Ficha do Proponente
Proponente
- NINA VELASCO E CRUZ (UFPE)
Minicurrículo
- Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004). Atualmente é Professora titular da Universidade Federal de Pernambuco, atuando como docente do curso de Cinema e Audiovisual e como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação na linha de Pesquisa Estética e Culturas da Imagem e do Som.
Ficha do Trabalho
Título
- Atlas Tentacular: ficção especulativa e gestopia na obra de Dea Ferraz
Mesa
- Cinema, Arte, Política – entre deslocamentos e invenções I
Resumo
- A partir da videoinstalação Atlas Tentacular (2026), de Dea Ferraz, a sessão propõe articular exibição, entrevista ao vivo e reflexão teórica sobre o conceito de “gestopia”. A proposta investiga como gesto e afeto operam na construção da imagem contemporânea, mobilizando autores como Agamben, Didi-Huberman e Spinoza. Ao tensionar os limites do dispositivo cinematográfico, busca discutir as relações entre ficção especulativa, videoarte e a possibilidade de uma dimensão utópica da imagem.
Resumo expandido
- Serão levantadas questões conceituais articuladas ao processo de criação da autora, especialmente no que diz respeito ao conceito de “gestopia”, postulado em sua tese, recém defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco em março de 2026. Com esse propósito, Dea será estimulada a rediscutir trabalhos anteriores que engendraram esse conceito, como os filmes Agora (2020) e Segunda Pele (2026), além de evocar os autores e ideias que fundamentaram esse conceito, como Giorgio Agamben, Didi-Huberman e Spinoza. A intenção é discutir se e como a ideia de “gestopia” consegue articular as diferentes concepções do que seria “gesto” para esses autores com o conceito de “afeto” mobilizado por Dea para pensar a corporeidade da imagem criada em seus filmes.
Procuraremos também ressaltar as diferenças formais e temáticas entre os filmes mais recentes de Dea e alguns trabalhos mais antigos, como o filme Câmera de Espelhos (2016), quando o dispositivo proposto ainda se enquadrava de forma menos tensionada com a tradição do gênero documentário. Dessa maneira, pretendemos não apenas colocar a filmografia da cineasta em questão, mas também ouvir as preocupações que fizeram a autora se deslocar para o campo estendido da videoarte.
No que diz respeito ao processo criativo da videoinstalação Atlas Tentacular, Dea também será provocada a refletir sobre a influência de autoras como Isabelle Stengers, Donna Haraway, Anna Tsing no que diz respeito à proposição de novas formas de “ficarmos com os problemas” do mundo em que habitamos e das relações que estabelecemos com as demais espécies com as quais convivemos. Questões como: de que forma a ficção especulativa pode nos ajudar a criar imagens gestópicas? Por que foi necessário questionar a própria imagem cinematográficas nos limites de seu dispositivo clássico para dar conta dessa especulação? Ou ainda, questões que vão além, como: Pode uma imagem realizar uma utopia? Há ainda lugar para a utopia?
Bibliografia
- AGAMBEN, Giorgio. Notas sobre o gesto. Artefilosofia, n.4, Ouro Preto, jan. 2008, p. 9-16.
_______________. Por uma ontologia e uma política do gesto. In: www.chaodafeira.com Caderno de Leituras n.76, 2018.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Povo em lágrimas, povo em armas. São Paulo: n-1 edições,
2022.
_______________. Que emoção! Que emoção! Tradução: Cecília Ciscato.
Editora 34: São Paulo, 2016
HARAWAY, Donna. Seguir com o problema de Donna Haraway. Tradução: Ana Luiza Braga, Caroline Betemps, Cristina Ribas, Damián Cabrera e Gulherme Altmayer. São Paulo: N-1 Edições, 2021
SPINOZA, B. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica
Editora, 2009.
STENGERS, Isabelle. Reativar o animismo. Tradução de Jamille Pinheiro Dias. Caderno de Leituras, Belo Horizonte, n. 62, [p. 1-15], maio 2017.
TSING, Anna. O cogumelo no fim do mundo: Sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo. N-1 Edições: São Paulo. 2022
TSING, Anna. Viver nas ruínas: paisagens mulliespécies no antropoceno. Edi