estrutura narrativa e estética.
Logo, este trabalho pretende responder à seguinte pergunta: como Evil Dead Rise manifesta aspectos do cinema irlandês, a partir da direção de Lee Cronin, em comparação com o primeiro filme da franquia Evil Dead? O objetivo geral é analisar Evil Dead Rise à luz de estudos sobre cinema irlandês e o histórico da franquia Evil Dead, discutindo diferenças e similaridades entre o longa de Cronin e The Evil Dead (1981), de Sam Raimi. Diante disso, este trabalho investiga de que modo a identidade irlandesa se manifesta na obra, articulando-se a códigos narrativos e estéticos da série. Metodologicamente, adota-se a análise de conteúdo proposta por Laurence Bardin (1977), estruturada em etapas de pré-análise, categorização e interpretação. A partir dessa abordagem, pode-se identificar núcleos temáticos recorrentes nos filmes. Tais elementos são analisados em articulação com o referencial teórico, evidenciando permanências e deslocamentos entre as obras de Raimi e Cronin. Ademais, o trabalho pode ampliar as discussões e investigações a respeito de cinematografias nacionais, em especial o cinema irlandês, que, por suas características, pode produzir sentidos que contribuem para debates sobre cultura e representação nacional no cinema e seus reflexos em outras franquias.
Bibliografia
- BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.
EGAN, K. The Evil Dead. New York: Columbia University Press, 2011.
EVIL DEAD RISE. Direção: Lee Cronin. Produção: Bruce Campbell, Robert Tapert e Sam Raimi. EUA: Warner Bros, 2023.
HAYNES, L. The Evil Dead. Liverpool: Liverpool University Press, 2021.
JOYCE, S. Congruent apprehensions of history in Irish horror cinema. In:
HOWELL, A.; GREEN, S. (org.). Haunted histories and troubled pasts: twenty-first-century screen horror and the historical imagination. New York: Bloomsbury Academic, 2024. p. 91–105.
SILVA, S. A morada do pesadelo – um estudo sobre terror doméstico no cinema irlandês. Tese. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2024.
THE EVIL DEAD. Direção: Sam Raimi. Produção: Bruce Campbell, Robert Tapert e Sam Raimi. EUA: New Line Cinema, 1981.
WEINSTOCK, J. A. Postmodernism with Sam Raimi. In: AHALID, A.; MORELAND, S. (orgs.). Fear and Learning: Essays on the Pedagogy of Horror. Jefferson, NC: McFarland, 2013.