Ficha do Proponente
Proponente
- Andreson Silva de Carvalho (ESPM Rio)
Minicurrículo
- Atual professor de captação e edição de som do curso de cinema da ESPM Rio (2014-). Doutor em som para cinema e audiovisual pelo PPGCOM-UFF (2016). Ministrou aulas como professor substituto na graduação do curso de Cinema e Audiovisual da UFF (2004-2006). Foi professor de edição de som e desenho sonoro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro (2005-2014). Trabalhou em alguns curtas e longas-metragens nas áreas de desenho sonoro e edição de som.
Ficha do Trabalho
Título
- O atual crescimento da dublagem: uma das primeiras acessibilidades do cinema
Resumo
- A dublagem surge logo após o advento sonoro, muito antes da lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Lei 13.146/2015). Ela surge não como uma preocupação de acessibilidade, mas por um objetivo bem comercial: o de atrair mais público. Apesar disso, no Brasil, a legendagem era vista como a principal acessibilidade nos cinemas, principalmente, nas grandes cidades. Essa estrutura tem se modificado, com a dublagem crescendo significativamente. Qual seria o motivo por trás dessa mudança?
Resumo expandido
- Desde a lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Lei 13.146/2015), diversas formas de acessibilidade passaram a ganhar mais importância na estrutura das produções, distribuições e exibições no mercado cinematográfico brasileiro, dentre elas algumas estruturas ligadas à linguagem como: Libras, audiodescrição e legendas descritivas.
No entanto, muito antes do cenário político atual e de todas as discussões sobre inclusão, a dublagem e a legendagem foram as duas primeiras formas de acessibilidade disponíveis no audiovisual brasileiro, primeiramente nas salas de cinema e, posteriormente, nos televisores. Porém, as questões socioeconômicas envolvendo a decisão de dublar ou legendar uma produção estrangeira são muito mais amplas do que as existentes, por exemplo, na audiodescrição. A principal delas é que estas acessibilidades são fundamentais para a ampla maioria da população brasileira. Sem elas, somente pessoas com conhecimento fluente nas línguas dos países onde os filmes foram produzidos teriam condições de compreender amplamente suas histórias.
Para além dessas questões, nos últimos anos foi possível se perceber um aumento significativo de filmes dublados, em vez dos legendados, nas salas de cinema. Qual seria o motivo por trás deste crescimento e o que estaria levando à legendagem a perder espaço?
O mercado exibidor aponta para uma preferência do público por filmes dublados em vez de legendados, acabando por incentivar que as salas de cinema ofereçam um número cada vez maior de filmes e horários com esta opção. Se antigamente filmes dublados eram mais comuns em cidades do interior e em sessões de filmes infantis, atualmente o número de filmes dublados tem aumentado independentemente do gênero e da faixa etária do público-alvo.
Este crescimento, segundo pesquisa do Datafolha, foi atrelado à ascensão de milhares de brasileiros à classe C, permitindo que uma grande parcela da população passasse a ter acesso aos cinemas e TVs por assinatura. Um público que cresceu acostumado a assistir filmes dublados na TV aberta e que levaram consigo esta preferência para outras plataformas.
Outra questão que pode ser analisada, mesmo não se tratando do motivo inicial para este crescimento, é que uma pessoa com deficiência visual, que necessita do auxílio da audiodescrição para assistir a um filme, não pode fazer isso durante uma sessão legendada, já que a pessoa teria de ouvir ao filme com o áudio original e à audiodescrição em português.
Mais recentemente, em 2021, de acordo com dados divulgados pela ingresso.com, mais de 73% dos bilhetes de cinema, comprados em sua plataforma, foram para filmes dublados. E, ainda nos primeiros meses de 2022, cerca de 82% dos ingressos vendidos para o blockbuster ‘Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa’ foram para sua versão dublada.
E como fica o público que prefere assistir aos filmes e séries com o som original?
Nos streamings essa batalha vem acontecendo há mais de uma década, desde que muitos dos canais perceberam que as produções dubladas estavam atraindo mais público e começaram a investir cada vez mais para oferecer esta opção. Tanto que alguns streamings passaram a colocar a versão dublada como a principal opção para as contas brasileiras e, em alguns casos, chegaram a não mais oferecer a versão legendada com áudio original, o que levou Bruno Carvalho a criar, em 2012, juntamente com a sociedade de Blogs e Séries, o movimento #DubladoSemOpçãoNão!, numa petição online que chegou a angariar 9.648 assinaturas, conseguindo reverter o posicionamento de alguns canais, como a Sony, que entendeu a importância de manter as duas opções.
Já nas salas de cinema, aqueles que preferem assistir à versão original começam a sentir o gosto amargo de ter que planejar muito bem em qual sala e horário irão assistir aos seus filmes preferidos, já que, com menos opções, torna-se cada vez mais difícil sair de casa sem um planejamento prévio, assim como acontecia, há alguns anos, com as pessoas que preferem filmes dub
Bibliografia
- BENEDETTI, Ivone C.; SOBRAL, Adail. Conversas com Tradutores: balanços e perspectivas da tradução. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
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FREIRE, Rafael de L. Dublar ou não dublar: a questão da obrigatoriedade de dublagem de filmes estrangeiros na televisão e no cinema brasileiros. In Revista FAMECOS. Porto Alegre, v.21, n.3, p. 1168-1191, set.-dez. 2014.
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MACHADO, Nelson. Versão Brasileira. E-book: Publicação independente, 2004.