Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Thálita Mota Melo (USP)

Minicurrículo

    Thálita Motta é encenadora, diretora de arte, performer e pesquisadora mineira. Doutora em Artes pela UFMG, desenvolve desde 2010 trabalhos entre teatro, performance e audiovisual. Foi docente na UFOP, CEFART/Palácio das Artes e TU/UFMG. Integra a editoria da Revista Subtexto (Galpão Cine Horto) e o Coletivo Mulheres Encenadoras. Fundou a Guaiú Filmes (2023) e realizou residência na FAI-AR (França). É pós-doutoranda na ECA-USP, pesquisando atuação no cinema contemporâneo.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre o épico e o performativo: atores ocasionais no cinema mineiro contemporâneo

Resumo

    A comunicação apresenta reflexões iniciais sobre o conceito de atores ocasionais no cinema mineiro contemporâneo, formulado para pensar modos de atuação marcados pela intermitência entre experiência social e representação. A partir da análise de práticas de direção e preparação de elenco, investiga-se uma temporalidade própria da atuação que desloca distinções estabilizadas entre ator e não-ator, contribuindo para o campo dos estudos da atuação no cinema brasileiro.

Resumo expandido

    Esta comunicação apresenta reflexões iniciais de uma pesquisa dedicada à atuação de atores ocasionais no cinema mineiro contemporâneo, com ênfase nas obras realizadas a partir de 2010 e na produção mais recente posterior a 2022. A pesquisa propõe a formulação desse conceito como ferramenta analítica para compreender modos de atuação marcados por temporalidades específicas de inserção no campo audiovisual, caracterizadas pela intermitência entre experiências sociais, trajetórias não contínuas de profissionalização e processos colaborativos de criação cinematográfica.
    Parte-se da proposição de uma distinção inicial entre atores ocasionais, figurantes e personagens de inscrição predominantemente documental. O termo é mobilizado para designar intérpretes não profissionais que ocupam posições centrais na construção dramática dos filmes e que frequentemente participam dos processos de criação como agentes ativos da elaboração estética das obras. Trata-se de sujeitos que, sem a pretensão inicial de consolidar uma carreira continuada na atuação, mantêm com o cinema uma relação marcada por certa transitoriedade, podendo reaparecer em diferentes projetos ao longo do tempo, mas cuja presença interfere de maneira decisiva na configuração formal e expressiva dos filmes em que participam.
    A aproximação com a noção de ator-autor (“the actor as auteur”), formulada por Patrick McGilligan (1975) a partir da análise da participação de James Cagney no cinema clássico norte-americano, permite um deslocamento produtivo do conceito para o contexto do cinema brasileiro contemporâneo. Ainda que originalmente situada no interior do star system hollywoodiano, essa noção contribui para compreender como determinados atores ocasionais, mesmo sem trajetória consolidada no campo cinematográfico, participam ativamente da construção dos regimes de presença, das inflexões dramáticas e das soluções expressivas que estruturam os filmes em que atuam, configurando formas de autoria compartilhada que redistribuem o lugar tradicionalmente atribuído à direção.
    No campo dos estudos cinematográficos, os termos “não-ator” e “ator não profissional” são frequentemente empregados de maneira intercambiável para designar intérpretes sem formação técnica institucionalizada ou experiência continuada em atuação. Como observa Miguel Gaggiotti (2023), a esses termos somam-se ainda outras designações historicamente mobilizadas para nomear esse tipo de presença — como ator amador, ator natural, type, naturshchik ou modelo — cuja coexistência evidencia menos uma imprecisão terminológica do que a heterogeneidade das formas de atuação não profissional no cinema. Nesse sentido, a preservação dessas diferentes categorias constitui um recurso analítico relevante para compreender como distintos regimes de performance participam da construção formal e expressiva de cada filme.
    A distinção entre atores amadores, não profissionais e não-atores permite, assim, deslocar a discussão de uma oposição simplificadora entre técnica e espontaneidade para uma análise mais precisa das modalidades de presença que atravessam o cinema contemporâneo. Nesse contexto, a noção de atores ocasionais busca contribuir para esse campo ao enfatizar não apenas a condição não profissional desses intérpretes, mas sobretudo a temporalidade específica de sua relação com o cinema e sua participação ativa na constituição estética das obras.
    De modo geral, esses intérpretes não chegam aos filmes por meios convencionais de seleção, como agências especializadas ou processos tradicionais de casting, construindo performances cinematográficas singulares a partir da fotogenia, de marcadores sociais e territoriais e de experiências corporais situadas, mais do que de repertórios técnicos estabilizados ou trajetórias profissionais consolidadas. Em filmes como Baronesa, Arábia, Bate e Volta Copacabana e Terra Gasta, a presença desses intérpretes participa diretamente da construção de novas corporalidades, gestualidades e modos

Bibliografia

    Referências bibliográficas iniciais
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    FÉRAL, Josette