Ficha do Proponente
Proponente
- YANET AGUILERA VIRUEZ FRANKLIN DE MATOS (UNIFESP)
Minicurrículo
- Professora de História do cinema do departamento de História da Arte, fundadora do Colóquio de Cinema e Arte na América Latina. Publica artigos e organiza livro com temáticas de filosofia, estética, política, cinema, arte e América Latina.
Ficha do Trabalho
Título
- Cinema, imagem e trabalho feminino
Seminário
- Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas
Resumo
- Trata-se de pensar o trabalho das mulheres nas minas como participação ativa e significativa nos processos econômicos que tem como uma das fontes principais a mineria, como é o caso da da Bolívia. Do filme “Mujeres de la mina”, de 2014, de Loreley Unamuno e de Malena Bystrowicz e várias outras imagens sobre o trabalho, num período de 4 séculos na região mineira para pensar se as arte mostram ou não uma continuidade dos processos sociais e econômicos envolvendo as trabalhadoras.
Resumo expandido
- Trata-se de pensar o trabalho das mulheres nas minas como participação ativa e significativa nos processos econômicos que tem como uma das fontes principais a mineria, como é o caso da da Bolívia. Do filme “Mujeres de la mina”, de 2014, de Loreley Unamuno e de Malena Bystrowicz e várias outras imagens sobre o trabalho, num período de 4 séculos na região mineira para pensar se as arte mostram ou não uma continuidade dos processos sociais e econômicos envolvendo as trabalhadoras. O filme “Mujeres de la mina” é um documentário que entrevista a legendária mineira, Domitila Chungara ,e mais duas mulheres sobre seu trabalho nas minas. Em geral, quando tratam das mulheres trabalhadoras, específicamente das mineiras, os filmes se detém nas questões de gêneros – tais como a relação com os homens mineiros, os tabus (por exemplo, as mulheres não podiam entrar nas minas), os salários menores e as condições de trabalho piores etc. “Mujeres de la mina” não é diferente em muitos aspectos, mas tratamos de pensar como o filme desenvolve o peso do trabalho femenino e a organização sindical promovida pelas mulheres. Esta história tem longa data. Segundo Rossana Barragan, os trabalhos das mulheres tiveram um peso econômico enorme, embora fossem invisibilizados, no período da produção da prata, entre o século XVI e XVIII. Trata-se de pensar não apenas o trabalho nas minas, mas o entorno laboral que permitiu que Potosí, na época colonial, se tornasse uma das principais capitais do mundo moderno. As três mulheres entrevistadas pelo filme são, por assim dizer, herdeiras diretas das atividades e lutas dessas mulheres das quais Barragan fala. Nessa direção, tratamos de saber se o filme coloca em profundidade esta questão. Um outro viés é o da organização laboral das mulheres. O fato de Domitila Chungara ter criado o sindicato das amas de casas mineiras, mostra como a organização feminina com relação ao trabalho é um ponto crucial para entender a vida social e econômica das mulheres mineiras. O sindicalismo nos Andes é bem anterior. Data de 1935 a fundação de importantes organizações sindicais de mulheres bolivianas. Petronila Infantes, Dona Peta, é muito conhecida, ela ajudou a fundar o sindicato de culinárias. As mulheres anarquistas, chamadas de Cholas, que trabalhavam nos mercados populares fundaram o sindicato de aves e ovos; outras o sindicato das leiteira, fruteira e carnes; tivemos até a União feminina das floristas; e mesmo um sindicato de viajantes – formado principalmente por mulheres que viajavam entre Perú e Bolívia. Gravuras e pinturas – Potosí, pintura de 1671, de Arnoldus Montanus; Cerro Rico e refinería de Plata, de 1603; La Cidade Imperial y la rica colina de Potosí, de 1856, de Gaspar Miguel de Berrio; República de Bolívia, Potosí. Koya Runas.Mestizos e Indios, do Álbum de paisajes, tipos humanos y costumbres de Bolívia, de 1941-1869, de Melchor María Mercado, entre outros – serão também analisadas com o mesmo objetivo de pensar a figuração do trabalho femenino nas minas. Esse cotejo pressupõe um jogo em que as analogias e a comparação, como afirma Vinciane Despret, é uma questão de estilo político ou epistemológico. Trata-se de pensar a produção cinematográfica e textual de mulheres para colocar em pauta o feminismo hegemônico que desconhece a intertextualidade e as lutas das mulheres na defesa do território. Este entendido como múltiplo e um processo no qual há um intercâmbio potente entre os seres vivos.
Bibliografia
- BARRAGAN, Rossana, Romano. El imperio del trabajo – história social de la producción de la plata de Potosí para el mundo. (s. XVI-XVIII). La Paz, Plural, 2025
DESPRET, Vinciene. Habiter en oiseau, Paris, Gallimard, 2014
LEHM, Zulema, Ardaya e RIVERA, Silvia Cusicanqui. Lxs artesanxs libertarixs y la ética del trabajo. Buenos Aires, Tinta y Limón, 2013