Ficha do Proponente
Proponente
- Daiane Jaqueline Mendes (UNIP)
Minicurrículo
- Graduada em História (Licenciatura) pela Universidade Regional de Blumenau – FURB (2021). Mestranda e bolsista Capes no Programa de Pós-Graduação em Comunicação pela Universidade Paulista (UNIP). Tem interesse em pesquisas relacionadas à História e Cinema, Cinema de Horror e Representação feminina no cinema.
Ficha do Trabalho
Título
- O reflexo do olhar censório no filme “Espelho de Carne” (1984)
Eixo Temático
- ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS
Resumo
- Este trabalho analisa o filme “Espelho de Carne” (1984), de Antonio Carlos Fontoura, obra que articula elementos de horror e erotismo para explorar o desejo e a autodestruição. A pesquisa investiga a recepção da obra sob o prisma da censura no Regime Militar, utilizando os relatórios da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) como fonte primária. Objetiva-se compreender como o discurso oficial incidiu sobre as representações de homoerotismo e masculinidade na narrativa.
Resumo expandido
- O longa-metragem brasileiro “Espelho de Carne” (1984), escrito e dirigido no Rio de Janeiro por Antonio Carlos Fontoura, foi concebido a partir da peça de teatro de mesmo nome, escrita por Vicente Pereira. A peça nunca foi montada, mas foi entregue pelo dramaturgo a Fontoura para que dirigisse o filme e imprimisse sua versão – que, nas palavras do próprio diretor, adotou um tom mais voltado aos aspectos do fantasioso e do horror (Mostra Curta Circuito, 2025).
O longa, estrelado por elenco consagrado no cinema e na televisão, tem sua narrativa construída em torno de um espelho adquirido em um leilão pelo empresário Álvaro Cardoso (Denis Carvalho), como um presente à esposa Helena Cardoso (Hileana Menezes), que convida seus amigos (Daniel Filho, Joana Fomm e Maria Zilda Bethlem) para vislumbrar o novo objeto, posicionado no quarto do casal. A partir desse momento, o espelho se torna um protagonista que catalisa os desejos amorosos e sexuais de todas as personagens do filme, levando-as à autodestruição por meio da realização de desejos sexuais proibidos e, em alguns casos, violentos. Nesse sentido, Laura Cánepa (2008, p. 248) aponta como o filme possui tanto características oriundas da pornochanchada quanto de uma tradição de filmes de horror mais “clássicos” realizados na época, como os de Carlos Hugo Christensen e Walter Hugo Khouri.
Quando lançado nos cinemas, “Espelho de carne” gerou críticas controversas em torno da representação dos desejos sexuais das personagens, principalmente no que se refere às sequências homoeróticas entre os personagens interpretados por Denis Carvalho e Daniel Filho. À exemplo das críticas de Wilson Cunha e Arthur Dapieve, ambas no Jornal do Brasil (RJ).
Nesses aspectos, algumas leituras sobre o filme já foram realizadas em torno da representação LGBTQIAPN+, assim como estudos sobre masculinidade. Considerando que o lançamento do filme coincide com a identificação da pandemia da AIDS no começo dos anos 1980, o filme também já foi objeto de discussões em torno das representações da síndrome da imunodeficiência adquirida no cinema brasileiro (Marques, 2023).
Neste trabalho, nossa leitura sobre o filme terá como objeto a avaliação do filme encontrada em um ambientes de recepção específico: o extenso relatório de censura emitido pela Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), uma vez que em 1984 todos os filmes produzidos no Brasil precisavam da chancela do Regime Militar (1964-1985), ao serem submetidos ao órgão censório no intuito de receber aprovação para exibição. O relatório em questão mostra que o filme foi analisado por diversos censores, resultando em um documento de quase cem páginas, nas quais o aspecto mais representativo está em torno das cenas de homossexualidade, principalmente entre os dois homens (Couto, 2025). Desse modo, a proposta do trabalho (que faz parte de uma pesquisa mais ampla sobre diversos aspectos estéticos e políticos do filme “Espelho de Carne”) consiste em uma análise contextual do filme a partir do discurso censório.
Bibliografia
- MOSTRA CURTA CIRCUITO. Bate-papo sobre “Espelho de Carne”. Youtube. 27 nov. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Mhd7QrBj3Z4&t=119s. Acesso em: 06 abr. 2026.
CÁNEPA, Laura Loguercio. Medo de quê?: uma história do horror nos filmes brasileiros. Tese (Doutorado em Multimeios) – Universidade Estadual de Campinas, 2008.
MARQUES, HENRIQUE RODRIGUES. Fazendo o diabo: o horror e o espectro da aids em ‘Espelho de carne’. 2023. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).
COUTO, Giancarlo Backes. Discursos do olhar censório diante do cinema de José Mojica Marins (1964-1987). Tese (Doutorado em Comunicação) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2025.
MACHADO, Arlindo. O sujeito na tela: modos de enunciação no cinema e no ciberespaço. São Paulo: Paulus. 2007.
CUNHA, Wilson. A hora do Brasil. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Ed. 54, 1986, p. 8
DAPIEVE, Arthur. Pornochanchada chique. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Ed. 242, 1986, p. 8.