Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    RENATO TREVIZANO DOS SANTOS (USP)

Minicurrículo

    Doutorando e Mestre pelo PPGMPA–USP, pesquisa realismo fantasmagórico queer no cinema espectral contemporâneo. Bacharel em Audiovisual–USP, foi curador de mostras no CINUSP (2016–2018), onde ministrou o curso “Monstros, fantasmas e santos no cinema queer contemporâneo” (2024) e, em 2025, debateu Mal dos trópicos nos 10 anos de Realismo fantasmagórico. Autor do livro de poemas Mágicas dores mínimas (2022). Vencedor do I Prêmio SOCINE de Teses e Dissertações (2023).

Ficha do Trabalho

Título

    Espaços limítrofes em O fantasma (2000) e O ornitólogo (2016), de João Pedro Rodrigues

Seminário

    Cinema e Espaço

Resumo

    A partir de O fantasma (2000) e O ornitólogo (2016), de J. P. Rodrigues, observamos como os espaços limítrofes figuram nos filmes, redundando em borramentos de fronteiras em termos de sexualidade e (anti-)identidades queer. O fantasma percorre as noites de Lisboa ao acompanhar seu protagonista, Sérgio, que trabalha como coletor de lixo urbano. Já O ornitólogo segue a trajetória mítica e corpórea de Santo António de Lisboa/Pádua, em trânsitos pela floresta que marca a fronteira Portugal–Espanha.

Resumo expandido

    Observamos, a partir de dois longas-metragens de João Pedro Rodrigues, O fantasma (2000) e O ornitólogo (2016), como os espaços limítrofes repercutem em questões estranhas (queer) nos filmes, especialmente em termos de sexualidade e (anti-)identidades. Em O fantasma, o protagonista Sérgio trabalha como coletor de lixo urbano em Lisboa, circulando pela cidade em horários também limítrofes, quando os espaços se encontram vazios; além disso, por sua ocupação vista com preconceito, ocupa de pronto um lugar marginal, igualmente liminar, que veremos aprofundado no cruzamento de outras fronteiras, humano-animais, pelo personagem, que ganhará por fim o destino do não lugar e do não ser. O ornitólogo, por sua vez, parte de uma zona limítrofe geograficamente — de fato, a fronteira entre Portugal e Espanha, com a floresta e o rio — e expande o cruzamento de fronteiras entre o material e o mítico, o erótico no qual está contido o sagrado, ao abordar o mito de Santo António de Lisboa/Pádua em sua incursão corpórea e arquetípica pela mata. Ambos os filmes abordam, a partir de espaços limítrofes (as ruas vazias à noite, o lixão, a floresta, o rio), outros limites e fronteiras, que envolvem o erotismo e as anti-identidades queer, com performances de despojamento e transgressão das normas identitárias.

Bibliografia

    CAVALCANTE, J.V. de S. “Cosmologias errantes: paisagem, corpo e alteridade em O Ornitólogo”. In: Imagofagia: Revista de la Asociación Argentina de Estudios de Cine y Audiovisual, N. 21, 2020, p. 11-34.
    HODGSON, J. “Considering Fetishism in João Pedro Rodrigues’s O Fantasma”. PLCS — Portuguese Literary & Cultural Studies. 29 jun. 2021.
    LOURO, G.L. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
    MENDES, J.M. (org.). Novas & velhas tendências no cinema português contemporâneo. Lisboa: Gradiva, 2013.
    PEDROSA, J.L. “O pau duro do Chacal”. In: Multiplot! — Revista de Cinema. 5 mar. 2023.
    PORTO, S.P. O cinema como construtor do ser: um ensaio sobre o discurso cinematográfico de O Fantasma, de João Pedro Rodrigues. In: LOURENÇO, J.; LOPES, P. (orgs.). Comunicação, Cultura e Jornalismo Cultural. Lisboa: NIP-C@M & UAL, 2021.
    ROSÁRIO, F.; DUARTE, J. ReFocus: The Films of João Pedro Rodrigues & João Rui Guerra da Mata. Edinburgh University Press, 2022.